12 badaladas, 12 rosés

Estes vinhos feitos a partir de castas tintas têm a particularidade de serem degustados a solo ou acompanharem uma longa conversa. De um modo geral, vale a cozinha asiática, as mariscadas ou as patuscadas com pratos de peixe, em contraponto com a mesa farta da consoada. Brindemos a 2024!
Vinhos Verdes

Iniciemos esta viagem vínica à boleia da frescura, da sensação de mineralidade e da salinidade do Solheiro rosé 2022 (€13). É um vinho seco feito a partir de duas castas tintas. Uma é a Alvarinho, colhida em vinhas de altitude localizadas em Monção e Melgaço, onde a influência atlântica é menor, quando comparada com as vinhas de onde foram vindimados os cachos de Pinot Noir. Face aos atributos, que, a par com a persistência na boca, o tornam apetecível, graças ao trabalho executado na vinha, mas também na adega, aqui com destaque para Luís Cerdeira, produtor e enólogo deste projecto vitivinícola de família iniciado pelo pai, João António Cerdeira, em 1974, ano em que plantou a primeira parcela de vinha soalheira da casta Alvarinho, em Melgaço, facto que deu origem ao nome Soalheiro.

+ Soalheiro

Touriga Nacional e Vinhão, castas vindimadas nas cotas superiores da Quinta de Santa Teresa, propriedade vitivinícola da A&D Wines localizada em Baião, dão corpo ao Quinta de Santa Teresa rosé 2021 (€12). Com um perfil fresco e seco, revela sensação de mineralidade e um final de boca elegante, atributos que incitam a repetir a dose. De preferência à mesa, na companhia de peixes gordos e pratos de aves. Apesar de ser a parte da região dos Vinhos Verdes associada à casta branca Avesso, as duas variedades de uva com que é elaborado este rosé prometem nesta quinta comprada, em 2015, por Alexandre Gomes e Dialina Azevedo, os detentores da A&D Wines.

+ A&D Wines


Douro

Os Pét-Nat são a boa nova da Adega de Favaios, situada na aldeia vinhateira duriense de Favaios, concelho de Alijó. Resultam dos ensaios constantes que os enólogos Celso Pereira, Miguel Ferreira e Filipe Carvalho fazem na adega. Além do Adega de Favaios Nat Ensaio G Branco Gouveio, há este Adega de Favaios Nat Ensaio R rosé (€8). É feito partir das castas Touriga Franca e Moscatel Galego Roxo vindimadas em vinhas localizadas acima dos 600 metros de altitude. De acordo com o método de produto dos Pét-Nat, diminuitivo de Pétillant Naturel, o vinho é engarrafado antes que os açúcares se esgotem, para que o término da fermentação alcoólica ocorra dentro da garrafa. A componente floral e as notas de frutos vermelhos destacam-se no nariz. Na boca é guloso, para quem aprecia a intensidade dos frutos vermelhos. É de experimentar com queijos e peixes gordos.

+ Adega de Favaios

Da casta tinta Tinto Cão, vindimada na Quinta de S. Luiz, propriedade vinhateira duriense pertencente ao grupo Sogevinus, o enólogo Ricardo Macedo tem, agora, uma nova edição do São Luiz Winemaker’s Collection. Trata-se do São Luíz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva rosé 2022 (€22). Como é sabido, esta variedade de uva – com grande capacidade de envelhecimento – foi submetida ao mesmo processo de vinificação de um branco, mas com um pouco de extração pelicular, de onde se extraiu a cor salmão pálida. A elegância e complexidade deste vinho, com um final longo e fresco, são pretexto para harmonizar com peixes gordos e queijos de média densidade.

+ Sogevinus

A leveza do H.O Matrona rosé 2022 (€45) complementa-se com a intensidade, a complexidade, a acidez equilibrada e a elegância das castas vindimadas nos 10 hectares de vinhas velhas de parcelas de vinhas localizadas em Santa Marta de Penaguião, na sub-região duriense do Baixo Corgo. Em destaque estão as castas Malvasia Preta, Baga, Touriga Franca, Tinta Amarela e Mourisco, que, juntas, conferem longevidade em garrafa a este vinho. É de recordar a aquisição da Casa Agrícola Horta Osório em 2021, por parte da Menin Wine Company, que conta com os enólogos Manuel Saldanha, João Rosa Alves, também com a função de Director de Produção da empresa, e Tiago Alves de Sousa, na categoria de enólogo consultor. O porquê do nome Matrona remete para as mulheres livres e independentes da Roma antiga.

+ Menin Douro Estates

Dão

Tirar partido do cimento é acção que está de volta e este Taboadella Caementa rosé 2022 (€15) é prova disso mesmo. Agora, claro, numa versão contemporânea. Tudo vale pela vinificação menos intrusiva, que conferiu intensidade aromática q.b. da casta Tinta Roriz ao vinho e contribuiu para a acidez equilibrada, à qual se seguiu o estágio em barricas, para dar uma maior complexidade a este rosé. A referida variedade de uva foi colhida dos 42 hectares de vinha da Taboadella, propriedade vitivinícola da família Amorim localizada em Silvã de Cima, Castendo, na Região Demarcada do Dão, onde Luís Amorim é igualmente responsável à semelhança da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro. Para este vinho contribuíram Ana Mota, na viticultura, e os enólogos Jorge Alves e Rodrigo Costa.

+ Taboadella

Tejo

Lagoalva rosé 2022 (preço sob consulta), da Quinta da Lagoalva de Cima, propriedade localizada na margem sul do Rio Tejo, resulta do lote feito a partir de Touriga Nacional e Syrah, de acordo com a equipa de enologia formada por Pedro Pinhão, administrador e director de enologia, e Luís Paulino. Ambas as castas proporcionam um perfil aromático interessante, a par com a frescura e a acidez equilibrada, na boca. Ideal para degustar a solo, mas também para acompanhar massas, peixes e uma boa mariscada, mais segura nos dias de inverno. A história desta propriedade – actualmente com 660 hectares e dotada de uma exploração agrícola, que vai da vinha ao olival, passando pela produção de vinho, extracção de cortiça e criação de gado e de cavalo Puro Sangue Lusitano – remonta ao século XII. Pertenceu à Ordem de Santiago de Espada e foi comprada em 1834, por Henrique Teixeira de Sampayo, 1.º Conde da Póvoa. Com o casamento, em 1846, de D. Maria Luísa Noronha de Sampayo com D. Domingos António Maria Pedro de Sousa e Holstein, 2.º Duque de Palmela, todos os bens passaram para a Casa Palmela e, posteriormente, por sucessão, para os seus descendentes até hoje.

+ Lagoalva

Alentejo

O nome Vinha da Rosa está associado à vontade de João Portugal Ramos produzir um vinho feito a partir de variedades de uva colhidas na vinha em produção biológica. Eis o Vinha da Rosa rosé 2022 (€15,90), elaborado com as castas Touriga Nacional e Syrah, submetidas a uma vindima antecipada, por forma a garantir a acidez e frescura naturais das mesmas. Ambas as características estão presentes neste rosé delicado e com estrutura, graças ao estágio em barrica. Quanto à área de vinha, esta fica em Estremoz, onde está a Adega Vila Santa, sede do produtor, que conta com o contributo dos filhos João Maria Portugal Ramos, na enologia da empresa, e da filha Filipa Portugal Ramos no departamento de marketing.

+ João Portugal Ramos

Malhadinha rosé 2021 (€25,50), da Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa, concelho de Beja, representa a quarta colheita deste tipo de vinho. É feito a partir das castas Touriga Nacional, Baga, Tinta Miúda e Touriga Franca, que fermentaram a estagiaram em barricas de carvalho francês. Tudo foi feito sob a batuta do enólogo Nuno Ginzalez. O resultado? Um vinho com acidez equilibrada, estrutura, elegância e frescura, características que se traduzem na companhia perfeita à mesa, com marisco e peixes gordos. Experimente-se ainda queijos curados com este rosé da família Soares, premiado na categoria de “rosados”, da 1.ª edição dos mutante awards design at wine, organizados pela revista Mutante e pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

+ Herdade da Malhadinha Nova

A casta Syrah é a única casta com que foi produzido o Coelheiros rosé 2022 (preço sob consulta). Leve e fresco, este vinho é ótimo para acompanhar uma boa conversa e petiscos alentejanos, graças à acidez reveladora na boca. A produção deste rosé cabe à Tapada de Coelheiros, propriedade localizada na Igrejinha, no concelho de Arraiolos. Aqui, a aposta na agricultura biológica e regenerativa é extensível às vinhas, cuja responsabilidade está nas mãos de João Raposeira, das quais o enólogo Luís Patrão tira partido na adega. A supervisão de todo o trabalho realizado na propriedade de 800 hectares, que beneficia de uma enorme biodiversidade, é feita por Alberto Weisser.

+ Tapada de Coelheiros

Açores

Jorge Alves e Pedro Alves, pai e filho, estão encarregues da enologia dos vinhos de Sandro Rocha Mendonça, que detém a Adega dos Sentidos e a vinha em Biscoitos, na ilha Terceira, do arquipélago dos Açores. Da casta Grenache decidiram fazer este Incerteza rosé 2022 (preço sob consulta), com salinidade e frescura vincadas, devido à enorme influência do Atlântico, seco e com estrutura. Ótimo para acompanhar moluscos, que rimam com o verão, é certo, mas nesta época do ano sabem tão bem!

+ Incerteza

Provença > França

Façamos, agora, um desvio até à Provença, no sul de França, de onde vem este Miraval rosé 2022 (preço sob consulta). Fruta fresca e frescura são os atributos reunidos na garrafa deste vinho, cujas uvas de Cinsault, Grenache, Rolle e Syrah são provenientes da aldeia de Correns, localizada a Norte de Brignoles, na Provença. Sensação de mineralidade e acidez equilibradas juntam-se às características atrás mencionadas acerca deste rosé produzido na região-berço deste tipo de vinho que resulta da parceria entre a família Perrin, detentora do Château de Beaucastel, no Vallée du Rhône, e os actores Brad Pitt e Angelina Jolie, proprietários do Château Miraval, do século XVII.

+ Miraval


© Fotografia João Pedro Rato

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