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Nova vida às ruínas na Herdade da Malhadinha Nova

A paleta multiplica as cores, porque a propriedade está maior. A beleza da paisagem preguiça mais além, entre a flora e a fauna imensas, com a Casa das Pedras, a Casa das Artes e Ofícios, a Casa da Ribeira, a Casa do Ancoradouro e a Venda Grande a ampliarem a escolha de quem tanto aprecia este paraíso alentejano, agora com um conceito global chamado Malhadinha Collection.


A arquitectura rectilínea da Casa do Ancoradouro é comum aos mais recentes edifícios que compõem a Malhadinha Collection


À história da Herdade da Malhadinha Nova, a família Soares acrescenta, em 2008, uma nova página com a aquisição da Herdade do Ancoradouro, propriedade igualmente localizada a escassos quilómetros de Beja. Aquela converge, numa das extremidades, com a primeira. “A nossa vontade era trazer nova vida às ruínas”, confessa Rita Soares, CEO deste wine hotel de luxo edificado em pleno Alentejo. Abrangida pela Reserva da Biosfera de Castro Verde, a Herdade do Ancoradouro foi objecto de um levantamento exaustivo no campo geográfico, histórico, arquitectónico. “Propúnhamos ampliar o projecto turístico, plantar vinhas em zonas que não iram prejudicar a protecção/preservação das aves”, continua. 


A Casa das Pedras vista da Country House, a primeira do universo da Malhadinha construída em 2006


Das ruínas se construíram casas. Ou seja, à country house, de portas abertas, desde 2007, no Monte da Peceguina, soma-se o quinteto de novidades. Ainda dentro da herdade, e no mesmo monte, está a Casa das Pedras, visível da piscina que está junto à country house. O nome remete para a sua localização, já que está edificada sob um morro de pedras.


Os tons cinza e amarelo torrado tomam conta da paleta das suítes


No exterior, a construção, predominada por betão com tratamento de cofragem em madeira, parece “diluir-se” na paisagem devido aos tons terra similares à paisagem que a circunda; enquanto no interior, o amarelo torrado e o cinza dominam na paleta de cores de peças decorativas meticulosamente escolhidos por Rita Soares para as duas amplas suítes.


Os terraços deste edifício dominado, no exterior, pelos tons terra constituem um verdadeiro convite ao dolce far niente


Cada uma tem terraço privado e uma piscina de pequenas dimensões, para refrescar o corpo e a alma em dias quentes.

Mais além, junto à outrora Ribeira de Teres que, no passado, teve uma enorme importância para os habitantes das redondezas, está a Casa das Artes e Ofícios. Esta é predominada pelo verde concebido por pigmentos que, por meio de uma técnica orgânica aplicada pelo arquitecto Matteo Brioni, nascido em Gonzaga, na Itália, dão cor à grande parte das paredes do seu interior. 

Constituído por dois andares – os dois quartos estão no piso superior – este edifício é uma espécie de núcleo expositivo de objectos criados por artesãos locais que remetem para as memórias das artes e dos ofícios de antigamente aliados ao ecossistema deste curso de água. A concretização dessas peças passa pelo cruzamento da abordagem contemporânea e criativa com a actividade artesanal posta em evidência por designers através da missão do Projecto Tasa – natural de terras algarvias –, no âmbito da sua extensão ao Alentejo, desta feita, sob a designação Tasa Alentejo executada em parceira com a Simbiose – associação centrada na promoção e valorização dos recursos naturais e tradicionais – e o apoio do município de Beja. 


Os candeeiros Achigã cruzam a linguagem do artesão com a contemporaneidade do trabalho desenvolvido pelo designer


Os candeeiros Achigã, dispostos no tecto da Casa das Artes e Ofícios, surgem dessa sinergia resultante, por sua vez, de um convite feito pela Herdade da Malhadinha Nova. Ou seja, são inspirados na sabedoria de outrora e desenvolvidos pelo designer produto Hugo da Silva que, por meio da combinação de materiais naturais – como o buinho, planta endógena desta ribeira –, cores e texturas concedeu a forma a este conjunto de três peças interpretativas do achigã, peixe que, em tempos, viveu nas suas águas. No fundo, “foi uma forma de levar a natureza para dentro de casa”, remata Rita Soares.


A Casa da Ribeira está no alinhamento do traço dos mais recentes espaços edificados nesta propriedade alentejana


A Casa da Ribeira é quase perpendicular à Casa das Artes e Ofícios, pois dá a sensação de quese despegou da primeira. Ali, o azul da água é transposto para o interior, predominando nas peças criadas por Marcel Wanders para a portuguesa Vista Alegre com o nome Blue Ming. Além da ampla divisão da entrada que compila as salas de estar e de jantar, e a cozinha, este edifício construído em banda tem três amplas suítes, com terraço privativo cada uma, e piscina com deck, onde preguiçam as chaise-longues


Espaçosa, a Casa do Ancoradouro foi pensada para famílias


Acima, no morro, está a Casa do Ancoradouro. A terracota, escolhida por causa da cor da terra, predominam nos pormenores e em objectos escolhidos para o seu interior.


O serviço da autoria de Oscar de la Renta ostenta o tom da terracota, escolhido em homenagem à cor da terra


Além do serviço com o mesmo nome, mais rústico, a Vista Alegre marca presença, novamente, com a assinatura de Oscar de la Renta num conjunto de peças da colecção Coralina. Em sintonia com peças de mobiliário restauradas a preceito, entre outras da autoria de conceituados designers conhecidos nos quatro cantos do mundo. Sem esquecer o Heracleum, o candeeiro de Marcel Wonders inspirado nesta mesma flor muito comum no Alentejo.


O branco comunga com os pormenores em terracota


O conceito de casa de família foi, aqui, instituído e complementado por sete quartos espaçosos, com destaque para a enorme sala e cozinha, com um piano bar, no lado oposto, e para a piscina, no exterior, cuja vista alcança o infinito.

Já dentro da aldeia de Albernôa, a novidade estende-se à Venda Grande by Malhadinha. Esta está instalada numa casa onde, outrora, eram vendidos chapéus, tecidos, especiarias, entre outros produtos do quotidiano. Hoje, a sala remete para uma casa de família complementada por quatro quartos, cada um com cor própria. 

Ao toque especial de Rita Soares, junta-se a concepção em papel da arquitecta Joana Raposo nesta propriedade imensa centrada na sustentabilidade. Desde o restaurante, com uma cozinha centrada, substancialmente, nos produtos da terra e na carne dos animais criados na herdade – com os chefs Joachim Koerper (consultor) e Rodrigo Madeira (residente) –, à vinha, de 85 hectares, que terá o certificado do modo biológico ainda este ano. Aqui, o principal foco está direccionado para os microbiowines, projecto implementado nas plantações mais recentes e executado apenas com castas portuguesas – Alvarinho, Arinto, Baga, Tinta Miúda, entre outras. 


Mesa posta no dia do Natural Wine Party by Malhadinha Nova, com destaque para o serviço Terracota da portuguesa Vista Alegre


Toda esta mudança, motivada pelas novas casas – com abertura oficial a ter lugar em Março de 2020 – foi motivo para a criação de um conceito global, a Malhadinha Collection, onde se inserem a nova recepção cujo edifício está a ser construído ao lado do picadeiro, no alinhamento do casario que integra, também, a adega e o restaurante.

A nova identidade foi apresentada no Natural Wine Party by Malhadinha Nova, a festa que, este ano, marcou o fim da décima oitava vindima da família Soares e de toda a equipa desta herdade consolidada como unidade hoteleira constituída por um total de seis casas e 30 quartos envolvidos numa tranquilidade ímpar no coração do Alentejo.



+ Herdade da Malhadinha Nova
© Fotografia: João Pedro Rato

+ Agradecemos à Toyota o apoio na realização desta viagem, com o modelo Toyota Corolla Touring Sport 2.0 Hybrid Dynamic Force Luxury Brown

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