Concerto: “In Memoriam de António Fragoso – no centenário da sua morte”

Para fechar a semana na música, numa breve nota, desafiamos-vos para um concerto de câmara, em Coimbra, no Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC).

O Concerto de Câmara estará a cargo do Ensemble Pro Musica Antiqua, integrado no programa “In Memoriam de António Fragoso – no centenário da sua morte”, e realizar-se-á no próximo domingo, dia 29 outubro pelas 11h00, no Museu Nacional de Machado de Castro. Porque os Museus também podem ser belas salas de concertos.

O Pro Musica Antiqua é um grupo de nove instrumentistas que se dedica à música dos séculos XV, XVI e XVII, e será dirigido pelo maestro Francisco Manuel Relva Pereira através de um vasto programa com obras de Jean-Baptiste Lully, Thomas Morley, William Brade, Anthony Holborn, Adriano Banchieri, Giovanni Gabrieli, G. F. Haendel, H. Purcell, Benedetto Marcelo, Jeremiah Clarke, Maurice Greene, Theodor von Schacht e Jean Joseph Mouret. Uma manhã em que não pode ficar em casa, está visto.

António Fragoso nasceu a 17 de junho de 1897, na freguesia da Pocariça, concelho de Cantanhede, onde viria a falecer, a 13 de outubro de 1918, vitimado pela gripe pneumónica que nessa época se abateu sobre toda a Europa (certamente se recorda de outro grande vulto da nossa cultura, Amadeo de Souza Cardoso, também ele vitimado pela mesma gripe). Com apenas seis anos começou a “aprender a ler pautas e a tocar piano com António dos Santos Tovim, seu Tio e médico em Cantanhede, figura com vasta cultura musical que teve uma influência marcante nesses primeiros anos da sua formação musical“. Mais tarde, no Porto, entre 1907 e 1914, concluiu “o curso geral dos liceus e os dois primeiros anos do Curso Superior de Comércio, sem nunca ter deixado de aprofundar os seus estudos de piano, agora sob a orientação do Prof. Ernesto Maia. Aos 16 anos publicou e deu a primeira audição da sua primeira composição – ‘Toadas da Minha Aldeia’ – muito aplaudida pela crítica musical. Algumas notas biográficas referem que teve que vencer uma certa resistência dos Pais para se matricular no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, que viria a frequentar até 1918, ano em que obteve o diploma do Curso Superior de Piano com 20 valores, a classificação máxima“.
Durante o seu percurso como estudante começou, simultaneamente, um percurso artístico que foi aclamado nos “círculos culturais do País, não apenas como exímio pianista, mas também como compositor, ao ponto de ser considerado pelos críticos da época como ‘um dos mais poderosos talentos da sua geração’. João de Freitas Branco refere mesmo que entre as suas peças ‘se encontram páginas surpreendentes num compositor com menos de 21 anos’”. Por norma, estudiosos destacam do conjunto da obra de António Fragoso “os ‘Prelúdios’ e a ‘Petite Suite’ para piano, os lieder para canto, as partituras de música de câmara e os Nocturnos, sendo o ‘Nocturno em Ré bemol Maior’ considerada a sua peça mais emblemática do seu imenso talento como compositor“.

Este concerto, acontecerá também nos dias 27 e 28 de outubro, pelas 21h30, no Auditório de S. Pedro – Cantanhede e no Museu Municipal da Figueira da Foz, respetivamente e caso lhe seja impossível ir ao MNMC. Com entrada livre, promete ser mais um momento especial da intensa programação que esta iniciativa se propõe levar a cabo.

Alinha num Concerto de Câmara? •

MNMC
António Fragoso
© Imagem: António Fragoso, pormenor do cartaz de divulgação, DR.

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