Claro! que é uma cozinha portuguesa

Antes do verão se despedir, rume a Paço de Arcos, perca-se no silêncio a ver o mar e experimente as iguarias de um chef irrepreensível.

Uma ode ao mar. Assim se pode definir a carta estival de Vítor Claro, o chef do restaurante Claro! com o peixe fresco do dia, o carapau à lima ou o bacalhau à conde da Guarda, entre outros deleitosos protagonistas da gastronomia tão nossa, os quais tão bem sabem em dias soalheiros. Porém, e para tornar o repasto um almoço memorável, Vítor Claro desafia os presentes a partir à descoberta dos ingredientes principais de cada prato e dos vinhos, numa rima contínua e compassada por sabores.

Para começar, é-nos apresentado dois bijous, um de bife tártaro e outro de escabeche de peixe rei. Uma dupla, que se converte numa excelente ideia para quem desconhece o Food Corner do chef, no mui lisboeta Mercado da Ribeira, acompanhada por uma cerveja artesanal de cunho português, a Sovina Amber, sugestão certeira para um prato que impele a irreverência.

bacalhau-tomate

Com Quinta de Arcossó Bastardo rosé 2011, tal como o nome indica, é feito da casta Bastardo, aparece a versão do bacalhau à conde da Guarda de Vítor Claro, um prato composto por uma quenelle de bacalhau e uma outra de tomate, lado a lado, ao que a primeira evoca o famoso pastel de bacalhau.

tomate-frutos secos

Chega a vez do carapau à lima, com escabeche de anchovas, sabores autênticos que conferem primor a uma cozinha genuína ritmada com um Alboroque branco 2011.

frutos secos-mar

Ainda no mar, entra em cena a ostra, com puré de batata e manteiga escura, para casar com um Dominó branco 2011, o vinho de Vítor Claro e que rima, claramente, com o verão.

Mas deixemo-nos de partidas e continuemos o repasto, com o peixe do dia em caldo de bivalves, sabores leves acompanhados pelo mesmo néctar de Baco – ou do chef – da serra de são Mamede e produzido a partir de castas cujas vinhas estão plantadas a mais de 700 metros de altitude.

mar-aipo

Com os pés na terra, eis que surge caldo “waldorf”, dominado pelo sabor do aipo, com presunto, que faz chegar à mesa o Dominó São Frio tinto 2010.

aipo-maçã

Das quintas vem o novilho com jardineira de legumes reinventada à boa maneira de Vítor Claro, a qual confere frescura à carne combinada com Dominó Salão Frio tinto 2010.

maçã-hortelã

Com a vista de mar a predominar o cenário brindado pelo sol, o repasto adoça o palato com farófias de côco e ginja em calda, de onde sobressai o sabor da hortelã, que refresca o paladar no ponto certo, acompanhado, desta vez, por um Niepoort Porto LBV 2009.

hortelã-côco

Assim, os petits fours ditam o fim do repasto, dominado pela cozinha portuguesa e acompanhado por conversas cruzadas em torno do vinho e dos sabores, que recomendamos experimentar. Leve o tempo que quiser…

Bom apetite! •

+ Restaurante Claro!
© Fotografia: João Pedro Rato

 

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.