Quinta da Boavista: O Douro em cinco tintos

O terroir da mais antiga região vitivinícola demarcada do mundo está convertido num quinteto de 2014 feitos a partir de uvas colhidas e vinificadas da histórica propriedade duriense, com destaque para um monovarietal produzido com uma das mais antigas castas portuguesas, a Tinto Cão.

Apesar da baixa produtividade registada ao longo dos anos, factor que levou ao seu quase desaparecimento no Douro vinhateiro, a equipa de enologia composta pelo francês Jean-Claude Berrouet e pelo português Rui Cunha, da Quinta da Boavista – localizada bem perto do Pinhão, no Cima Corgo, tendo sido, outrora, propriedade de uma das mais incontornáveis figuras da história da região, o Barão de Forrester –, decidiu avançar para um tinto feito a partir da Tinto Cão: o Boa Vista Tinto Cão 2014.

De acordo com os registos, trata-se de uma casta que está “enraizada” no Douro desde o século XVIII, graças ao clima quente e seco desta região. Na descrição, apresenta uma película grossa e de um negro-azulado, e o amadurecimento acontece tardiamente. Em contrapartida, exprime a elegância da casta no nariz e na boca, bem como o perfil de acidez que lhe é característico, além da frescura que revela no paladar, com a garantia de que “envelhece muito bem em garrafa”, segundo Rui Cunha.

Outra as das boas novas para os apreciadores dos vinhos durienses é o Boa-Vista Touriga Nacional 2014 é outra das boas novas desta quinta que, desde 2013, está nas mãos da dupla Marcelo Lima e Tony Smith. “É um vinho guloso” para o enólogo português que destaca, ainda, a elegância deste vinho, ao qual a madeira confere complexidade no seu todo, com particular atenção para esta casta portuguesa que, antigamente, era conhecida apenas por Touriga, pois havia apenas uma: esta.

Boa-Vista Reserva 2014 é também o reflexo do Douro, porque “queremos enaltecer a região com lotes de variadíssimas castas”, diz Rui Cunha. Na composição há, por conseguinte, um lote de vinhas velhas com mais de 60 anos e um outro feito a partir de uvas de vinhas novas.

Na lista do quinteto de tintos está ainda a Quinta da Boavista Vinha do Oratório 201, o vinho baptizado com o nome do ex-líbris da propriedade duriense, a qual é formada pelos socalcos mais altos, chegando a atingir os oito metros de altura, e com orientação Nascente/Sul. Aqui estão as vinhas velhas da Quinta da Boavista com cerca de 80 anos e mais de 25 castas autóctones desta região vinhateira. Após a vindima manual houve pisa a pé em lagares de granito, onde ocorreu a fermentação, seguida de um estágio em barricas de carvalho francês durante, pelo menos, 18 meses, o resultado traduz-se num vinho “denso, complexo e bem estruturado”, descreve Rui Cunha.

Já a Vinha do Ujo, plantada em 1930 e também com o registo de mais de 25 castas está, por sua vez, virada a Norte e o nome foi dado em homenagem à ave de rapina de nome ujo ou bufo real. Tal como na anterior, a apanha da uva foi manual, mas a fermentação foi feita em barricas novas de carvalho francês de 500 litros tendo, depois, passado para barricas de 225 litros onde permaneceu por 16 meses, o que conferiu elegância ao vinho; no paladar denota frescura e um final muito longo. •

+ Quinta da Boavista
© Fotografia: João Pedro Rato

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