Longa vida às vinhas velhas da Quinta das Carvalhas

A Real Companhia Velha apresenta novas colheitas de três clássicos, duas estreias e reformula identidade visual da Quinta das Carvalhas.

Inicialmente vocacionada para a produção de uvas para o Vinho do Porto, a Quinta das Carvalhas  tem, hoje, também os vinhos DOC Douro como grandes embaixadores. Para  comprovar esta realidade atual, fomos conhecer as novas colheitas de três clássicos: Quinta das Carvalhas branco 2022, Quinta das Carvalhas Tinta Francisca tinto 2020 e Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas tinto 2020. A este trio juntaram-se duas estreias: Quinta das Carvalhas Vinha do Eirol tinto 2021 e Quinta das Carvalhas Reserva tinto 2021.

As novidades ostentam novos rótulos baseados na reformulação da identidade visual da Quinta das Carvalhas, um processo que ainda está a decorrer. Os rótulos passaram a assumir, em destaque, o nome Quinta das Carvalhas, na tipografia Trajan, logo abaixo do brasão. O estilo é, agora, mais clássico, a preto e branco, apenas pontilhado com uma cor diferente em função do nome da referência escrito na tipografia Futura. Esse apontamento de cor também surge na cruz do brasão.

Com a sua localização num monte em forma de cone, com altitudes que variam entre os 80, ao nível do rio, e os 450 metros no topo com vista de 360º, a Quinta das Carvalhas é uma das mais emblemáticas do Douro vinhateiro. As primeiras vinhas estão plantadas aos 120 metros e as mais altas chegam ao topo, a cerca de 450 metros de altitude, o que significa mais de 3 ºC de diferença. Junte-se uma exposição a todos os pontos cardeais, que, no verão, resulta na diferença de cerca de uma hora e 20 minutos de exposição solar. Acresce a isto que grande parte das vinhas são velhas. Algumas contam já cerca de 100 anos e o encepamento representa uma das mais ricas e variadas coleções ampelográficas de castas durienses.

“A Quinta das Carvalhas é uma quinta a três dimensões. As Carvalhas são uma sinfonia de diversidade, altitude e orientação”, afirma Álvaro Martinho Lopes, agrónomo responsável pelas vinhas desta propriedade duriense. Por ali deambulam mais de 100 espécies de aves e muitos liquens, sinónimo da qualidade do ar.

Novas colheitas de três clássicos
Prova conduzida por Pedro O. Silva Reis e Jorge Moreira, da enologia, e pelo Álvaro Martinho Lopes, da viticultura

Quinta das Carvalhas branco 2022: €30

Este vinho foi elaborado a partir de 60% de Viosinho e 40% de Gouveio, castas vindimadas em duas pequenas parcelas localizadas a 480 e 470 metros, respetivamente. Estas variedades de uva beneficiam da altitude, de brisas frescas e da exposição nascente, fatores  que conferem ao vinho muita frescura sem perder a complexidade duriense e a untuosidade.

Quinta das Carvalhas Tinta Francisca tinto 2020: €50

Antes de apresentar este vinho, Álvaro Martinho Lopes relembra que “o Vinho do Porto é um vinho de excessos: açúcar, extração e concentração. É um vinho feito para durar 100 anos”. Com a aceleração das transformações nos padrões da temperatura e do clima, “a receita é usar o que se tem, ou seja, usar castas nativas”, reforça. O vinho que resulta da casta nativa Tinta Francisca, personifica um Douro mais jovem. Feito com uvas provenientes de duas parcelas plantadas no início do século XXI, entre os 220 e os 300 metros de altitude, com exposições para norte e poente, este vinho revela um estilo diferente do habitual – tem apenas 13% de álcool, aromaticamente atraente, de estrutura média e perfil elegante. Este é um vinho para abrir mentes.

Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas tinto 2020: €65

Feito com uvas de três parcelas viradas a norte, plantadas em 1932, este vinho é o resultado do melhor das Carvalhas. São mais de 20 variedades de castas autóctones, plantadas em pequenas parcelas que se situam entre entre os 200 e os 300 metros de altitude. Dali resulta um vinho ao estilo duriense clássico e poderoso, o reflexo autêntico do que é a Quinta das Carvalhas no seu todo. Um puro Quinta das Carvalhas.

As estreias

Quinta das Carvalhas Vinha do Eirol tinto 2021: €50

Na linha do vinho Quinta das Carvalhas Tinta Francisca, a Real Companhia Velha produz este vinho, mais fresco e mais leve, com apenas 12,5% de álcool. É uma pipa de vinho feita com uvas da vinha do Eirol, com exposição poente, plantada em 1920, a 380 metros de altitude. Naturalmente, é uma parcela com castas autóctones, que conferem a este vinho uma enorme complexidade e singularidade. A pouca extração confere uma leveza delicada a este vinho, à qual acrescem  frescura. É uma grande mudança de paradigma.

Quinta das Carvalhas Reserva tinto 2021: €30

Aqui o objetivo é fazer um vinho representativo do monte da Quinta das Carvalhas, reunindo a diversidade e as diferentes vertentes de parcelas, exposições e altitude. Metade das uvas que o compõem são de vinhas velhas, sendo o restante repartido entre 25% de Touriga Nacional, 20% de Touriga Franca e 5% de Sousão. O resultado é um típico duriense com fruta madura, encorpado e vibrante, que deixa a boca a salivar, ou seja, a pedir comida de conforto de Trás-os-Montes.

Real Companhia Velha

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