Mira Schendel / Museu de Serralves

A norte, no Porto, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta pela primeira vez em Portugal a primeira grande retrospetiva da obra de Mira Schendel (1919-1988), uma das mais importantes e prolíficas artistas latino-americanas. Juntamente com Lygia Clark e Hélio Oiticica, seus contemporâneos, Schendel reinventou a linguagem do modernismo europeu, no Brasil. Pouco conhecido pelo grande público em Portugal, o seu trabalho constitui uma importante fonte de interesse e inspiração para as novas gerações de artistas portugueses.
Nesta exposição estarão patentes mais de 200 trabalhos (pinturas, esculturas e desenhos) representativos de toda a carreira de Schendel. De entre eles destacam-se “Droguinhas” (1965- 56) – esculturas moles em papel de arroz entrançado sob a forma de redes maleáveis, e “Objetos Gráficos” (1967-68) – um grupo de obras que exploram a linguagem e a poesia. Serão exibidas igualmente algumas das suas primeiras pinturas abstratas; as monotipias – feitas em papel de arroz e das quais realizou mais de 2000, e as instalações “Still Waves of Probability” (1969) e “Variants” (1977). Destaque ainda para os “Trenzinhos” – esculturas de folhas de papel de arroz e fio de nylon, suspensas no espaço, ou os “Transformáveis” – obras do início dos anos 1970, feitas com tiras de acrílico rebitado, percecionáveis através da projeção da sua sombra quando expostas. E, claro, não faltarão alguns “Sarrafos” (1987) – a grande série da artista, composta por construções monocromáticas que interpelam o corpo, o espaço e o nosso meio envolvente enquanto espectadores.
Nascida em Zurique em 1919, Mira Schendel viveu em Milão e Roma antes de fazer do Brasil, em 1949, a sua casa para sempre, tendo em 1953 se fixado em São Paulo, onde viveu e trabalhou até à sua morte, em 1988. A experiência precoce de deslocações culturais, geográficas e linguísticas e um profundo interesse pela história da religião e pela filosofia influenciaram e muito marcaraam todo o seu trabalho. Na sua casa adotiva, o Brasil, além de ajudar a criar um novo círculo de intelectuais oriundos das mais diversas áreas do conhecimento (psicanálise, literatura, filosofia, teologia), muitos judeus emigrados, como ela, Schendel correspondeu-se com vários pensadores europeus, como Jean Gebser e Max Bense e Umberto Eco.
A sua obra foi apresentada em algumas edições da Bienal de São Paulo; na Bienal de Veneza 1968; na galeria Signal em Londres (1966), e no mesmo ano na Galeria Buchholz, em Lisboa. Depois da sua morte, realizaram-se outras exposições memoráveis como a exposição individual na Galeria de Arte SESE, em São Paulo (1997), a grande mostra da sua obra em 2001 na Galerie National du Jeu de Paume em Paris e, em 2009, o Museum of Modern Art, em Nova Iorque apresentou a exposição Alfabeto Enfurecido em conjunto com o artista León Ferrari. Esta exposição é uma coprodução organizada por Tate Modern e Pinacoteca do Estado de São Paulo, em associação com a Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto.
Uma exposição do trabalho de um nome incontornável das artes plástica que não deve perder a oportunidade de visitar e ver. Patente de 1 de março a 24 de junho, de 2014. A ir! •

© Fotografia: Serralves, obra de Mira Schendel.

 

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