Fizemos o cabrito num Oitto

O chef Carlos Afonso traz para a mesa do Oitto novidades quentes e boas para acalentar este inverno


Domingo com cabrito: almoço de família? Se considerarmos uma refeição apenas de pai e filho, sim!, é família, no entanto, não é conotado como um almoço desta ordem, diria eu. De qualquer forma, a viagem de bicicleta até ao restaurante Oitto, no Largo do Picadeiro, Chiado, mesmo tendo sido um pouco longa, foi tranquila. 

Chegados, fomos convidados a sentar-nos. O espaço do restaurante teve um belo cuidado na decoração, notável desde a entrada, assim como a comida. Para além da beleza, os pratos eram deliciosos, mas já lá chegamos. Portanto, sentámo-nos e lemos, como não podia deixar de ser, a ementa. 

Escolhemos e, em pouco tempo, chegou a entrada, uns croquetes de alheira, muito bem recheados, encimados por uma maionese de alho e pipocas, o que providenciou uma ótima experiência para quem adora alheira. Por cortesia da casa, trouxeram também dois crocantes frescos, recheados com carne.

Pedimos que os pratos principais viessem em momentos diferentes, para podermos partilhar. Em primeiro lugar, o bife de espadarte, que estava um pouco seco, acamado num puré de batata, húmido, como não podia deixar de ser, fazendo uma combinação perfeita, entre os dois extremos. Por cima, fios de cebola caramelizada davam-lhe um toque adocicado.

Em seguida, o prato sazonal, servido exclusivamente aos domingos, foi trazido para a mesa. A dose do cabrito desfiado – assado no forno de lenha do Oitto – era tipicamente farta, como no Alentejo, de onde é proveniente o chef Carlos Afonso. Já a quantidade de arroz era mais equilibrada, no entanto, chegou bem, ninguém ficou com fome. Este era caldoso, tal como o meu pai gosta, mas também o apreciei bastante, pois a camada superior estava estaladiça e por baixo era mais húmido. Demorámo-nos um pouco com este prato em dose dupla, pois fazíamos tenção de o aproveitar ao máximo, antes da sobremesa.

Entretanto, lá veio o momento doce da refeição. Para mim, uma interpretação do doce da casa, com bolacha Maria molhada em café, por baixo, uma espuma doce, bola de gelado e doce de ovos moles. Misturando tudo, ficava uma combinação agridoce, pois o amargo do café anulava bem o lado bastante doce da espuma. O meu pai contentou-se com uma “mousse” de chocolate pouco espumosa, cuja substância era muito densa, com um ligeiro toque de caramelo salgado, pois o chocolate e o sal combinam muito bem. Bocados de avelã e uma bola de gelado ornamentavam o prato.


Findo o almoço, regressámos de bicicleta, pelas avenidas da cidade de Lisboa, o que foi perfeito para digerir a comida e pôr as ideias para a escrita no seu devido sítio.

O restaurante Oitto funciona de segunda a sexta-feira aos jantares, sábado e domingo durante todo o dia, das 12h00 às 24h00. É recomendado que se realize reserva através do site oitto.pt ou por telefone +351 210 403 199.

+ Fotografia de entrada: Cabrito assado no forno de lenha do Oitto, acompanhado com arroz de forno e enchidos
Restaurante Oitto
© Fotografia: João Pedro Rato

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