Exposições: Vasco Araújo e José de Guimarães

Há novas exposições no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) inaugura o seu 2.º ciclo expositivo de 2015, com Vasco Araújo e José de Guimarães.

Este sábado, dia 25 de abril, às 18h00, inauguram as exposições de Vasco Araújo “Demasiado pouco, demasiado tarde” e de José de Guimarães “Pintura: suites monumentais e algumas variações”, novas mostras que vão habitar o CIAJG até 05 de julho.

Vasco Araújo volta a expor no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, depois de ter integrado uma remontagem da exposição “A Composição do Ar”, no final do ano passado, com a série “Botânica”. O trabalho deste artista tem incidido de forma sistemática sobre a história do colonialismo europeu e os seus efeitos do ponto de vista das dinâmicas relacionais de poder e submissão entre homens de diferentes lugares e diferentes culturas. O artista traz para o seu terreno de investigação ferramentas e dados usados e recolhidos por outras disciplinas, tais como a História, a Antropologia, a Sociologia, para construir narrativas que se materializam em filme, escultura, pinturas e peças sonoras. Com a inauguração desta exposição individual de Vasco Araújo, “Demasiado pouco, demasiado tarde”, o CIAJG continua e aprofunda a sua vocação de perscrutar e revisitar um ponto de vista simultaneamente poético e crítico, empático e distanciado, as tensões, os desejos, os afetos ou as angústias que os objetos corporizam e transportam e aquilo que revelam dos homens e da história que constroem.

Vasco Araújo © “Capita”.

O 2.º ciclo expositivo do CIAJG é ainda marcado por uma exposição de pintura de José de Guimarães, conceituado artista nascido na cidade e que empresta o seu nome a este espaço. No contexto da obra heterogénea de José de Guimarães a pintura emerge como o principal continente, o território de onde tudo parte e aonde tudo chega. Trata-se de uma produção imensa, plural nos formatos e suportes, marcada pelas diversas incursões que o artista tem feito pelas mais distantes regiões do mundo. Esta exposição dará particular destaque ao período angolano, um dos mais estimulantes de todo o percurso de José de Guimarães, reunindo um conjunto de trabalhos produzidos entre 1967 e 1974 que remetem para uma prática expandida da pintura, em termos de suportes, técnicas e materiais, mas sobretudo pelo seu forte pendor experimental e crítico, operando, então, uma inédita e idiossincrática síntese entre a arte pop europeia e os signos que aprendia no seu contato com a cultura africana.

Neste contexto, serão expostos vários trabalhos que faziam parte da mítica exposição que realizou no Museu de Luanda, em 1968, seguramente a primeira mostra relevante do autor, e as séries das “máscaras” e dos “feitiços”, realizadas no início da década de 70, entre 1971 e 1973, já marcadas pelos novos códigos linguísticos que seriam plasmados no seu “alfabeto africano”, realizado no mesmo período, e que viriam a ser apresentados na galeria Dinastia, no Porto, em 1974. Contrastando com os pequenos e médios formatos apresentados neste primeiro núcleo, a segunda parte da presente exposição é constituída por pinturas de grandes dimensões reunidas sob o signo do desastre e sob o tema “Impérios do Fim”. Com mais uma exposição monotemática dedicada ao trabalho de José de Guimarães, o CIAJG prossegue uma das linhas da sua missão: revisitar, reler e reapresentar a obra de um autor central do panorama artístico em Portugal, a partir do significativo espólio reunido nas suas reservas.

© José de Guimarães.

Às 16h00, a anteceder a inauguração das exposições, está ainda agendada uma conversa no âmbito da exposição individual de Vasco Araújo que contará com a presença de Isabel Carlos (Diretora do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa), Inês Valle (curadora da Bienal de Lagos, Nigéria), Vasco Araújo (artista), José de Guimarães (artista e colecionador) e Nuno Faria (curador da exposição e Diretor Artístico do CIAJG).

A visitar, em Guimarães. •

CIAJG

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