Verão [com] vinhos para amigos especiais

Nunca é tarde para partilhar colheitas recentes e anteriores, ou não fosse a época estival pretexto maior para pôr a conversa em dia e apreciar um bom vinho na companhia de quem mais se gosta, mas beber, sempre, com moderação. Boas férias!

Vinhos Verdes

Antonina Barbosa continua a assinar as colheitas da Quinta do Hospital, propriedade da Falua – empresa vitivinícola detentora da Vinha do Cento, na região vitivinícola do Tejo –, localizada na freguesia minhota de Ceivães, em Monção, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Novidades? Barão do Hospital Alvarinho 2021 (€14,99) e Barão do Hospital Loureiro 2021 (€8,49), prontos a beber e celebrar o Verão. A prova está no facto do branco feito a partir de Alvarinho, casta nobre da sub-região de Monção e Melgaço, ficar bem, à mesa, com pratos de peixe e mariscos, carnes de aves, queijos e enchidos, graças à intensidade e sensação de mineralidade expressiva. Já a Alvarinho, dono de uma frescura marcante, ganha nas notas florais em evidente cruzamento com as notas de limão e a lima, ideal para pratos de peixe, massas e saladas ou a solo, na companhia de uma longa conversa.

+ Falua

Penafiel é o epicentro das referências Quinta de Monforte azul 2021 (€26) e Quinta de Monforte Padeiro 2021 (€29), as boas novas da Quinta de Monforte, produzidas sob a batuta do enólogo Francisco Gonçalves. Ambas reforçam o crescente aposta em dar palco a variedades de uva típicas da região utilizadas na feitura de vinho de lote e entram diretamente para a gama superior do portefólio desta recente casa representada pelos irmãos Pedro e Daniel Rocha.
“Com a Azal queremos mostrar todo o potencial que a quinta tem e o potencial que a região em produzir vinhos brancos frescos”, argumenta Abílio Guedes, viticultor, para quem a monda é dispensável, avesso à “utilização massiva do cobre”, por se tratar de um procedimento “nocivo para o solo”, e defensor das boas práticas em prol do ecossistema e da biodiversidade. É uma casta com elevada acidez, o que contribui para a sensação de frescura e a longevidade do branco.
O mesmo sucede com à casta tinta Padeiro, representativa do terroir dos concelhos mais a sul da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. A esta dupla, juntam-se o vinho branco Quinta de Monforte Colheita Selecionada 2021 (€10,50), feito a partir de Loureiro e Alvarinho, Quinta de Monforte rosé 2022 (€15) e Quinta de Monforte tinto 2022 (€15), os dois últimos elaborados somente com Vinhão.

+ Quinta de Monforte


Douro

Desengane-se quem torce o nariz quando ouve falar de um vinho produzido numa adega cooperativa. Falemos, pois, da Adega de Favaios, situada freguesia homónima, situada no planalto de Vilarelho, concelho de Alijó, terra famosa graças ao seu pão e pelo Moscatel, eternizados no Núcleo Museológico de Favaios – Pão e Vinho. No entanto, Favaios não é apenas sinónimo de moscatéis, ou não fossem de lá duas preciosidades, para consumidores com gostos distintos. Casa Velha Gouveio 2022 (€5,75) e Casa Velha Samarrinho 2022 (€5,75), dois exemplos de sucesso no que diz respeito ao incentivo associado à recuperação das castas brancas adaptadas às condições edafoclimáticas da região.
O primeiro branco apresenta um perfil aromático bastante intenso e revela boa capacidade de envelhecimento. Já o vinho feito a partir de Samarrinho, uma estreia no portefólio desta casa, traduz-se na “expressão da terra. São vinhos feitos na vinha”, segundo Miguel Ferreira, enólogo residente que partilha o seu ofício com Celso Pereira. É menos aromático, quando comparado com o anterior, e denota uma intensidade mais vegetal, atributo representativo desta casta, que dispõe de oito programas de enoturismo diferentes a experimentar.

+ Adega de Favaios

Rabigato e Viosinho. O lote de castas repete-se na colheita de 2022 do Grafite branco (€13,50). A escolha foi feita novamente pela dupla de enólogos Ricardo Pinto Nunes e Johnny Graham, sendo este último quem acumula a referida função com os papéis de fundador da Churchill’s, empresa familiar datada de 1981, e proprietário da Quinta da Gricha, propriedade vitivinícola situada e Ervedosa do Douro, na freguesia de São João da Pesqueira, na sub-região do Cima-Corgo, onde é produzido. Este vinho revela-se fresco e cheio de mineralidade, como se quer para este Verão. A melhor maneira de o provar? No Pátio das Laranjeiras, contíguo à centenária casa da Quinta da Gricha. Visite a adega, recuperada em 2016, com lagares antigos, instalada no piso térreo da casa, e as vinhas da propriedade. Reserve almoço, pleno de sabores durienses e harmonizado com o vinho… da casa, e, já agora, fique para dormir num dos quatro quartos da casa, com vista privilegiada para o vinhedo e o Rio Douro.

+ Churchill’s

A Menin Wine Company, de Rubens Menin e Cristiano Gomes, apresenta três monocastas da colheita de 2020. Menin Touriga Franca 2020 (€35), Menin Touriga Nacional 2020 (€35) e Menin Tinta Roriz 2020 (€35) são as referências protagonistas da lista de boas novas deste produtor duriense, que tem Tiago Alves de Sousa como enólogo consultor e João Rosa Alves, no papel de enólogo e director de produção. O objectivo é mostrar o potencial das três castas representativas de uma região histórica no país e no mundo no contexto da cultura da vinha e do vinho. Este trio de variedades de uva foi vindimado na Quinta da Costa de Cima, propriedade localizada em Sabrosa, pertencente ao distrito de Vila Real, localizada na sub-região do Cima Corgo, da Região Demarcada do Douro, e data do século XVII. Dispõe de 38 hectares, dos quais 28 são ocupados por vinha e destes 11 hectares são de vinha centenária, com mais de 50 castas identificadas. É precisamente na Quinta da Costa de Cima que fica a nova adega da empresa, construída por gravidade e constituída por quatro pisos subterrâneos, a qual está em funcionamento desde 2021. Este ano de 2023 marca o início da sua abertura ao público, com a implementação de um programa de actividades criadas no âmbito do enoturismo, a iniciar em breve.

+ Menin Wine Company

Símbolo tinto 2017 (€50), da centenária Poças, é um vinho feito a partir de uvas vindimadas em vinhas velhas da Quinta de Santa Bárbara, em Ervedosa do Douro, na sub-região do Cima Corgo, pertencente à Região Demarcada do Douro, onde o xisto predomina os solos. O resultado traduz-se num vinho intenso, complexo e com notas de especiarias, submetido a um contínuo processo supervisionado pelo enólogo André Pimentel Barbosa, que faz parte da equipa de enologia liderada por Jorge Manuel Pintão, bisneto do fundador desta que é uma das raras casas portuguesas de Vinho do Porto. Experimente com carnes maturadas ou aguarde pelo Outono e o Inverno, para servir com pratos de caça. O cabrito assado no forno também é uma ótima companhia para este vinho da Poças, cuja história é para conhecer no Centro de Visitas da Poças, em Vila Nova de Gaia. Aqui, as provas de vinhos  tornam-se verdadeiras experiências, agora com uma lista de petiscos renovada e uma exposição de cartazes publicitários dos vinhos do Porto desta casa. Estes remontam à década de 1930 e a mostra tem como título “Impressões da Vinha”.

+ Poças

Há cinco novas referências da Quinta do Carvalhido, propriedade histórica, de Pedro e Tiago Drummond Borges, respectivamente pai e filho, cuja estreia acontece aquando da criação da marca homónima. O ano de 2017 marca a estreia da colheita engarrafada do portefólio deste projecto. Localizada na sub-região do Douro Superior, na fronteira com a sub-região do Cima Corgo, ambas pertencentes à Região Demarcada do Douro, e a dois passos de Trás-os-Montes, tem um total de 33 hectares, dos quais 12 são de vinha, com maior enfoque nas castas tradicionais durienses, e os solos têm a particularidade de estarem na transição do xisto para o granito.
Mas vamos aos vinhos. Há o Quinta do Carvalhido branco 2022 (preço sob consulta), feito a partir das castas Rabigato, Viosinho e Gouveio, para, à mesa, fazer par com arroz de sames de bacalhau, e o Quinta do Carvalhido tinto 2020 (preço sob consulta) elaborado com as variedades de uva Touriga Nacional e Touriga Franca, a servir com bife da vazia (mal passado, de preferência).
Na gama Carvalhido constam o branco, com as castas Rabigato e Viosinho, perfeito para acompanhar um arroz de tamboril com gambas, e o rosé, com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, para umas amêijoas à Bulhão Pato, ambos da colheita de 2022 (preço sob consulta), bem como o tinto de 2021 (preço sob consulta), protagonizado pelas castas Touriga Franca e Touriga Nacional, para degustar com o famoso polvo à lagareiro. De um modo geral, é de enaltecer os brancos, sobretudo pela diferenciação, com particular incidência pela frescura e uma acidez depuradas, além de uma secura q.b. e elegância tão apetecível neste Verão. Os tintos são complexos, com taninos aguerridos, mas igualmente elegantes. O resultado deve-se, na vinha, ao viticultor José Miguel Telles e, na adega, ao saber fazer do enólogo Francisco Batista, que, aliás, em conjunto com o escanção António Lopes, embaixador da Quinta do Carvalhido, recomendam as harmonização atrás mencionadas.

+ Quinta do Carvalhido

A primeira colheita Mirabilis remonta a 2011. Uma década mais tarde, saem para o mercado Mirabilis branco 2021 (€55) e Mirabilis tinto 2021 (€150), da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, localizada em Covas do Douro, na sub-região do Cima-Corgo. O primeiro é feito a partir das castas Viosinho e Gouveio, às quais o enólogo Jorge Alves juntou variedades de uva branca de vinhas centenárias da referida propriedade da família Amorim, que tem como CEO Luísa Amorim. Mais tempo em cuba de inox e em garrafa foram as condições favoráveis para melhor deixar exprimir os atributos de cada variedade de uva, enaltecendo a mineralidade associada aos solos de xisto, a frescura e a acidez, para celebrar a estação mais revigorante do ano. 
A beber entre amigos, em casa, ou com a família à beira da piscina da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, com um vista arrebatadora sobre os socalcos do Douro e o rio que empresta o nome a esta região vinhateira.
Vale a pena a vista à adega e às vinhas, percorrer os trilhos da propriedade, passear de barco, sem esquecer de reservar mesa no Terraçu’s ou simplesmente degustar, desta vez, o tinto. Feito a partir das castas Tinta Amarela (ou Trincadeira) e uvas tintas de vinhas centenárias, revela-se elegante e fresco, estruturado e furtado q.b., deixando transparecer as características da casta.

+ Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Vinhos de Parcela é a designação do trio composto por Quinta do Pôpa VV 2017 (€29,90) e pelos monovarietais Quinta do Pôpa TN 2017 (€19,90) e Quinta do Pôpa TF 2018 (€19,90) – respectivamente Vinhas Velhas, Touriga Nacional e Touriga Franca. Eis três tintos da Quinta do Pôpa, produtor duriense localizado em Adorigo, no concelho de Tabuaço, sub-região do Cima Corgo, a considerar para as noites amenas deste verão.
O primeiro, feito a partir de uvas vindimadas na parcela datada de 1932 e constituída por mais de 20 castas diferentes, é perfeito para harmonizar com um peito de pato com molho de chocolate. O segundo é elaborado com uvas de uma parcela plantada em 2003 e combina com pratos de caça, enquanto a de Touriga Franca já conta com 25 anos e promete fazer companhia a um bom bife mal passado. Esta tríade é pretexto para viajar até à propriedade da família Ferreira, representada pelos irmãos Stéphane e Vanessa Ferreira, e explorar os cantos à casa, entre provas vínicas e experiências gastronómicas.

+ Quinta do Pôpa

Casa Ferreirinha Reserva Especial tinto 2014 (preço sob consulta), feito a partir das castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão, é a 18.ª edição (a última é de 2009) desta excelsa referência representativa do “que de melhor se faz no Douro”, tal como se lê em comunicado. Aguardado sempre com alguma expectativa, este vinho, cuja primeira edição remonta a 1960, comprova o que é considerado raro e exclusivo numa histórica casa duriense.
Com uma capacidade de envelhecimento recentemente posta à prova, este Reserva Especial denota o potencial das castas típicas do Douro e o saber fazer de uma empresa familiar, que serve de pretexto para, já agora, falar um pouco sobre o 25.º aniversário da Quinta da Leda. Eis um relicário duriense localizado em Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior. Os solos xistosos são, a par com as videiras, que perfazem 170 hectares de vinha, os alicerces de parte da história da Casa Ferreirinha, que está nas mãos da Sogrape desde 1987.
Na lista de castas constam a Touriga Franca, a Touriga Nacional, a Tinto Cão, a Tinta Roriz e a Tinta Barroca protagonistas dos vinhos de lote assumidos desde a vindima de 1997 (embora a última tenha ficado, entretanto, pelo caminho).
Desde então, foram produzidas duas dezenas de colheitas, que deram lugar a uma prova vertical realizada em Dezembro de 2022. Uma viagem única no tempo, que testemunhou o potencial do terroir desta propriedade, celebrado na presença de Fernando Cunha Guedes, Presidente e CEO da Sogrape, e o enólogo Luís Sottomayor. A última colheita é de 2019 e reúne, em lote, as castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Roriz.

+ Sogrape

Rabigato, Viosinho e Gouveio são as castas que constituem o lote do Alice branco 2022 (€9,80), da Vieira de Sousa, um vinho fresco e com acidez q.b., para refrescar o palato este verão. As referidas variedades de uva são proveniente de um total de 20 hectares de vinha, entre alugadas e próprias. A esta boa nova, as irmãs Luísa, enóloga, e Maria Eduarda Borges, responsável pelo marketing e os mercados, juntam dois tintos de Verão: Vieira de Sousa Tinta Francisca 2021 (€20) e Vieira de Sousa Rufete 2021 (€20).
As videiras das duas variedades de uva nativas do Douro foram plantadas em 2015 e conferem a constante aposta em ensaiar e inovar inerentes à filosofia deste projecto familiar, que, agora, alia a sapiência à arte de bem receber. Isto é, a Quinta da Firveda, com localização próxima à foz do Rio Corgo, perto da Régua, dispõe de um espaço reservado a oito provas de vinho, instalado numa antiga adega recentemente restaurada. Faça a visita às vinhas, à adega de vetustos lagares e à adega das tradicionais pipas de Vinho do Porto. A alternativa é degustar os vinhos na varanda, de onde se avistam as vinhas velhas desta propriedade duriense.

+ Vieira de Sousa

Beira Interior 

Muda-se o proprietário, mudam-se os rótulos e os vinhos regressam ao perfil clássico do planalto da Beira Interior, com seis novas referências. Falamos da Quinta do Cardo, fundada em 1932 e localizada em Figueira de Castelo Rodrigo, que tem, dede 2021, como proprietária a família MGGM, representada por Artur Gama (detentor da Quinta da Boa Esperança, localizada em Torres Vedras, na região dos Vinhos de Lisboa). Situada a 750 metros de altitude, esta propriedade localizada no coração da Beira Interior abarca 180 hectares em solo granítico. Destes, 79 hectares estão ocupados por vinha certificada em modo de produção biológico, desde 2014 (69 hectares têm entre 25 e 80 anos, e dez hectares foram plantados nesta nova era da Quinta do Cardo. A restante área está confinada a uma enorme reserva de sobreiros e floresta espontânea.
Mas vamos ao tema central, os novos vinhos. Cardo Branco 2022 (preço sob consulta), Cardo Tinto 2021 (preço sob consulta) e Cardo Rosé 2022 (preço sob consulta), feitos a partir de castas típicas da região. Quinta do Cardo Grande Reserva Branco 2021 (preço sob consulta) revela-se um vinho mais sério, feito a partir de uvas colhidas das vinhas mais antigas da Síria, à semelhança do Vinha do Lomedo branco 2021 (preço sob consulta), elaborado com uvas vindimadas na parcela com mais de 50 anos da vinha homónima, em que 90 por cento do encepamento é de Síria, casta indígena da Beira Interior. No mesmo alinhamento, está Vinha do Pombal tinto 2021 (preço sob consulta), também feito a partir das uvas provenientes da mais vetusta parcela de Touriga Nacional. A supervisão da adega está nas mãos de Jorge Rosa Santos.  

+ Quinta do Cardo

Bairrada

A Caves de São João, fundada em 1920 no concelho de Anadia, pertencente ao distrito de Aveiro, inicia a produção de espumantes na década de 1930. Duas décadas mais tarde, Luiz Costa começa o seu percurso como sócio-gerente nesta histórica adega bairradina, estreia o uso da designação Bairrada nos vinhos e impulsiona, a par com outras personalidades, a demarcação da região.
No início da segunda década do século XXI, a Caves São João apresenta a colheita de 2010 do Espumante Luiz Costa Brut Natural Pinot Noir Chardonnay (preço sob consulta). Esta referência é feita em homenagem ao homem que contribuiu para desenvolvimento na vinha e na adega desta casa centenária, o qual vai já na sexta edição e continua a ser elaborada a partir das suas castas preferidas. Beba-se fresco, para celebrar o Verão! 

+ Caves São João

Findos 48 meses em cave e seis após dégorgement, este realizado em 2019, o Quinta dos Abibes Espumante Sublime Brut Nature 2011 (preço sob consulta) mostra todo o potencial da casta Arinto na Bairrada. Bolha fina, frescura, complexidade e elegância são atributos que ressaltam no copo, para acompanhar as tão apetecíveis ostras, pratos de marisco e de peixe, a saborear com vagar, tempo esse que se quer dar a cada ciclo da videira. É o que faz Francisco Batel Marques, proprietário e viticultor da Quinta dos Abibes, localizada em Aguim, freguesia pertencente ao concelho de Anadia, no distrito de Aveiro e na Região Demarcada da Baixada.
Apesar de longa ser a história desta propriedade, outrora designada Quinta da Murteira, onde a produção de vinho remonta ao século XVIII, hoje contam-se apenas dez hectares reservados a um projecto vitivinícola feito com coração. Tal protagonismo se deve à sabedoria de quem troca os compêndios da Universidade de Coimbra pelos utensílios utilizados na vinha durante cada campanha, para que a vindima corra de feição.

+ Quinta dos Abibes

Tejo

Novo logótipo – que mantém, como símbolo, o ferro da coudelaria Quinta da Lagoalva, alusivo à Marquesa de Tancos, tia-avó dos proprietários, a somar à menção “Circa 1193”, data do primeiro registo da Quinta da Lagoalva – e novos rótulos – com a fachada do palácio e a torre do relógio a marcarem presença nos rótulos das gamas Lagoalva, Quinta da Lagoalva e Dona Isabel Juliana – marcam o início da nova era desta propriedade da família Holstein Campilho, situada em Alpiarça, na região dos Vinhos do Tejo. O objectivo desta acção consiste em prestar tributo ao legado desta histórica casa agrícola ribatejana, com 830 anos de história e 660 hectares contíguos, dos quais 42 estão ocupados por vinha e 16 por olival.
A este virar de página desta histórica casa junta-se a aposta na casta rainha deste território vitivinícola, com a estreia do Quinta da Lagoalva Grande Reserva Fernão Pires (€29,90). Este branco revela o lado mais herbáceo desta variedade de uva, deixando cair os aromas frutados exuberantes, comummente associados a esta casta, denota frescura, graças ao trabalho de Pedro Pinhão, administrador e director de enologia, e o enólogo Luís Paulino. A estrutura e a complexidade deste vinho devem-se ao estágio em barricas de carvalho francês. Recomenda-se a companhia de carnes grelhadas, peixes, marisco ou queijos de pasta mole.
No portefólio vínico da Quinta da Lagoalva constam ainda o Lagoalva branco 2022 (€5,49), com Arinto e Fernão Pires, o Lagoalva Sauvignon Blanc 2022 (€6,99) e o Lagoalva Reserva branco 2022 (€9,99), feito a partir das castas Arinto e Chardonnay. O Lagoalva tinto 2021 (€5,49), elaborado com as castas Touriga Nacional e Castelão, e o Lagoalva Reserva Alfrocheiro & Syrah 2020 (€9,99) complementam a lista.

+ Lagoalva

Alentejo

“O vinho precisa de tempo e o David [Baverstock] trouxe a calma e o conhecimento técnico que precisávamos, o know-how acumulado durante muitos anos”, afirma Vasco Rosa Santos, administrador na Ravasqueira – propriedade de 3.000 hectares de história, em Arraiolos, que, desde 1943, está nas mãos da família José de Mello – desde Julho de 2012, a respeito de David Baverstock, enólogo coordenador na empresa, desde dezembro de 2021.
No entanto, e apesar de estar pronto a beber, o Ravasqueira Vinha das Romãs Blanc de Noir 2022 (€18), uma das boas novas da empresa, é vinho para guardar. Feito a partir das castas Touriga Franca e Syrah, este blanc de noirs é perfeito para o ano inteiro, razão pela qual convém apressar-se, para conseguir algumas garrafas, tendo em conta a edição limitada desta colheita, que vai bem com ostras. Para o tártaro de novilho, que rima com esta época de estio, abra o Ravasqueira Heritage rosé 2022 (€26), feita a partir de Touriga Nacional Ainda no alinhamento das castas tintas, eis o Ravasqueira Touriga Franca 2019 (€15), perfeito para um magret de pato confitado.
Em relação à casta, Vasco Rosa Santos e David Baverstock querem apostar em grande na Touriga Franca, uma vez que o terroir de Arraiolos, no distrito de Évora, é propício aos atributos desta variedade de uva, já que se trata “de uma zona [do Alentejo] mais fresca”, considera o decano da enologia, no âmbito das alterações climáticas. Sobre o papel de David Baverstock na Ravasqueira, importa enaltecer a importante missão de “implementar uma mudança” e “tentar pôr a Ravasqueira no topo dos produtores nacionais”, remata. Para melhor confirmar toda esta dinâmica associada a “um caminho de investimento sustentável”, nas palavras de Vasco Rosa Santos, é de escolher uma das seis provas vínicas disponíveis na propriedade, a complementar com as seis novas experiências implementadas no âmbito do enoturismo.

+ Ravasqueira

Fundada em 1968, a Sovibor muda de gestão em 2015, para Fernando Tavares. Um ano depois, são produzidos os primeiros vinhos de talha – o Talha branco 2016 (preço sob consulta), feito a partir das castas Rabo de Ovelha, Antão Vaz e Trincadeira das Pratas, o qual se revela seco e com uma sensação de mineralidade interessante; e Talha tinto 2016, elaborado com uvas vindimadas em vinhas com mais de 70 anos.
Hoje, esta empresa familiar, conta igualmente com Ana Rita Tavares, filha do actual proprietário, na partilha desta aventura séria no contexto vitivinícola, que tem António Ventura como responsável pela enologia e reúne mais de oito dezenas de talhas. Todas são impermeabilizadas como manda a tradição, isto é, com pez louro (resina de pinheiro), cera e abelha e azeite. Entre os vinhos de talha feitos nesta casa – todos são feitos a partir de castas tradicionais do Alentejo, provenientes de vinhas velhas de sequeiro, localizadas, sobretudo, em Orada, Borba  –, o destaque vai para o Talha Moreto 2018 (€30), com notável elegância na boca e uma acidez equilibrada, atributos a enaltecer, para comprovar de que, afinal, o vinho de talha tinto precisa de tempo, para ser convenientemente apreciado.
Talha da Rita 2018, feito a partir de Antão Vaz e Arinto (preço sob consulta), entra neste alinhamento, denotando um perfil seco, acidez e aromas complexos, a exigir comida alentejana, de preferência, a provar nas caves da Sovibor, numa das cinco experiências à escolha, no âmbito dos programas de enoturismo desta empresa familiar.

+ Sovibor

Para terminar este roteiro por adegas do país, nada melhor que degustar a Aguardente de Medronho da Herdade Aldeia de Cima (€65). A boa nova da Herdade Aldeia de Cima, propriedade localizada no concelho da Vidigueira, em plena Serra do Mendro, reflecte a constante vontade e determinação de Luisa Amorim e Francisco Rêgo em recuperarem as tradições seculares alentejanas, ou não fosse o sul do país detentor das condições edafoclimáticas favoráveis ao crescimento e proliferação sãos do medronheiro. Eis o motivo pelo qual os enólogos Jorge Alves e António Cavalheiro fizeram, em 2021, a primeira colheita manual de medronhos selvagens na Herdade Aldeia de Cima e pela vizinhança, para produzir este destilado tão apreciado por várias gerações.
A garrafa, com uma rolha em cortiça criada especificamente para esta aguardente, está dentro de uma caixa cujo formado é alusivo ao monte alentejano. Agora sim, é chegada a hora de beber um digestivo em estado puro em pequenos copos ou seguir a recomendação da dupla de enólogos, traduzida na combinação de uma dose de aguardente, com duas doses de sumo de ananás concentrado, gelo e hortelã. Há bebida mais refrescante para este Verão?

+ Herdade Aldeia de Cima

© Fotografia: João Pedro Rato

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