Murm(ü)rando com Birds are Indie

Como prometido, nova conversa “Proustiana” para o Ciclo Murmürando, num questionário que se estrutura em torno da palavra “murmúrio”. Que se inicie a nova conversa, pianinho pianinho…

Depois da estreia deste questionário com Erica Buettner, na semana passada (reler), é vez de um bando de pássaros aprumar suas belas penas para responder entre acordes e afinações. Birds are Indie são um trio de Coimbra formado por Joana e Jerónimo (JJ), um par de pássaros bem enamorados, a que se junta Henrique (H) para uma família estruturada, nada convencional, que tem neste projeto indie o seu ninho. Estes pouco santos pássaros, que se encontram em plena fase de gravação e produção do próximo álbum de originais, tiram o Dia de Todos-os-Santos para vos dar um concerto, onde prometem desvendar algumas músicas novas. Sem mais demoras, um murmurar com Birds are Indie, em dois cenários imaginários.

Comecemos com Birds are Indie no palco.

Definição por extenso de murmúrio, para os Birds?
JJ: Murmúrio é uma coisa que se diz baixinho, às vezes a medo, mas que ao mesmo tempo dá vontade de gritar alto. Mais ou menos como uma música que se toca para os amigos, pela primeira vez…
H: Quando de repente todos ficam em silêncio e, nesse mesmo momento, o meu estômago tem de fazer barulho. Portanto, é mais ou menos o barulho que o meu estômago faz quando estou com fome.
A quem murmurariam, em exclusivo, uma música?
JJ: Murmuraríamos a quem aparecer na Galeria, no dia 1 de novembro, porque vamos mostrar músicas novas pela primeira vez. Lá está, ainda a medo, mas cheios de vontade.
H: A ninguém, gosto das pessoas bem dispostas ao meu lado.

Murmúrio é uma coisa que se diz baixinho, às vezes a medo, mas que ao mesmo tempo dá vontade de gritar alto.

Que mais vos inspira no processo criativo?
JJ: O que mais nos inspira é a simplicidade das coisas e da vida. Simplicidade essa que, às vezes, consegue ser bastante complexa.
H: Os prazos quando estão a acabar, são uma grande fonte de inspiração.
A quem cantariam, ao ouvido, uma música inacabada?
JJ: Inacabadas são muitas porque vão tendo alterações ao vivo, seja porque mudamos de instrumentos ou porque estamos fartos de as tocar da mesma maneira. Mas inacabada no sentido de estar ainda em germinação, então provavelmente só aos nossos seis ouvidos.
H: À minha gata só para a arreliar. Quando ela é chata costumo fazer-lhe isso.

Salas grandes. Espaços íntimos. Onde é a vossa música mais ela própria?
JJ: A nossa música, assim como nós, vive melhor em espaços íntimos. Porém, a intimidade que a música e os concertos atingem, nem sempre tem a ver com dimensão. Neste caso, o tamanho não interessa, mas por vezes pode fazer a diferença.
H: Quando estamos os três sozinhos a ensaiar.
A quem rumorejariam o nome de um próximo álbum?
JJ: Hum… nome do próximo álbum ainda não existe. Quando estiver decidido… talvez a Mutante seja dos primeiros a saber.
H: Não é necessário ou preciso esse suspense. Quando está definido, está e pronto.

Que se troquem os papéis. Birds na plateia.

O silêncio é, tantas vezes, a melhor nota tocada. Que silêncio vos tocou mais?
JJ: O silêncio de 300 pessoas numa igreja, em Bristol, enquanto víamos os Low e o silêncio de 300 pessoas numa igreja, em Cem Soldos, enquanto tocávamos para elas.
H: Em geral, tocam-me mais alguns sons do que os silêncios. Apesar de alguns silêncios poderem dizer muita coisa.
A quem não conseguiriam nem soprar uma nota?
JJ: Os mesmos Low, talvez a vergonha nos impedisse de alguma vez lhes soprarmos uma nota… Mas nunca se sabe, por vezes é bom perder a vergonha.
H: Aos meus paizinhos.

Em geral, tocam-me mais alguns sons do que os silêncios. Apesar de alguns silêncios poderem dizer muita coisa.

Um músico tem de ter heróis, na música. Quem são os vossos?
JJ: Heróis… Não temos propriamente heróis, mas há alguns de quem gostamos muito, por diversas razões: Michael Stipe, Damon Albarn, Dean Wareham, Alan Sparhawk / Mimi Parker, David Bowie, Lou Reed, Vitor Torpedo, Josh Haden, Stuart Murdoch / Stevie Jackson, Scott Walker, Lux Interior, entre outros.
H: David Bowie, Brian Setzer, António Olaio, Bach, Paula Nozarri (a minha querida professora de bateria que me atura e tem muita paciência para mim – isto é só para dar graxa)… e tantos outros.
Quem gostariam, e porquê, de ter numa sala a sussurrar músicas para vós?
JJ: Que tal um “unplugged” de um super-grupo formado pelo Matt Mondanile (guitarrista dos Real Estate), o James Hoare (guitarrista dos Ultimate Painting/Veronica Falls), o Jorri (multi-instrumentista dos a Jigsaw), a Moe Tucker (baterista dos Velvet Underground), a Kim Deal (baixista dos Pixies/Breeders) e a PJ Harvey na voz?
H: Scott Walker acompanhado de um pedaço de carne. Num dos discos mais recentes levou um pedaço de carne para estúdio e usou-o como instrumento de percussão.

Resta-nos dizer-vos, ao ouvido, que domingo dia 1 de novembro, pelas 17h00, Birds are Indie estarão em concerto na Galeria Santa Clara, em Coimbra. Uma bela forma de dar as boas-vindas ao mês de novembro. Brevemente, revelaremos o murmúrio de Ana Deus e Nico Tricot com o projeto Bruta. No próximo domingo, apareça na Galeria! •

Nota extra: os Birds are Indie têm já agendados mais três concertos para este novembro – 06/11 Ginjal Terrasse, 22h00, Almada; 07/11 Fnac Colombo, 15h00; 07/11 Lounge Lisboa, 23h00.

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© Fotografia: Carlos Gomes.

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