Playing: “Reflektor” / Arcade Fire

Volume duplo de eletrónica bem presente, disco, art-rock e… é uma viagem, clara, da banda canadiana pelos disco beats, a dois tempos. Produzido por James Murphy (LCD SoundSystem) cuja presença sente-se bem, e pelo habitual produtor da banda Markus Drav, “Reflektor”, quarto álbum de originais dos Arcade Fire, vem em dois tempos: vol. 1 e vol. 2., num total de 75 minutos. No vol. 1 somos levados à old disco, com a bola de espelhos a refletir os novos sons, tendo logo em “Reflektor”, música que abre as hostes, a voz convidada, muito breve passagem, de David Bowie, o próprio que tanto influência os Arcade; segue-se “We Exist” que de alguma forma nos transporta para os 1980’s com “Billie Jean” no ritmo e apanhamos em “Flashbulb Eyes” com leve explorar do reggae; em “Here Comes The Night Time” temos, sem dificuldades, o ponto forte desta viagem onde o disco sound atinge lugar cimeiro, com influências de ritmos rara haitianos, uma declaração às origens dos pais de Régine Chassange. Um primeiro volume, com sete músicas que não nos deixam quietos, em “Normal Person” manda mensagem aos reprováveis bullies, e “You Already Know” acelera-nos o ritmo para a saída com “Joan of Arc”. Se no vol. 1 tivemos o pulsar forte da disco e guitarras confiantes, o vol. 2, abre com “Here Comes The Night II” , a segunda embora a primeira a ser criada, mais calma versão da energética disco sentida no vol. 1, e daí somos encaminhados para uma nova viagem de seis músicas num ritmo mais slow em jeito de fim de noite, mas ainda na disco art-rock; “Awful Song” é mais pleasant sound e a canção mais forte deste vol. 2 (ou de todo o álbum?); “It’s Never Over (Hey Orpheus)” música onde temos contacto mais direto com o mito de Orpheu: “Black Orpheu”, filme de 1959, inspirou Butler na construção de todo conceito lírico do álbum “Reflektor”, “Porno” e “Afterlife”, não tão fortes, são as que se seguem antes de finalizarmos com “Supersymmetry”.
“Reflektor” é um álbum bem forte e coeso que quebra com um caminho musical dos Arcade Fire, uma incursão sonora de eletrónica, muito disco sound, a que não se fica indiferente. A ter de ouvir, mais… if you like disco beats and dancing times!

+ Arcade Fire
© Fotografia: Sara Quaresma Capitão.

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