As colheitas são novas, mas a história é antiga

A vinha de solos graníticos da Herdade da Figueira de Cima, situada na vila raiana de Arronches e a dois passos da Serra de São Mamede, no Alto Alentejo, está na origem das quatro boas novas da Reynolds Wine Growers. 


Julian Reynolds é o rosto da actual geração da Reynolds Wine Growers


História adentro, o início é marcado pela chegada do marinheiro e comerciante inglês Thomas Reynolds (1786-1887) em 1820, à cidade do Porto. Eis o ponto de partida do seguimento dos produtos ibéricos, inclusivamente do Vinho do Porto, para Londres, onde detém um armazém comercial. O negócio é partilhado com os filhos, Thomas e Robert Reynolds. Chega o ano de 1838 e entram na indústria corticeira. 

O negócio prospera com a criação da fábrica de rolhas de cortiça, em Albuquerque, Espanha, cenário determinante para a abertura de mais fábricas ligadas a este sector, sobretudo, na Península Ibérica. Segundo Julian Reynolds “chegaram a ter 14 fábricas de cortiça”, incluindo em Londres, no Reino Unido, e Perpignan, nos Pirinéus franceses.

De novo em Portugal Continental, a família Reynolds opta por fixar-se em 1850, em Estremoz, no distrito de Évora. Robert Reynolds fica como responsável pelos negócios da família, que englobam a aquisição de terras, acto determinante na produção de vinho. Aliás, é o filho primogénito, também chamado de Robert Reynolds, quem traz a casta Alicante Bouschet para Portugal, juntamente com o irmão, John Reynolds, a variedade de uva mais importante na ampelografia actual desta casa.


Gloria Reynolds Art & Tradition tinto 2013 devidamente decantado e servido à temperatura ideal, para acompanhar a empada folhada de Perdiz, com boletos, esparregado de grelos e compota de frutos bosque, prato da Casa da Dízima, em Paço de Arcos


Paralelamente, o Alentejo passa a ser o berço das gerações seguintes – do neto, Carlos Reynolds, que tem uma filha, Gloria Reynolds, mãe de Julian Reynolds. Eis o nome do actual representante deste legado vínico, que, em 1996, decide alargar esta herança, com a compra da Herdade da Figueira de Cima, propriedade de 200 hectares, situada na vila raiana de Arronches, no concelho de Portalegre, Alto Alentejo, onde proliferam os solos graníticos. A vinha ocupa 40 hectares, mas, “a curto prazo, serão 66 hectares de vinha”, acrescenta Julian Reynolds, e o primeiro vinho data da colheita de 2002, com Gloria Reynolds no rótulo, em homenagem à mãe.

Este tributo permanece no portefólio vínico da Reynolds Wine Growers. A prova está na boa nova, Gloria Reynolds Art & Tradition tinto 2013 (€60). Feito a partir de Alicante Bouschet tem o facto tempo como o grande aliado, a par com a casta, que, em conjunto, conferem delicadeza a este tinto, marcado pelas características da referida casta tinta, desde os frutos vermelhos ao exotismo das especiarias. Recomenda-se a ser aberto e decantado uma hora antes de servir, para acompanhar com pratos de carnes vermelhas e de caça. 


A longevidade no vinho também se emprega a este Julian Reynolds Grande Reserva tinto 2014


A mesma variedade de uva é predominante no Julian Reynolds Grande Reserva tinto 2014 (€32), juntamente com as castas Syrah e Cabernet Sauvignon, consideradas, as duas últimas, o “sal e pimenta”, usadas como “tempero” deste vinho. Apesar dos taninos jovens, a sensação de mineralidade e a frescura, conferida pela proximidade com a Serra de São Mamede, estão presentes neste tinto, a servir com comida condimentada, com uma feijoada, que rima com a chegada dos dias frios.

Gloria Reynolds Art & Tradition branco de 2020 (€36), feito a partir da casta Antão Vaz – casta, que, em breve irá ocupar mais hectares na Herdade da Figueira de Cima –, revela uma sensação de mineralidade persistente a par com a frescura, na boca. “É o único branco que vai à barrica”, afirma Julian Reynolds, cujos aromas estão subtilmente presentes. Este branco está apto a servir entre os 13 °C e os 14 °C, na companhia de queijos e pratos de peixe, mas, aos apreciadores, sugere-se que seja guardado por mais três anos.


O tributo a Robert R. Reynolds, bisavô de Julian Rynolds, está neste vinho licoroso feito a partir da casta Alicante Bouschet


A quarta boa nova é Robert R. Reynolds 2010 (€36), um licoroso que resulta da homenagem de Julian Reynolds ao seu bisavô e, como não podia deixar de ser, é produzido apenas a partir da casta Alicante Bouschet. Após três anos de envelhecimento em barricas de carvalho francês, o vinho permaneceu outros sete anos em garrafa, já que, para Julian Reynolds, “o envelhecimento não é sinal de enfraquecimento, mas de força e qualidade para uma boa longevidade”.

Depois de todo este tempo – ou mais algum, para quem preferir guardar este vinho –, recomenda-se a abertura da garrafa, para ser decantado uma hora antes de servir a uma temperatura entre os 16 °C e os 18 °C (à semelhança dos demais tintos desta casa), para sentir os aromas compotados e as especiarias, bem como a frescura e o final longo e prolongado deste licoroso. Harmonize com uma sobremesa à base de chocolate.

Brindemos!


+ Reynolds Wine Growers
© Fotografia: João Pedro Rato

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