White Sharks Don’t Eat Flowers/ Tricycles

Da Lux Records chegam-nos novos sons dos Tricycles. Um novo álbum – White Sharks Don’t Eat Flowers – nesta recta final de 2023 para agitar a música feita por cá.

Imaginem uma viagem por um campo verdejante com uma luz que varia entre o amarelo quente de um sol de verão e um toque alaranjado de um sol de outono, passando sempre por um breu abrilhantado por estrelas, para terminar, confortavelmente, deitados num sofá, de olhos voltados para uma grande janela, com a cabeça do nosso cão apoiada na nossa barriga e uma lareira a crepitar lentamente ao fundo. 

White Sharks Don’t Eat Flowers pode ser esta viagem, acima apresentada pelos Tricycles, feita com um belo e intemporal triciclo ou a pé, acompanhada de canções cheias e corpulentas, embrulhadas numa harmonia que se funde com uma melancolia alegremente aveludada pelo toque suave da melodia

Com um intervalo de um pouco mais de quatro anos. do primeiro álbum, os Tricycles, continuaram a busca inquieta do ponto de equilíbrio melódico e lírico entre a raiva e a contemplação, e, no percurso, encontraram novas personagens, situações, momentos, traduzidos em canções que refletem a nossa humanidade, a nossa desumanidade, as pequenas glórias e discretas misérias do quotidiano, os desencontros e esperanças e infelicidades a que talvez os tubarões sejam invulneráveis. O resultado, editado no passado mês de novembro, é um álbum com maior maturidade, oferecendo um som mais cru e expansivo e, simultaneamente, mais homogéneo.

Imaginem um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, e a pensar: “Apetece-me apanhar o próximo barco para Marte e desviá-lo até ao centro do Sol”. É mais ou menos isto que os Tricycles são: uma coisa vagamente improvável, um conjunto de kidadults de rumo duvidoso mas com histórias para contar, cheias de pessoas que poderiam existir. E de facto existem, em calmas músicas prontas a explodir, lentamente, a mil à hora, com suavidade, ou em rugidos de guitarras zangadas e pianos falsamente corteses, de rudes baixos a conversar com educadas baterias. Os Tricycles são tudo isto e, claro, não são absolutamente nada disto, porque “isto” não passa de palavras que tentam descrever música – algo que, sabemos todos, é impossível de se fazer apropriadamente.

Os Tricycles são uma banda de Lisboa com ligações a Coimbra formada por Sérgio Dias (bateria), Rui Tiago Narciso (baixo), Afonso Almeida (guitarra eléctrica, voz) e João Taborda (voz, guitarra acústica, teclas).

O primeiro álbum, Tricycles, saiu em 2019 com o selo da Lux Records. Lançam agora o segundo trabalho, White sharks don’t eat flowers, gravado nos estúdios da Blue House, por Henrique Toscano (Birds Are Indie), misturado e masterizado por João Rui (a Jigsaw / John Mercy) e produzido por João Taborda e Afonso Almeida. O álbum hoje com o selo da Lux Records. •

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© Fotografia: Luís Sousa.

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