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Lugares, mãos, rostos: O arroz do Baixo Mondego e o mar da Figueira da Foz / Há gastronomia na região de Coimbra {05}

Os campos de arroz predominam o Vale do Mondego, acompanhando a viagem até à “Praia da Claridade” de tempos idos, onde os pescadores e as suas receitas conferem um legado a respeitar.


O arroz carolino da centenária Ernesto Morgado está nos campos do Baixo Mondego


A tradição familiar persiste na Ernesto Morgado, empresa de arroz mais antiga do país. Fundada em 1920, em Alqueidão, no concelho da Figueira da Foz, está situada no Vale do Mondego, “onde se produz o melhor arroz carolino do mundo”, assegura o proprietário, José Manuel Russo.


A espiga só é ceifada quando “ganha” a cor dourada


A paciência é uma virtude para quem investe neste negócio. “Entre Novembro e Março não podemos trabalhar as terras.” Em Abril, inicia-se a fazer a sementeira. “A ceifa costuma ser na segunda quinzena de Setembro”, época do ano em que a espiga está dourada e, por isso, pronta a ser ceifada.


O arroz integral, ainda com casca


O arroz é transportado, com casca, nos camiões, até à entrada da fábrica, onde são pesados. Neste momento, é retirada uma amostra, para análise, sendo esta feita no laboratório instalado no interior do edifício. “Só depois de seco e feita uma pré-limpeza, é que o arroz vai para a descascadora.” O branqueamento do arroz é feito com o auxílio da pedra de rolo de esmeril.

Além do carolino, a Ernesto Morgado aposta no arroz agulha, do Vale do Sado e do Vale do Tejo, enquanto as variedades basmatti e jasmim são provenientes, respectivamente, da Índia e da Tailândia. Os arrozes vaporisado e Carnarolli, adequado para risottos, também fazem parte do portefólio desta empresa centenária, que reúne 90 hectares de arrosal.


“Vestida de anjo”, assim se chama em Buarcos a sardinha em polme


Já do outro lado da ponte, na Figueira da Foz, está o Marégrado, restaurante localizado junto à praça de Buarcos, onde os pescadores de outros tempos se reuniam depois da faina. A aposta nas entradas e nos pratos relacionados com a actividade piscatória persiste na carta desta casa, onde a petinga em polme ou “vestida de anjo” ou na frigideira, com uma tomada confeccionada a preceito, recebe protagonismo, para gáudio dos seus apreciadores.


A sardinha na frigideira confeccionada pela equipa do restaurante Marégrafo


Sardinha assada é outra das especialidades deste restaurante, onde a sopa servida no pão continua na lista de preferências de quem há muito tempo conhece esta casa, com mais espaço, já que a “nova” sala permite ao Marégrafo ter mais espaço para receber os seus clientes.


A raia com molho pitéu também é uma especialidade desta cidade piscatória


A raia frita ou servida com molho pitéu merecem destaque, ou não fosse a Figueira da Foz dada à tradição, em tempos idos, à raia seca, que assim se conservava, para colmatar a falta de comida quando as condições do mar não estavam de feição para a pesca. 

Lugares, mãos, rostos: Há gastronomia na região de Coimbra

{1} A raia com molho pitéu e os palheiros de Mira
{2} Espumante rima com leitão assado à moda da Bairrada
{3} O barro preto, a cabra velha e o cabrito
{4} Os enchidos, o queijo, as pêras-passa e o vinho do Dão
{5} O arroz do Baixo Mondego e o mar ali tão perto
{6} Pausa para um passeio de barco e a praxe da cerveja
{7} A tradição anda de mão em mão


+ Região de Coimbra – Região Europeia de Gastronomia 2021
+ Ernesto Morgado
+ Restaurante Marégrafo
© Fotografia: João Pedro Rato

• A Mutante viajou a convite do Turismo Centro de Portugal

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