O regresso do TAINA FEST / Lisboa

A segunda edição lisboeta do Taina Fest está à porta e à sua espera.

Lisboa prepara-se, a preceito, para dar a segunda lição de como preparar uma boa taina. Em março, quando a primavera ainda tinha ares de outono, a organização do evento pegou no dicionário e antes de mais nada explicou a origem da palavra: festa animada que envolve comida e bebida, geralmente com bebidas alcoólicas = borga, bródio, pândega… Relembrando ainda o sumário da lição, do ano anterior: o Taina Fest tem como objectivo juntar boa comida e boa música. Tudo bem explicado e já se adivinha: uma boa festa. Assim, a 17 de maio, n’Os Amigos do Minho, Intendente, comensais e melómanos reúnem-se de novo, este ano. Mas para que a segunda edição lisboeta do Taina Fest cumpra todos os requisitos é preciso estabelecer algumas regras, para que não haja mal entendidos!

Comecemos a dar-vos as regras e notas:
Primeiro não há melhor comida do que a da mãe, mesmo que sejas filho de jibóia. Jibóia da Mãe é fusão dos projetos de Filho da Mãe e Jibóia. Guitarra acústica de um lado (Rui Carvalho da Mãe), guitarra elétrica do outro (Óscar Jibóia da Silva). A portugalidade hardcore e o oriente psicadélico servidos no mesmo prato. Jibóia da Mãe é a prova que, ao contrário de tremoços com molho de bifana, duas coisas boas juntas podem dar bom resultado. Nota do Taina: é importante também lembrar que deve fechar a boca enquanto mastiga.
Mas não há como resistir ao universo encantatório de Alek Rein, heterónimo criado por Alexandre Rendeiro. Em 2011, lançou Gemini, EP de estreia carregado de psicadelismo bucólico e histórias épicas. Há coisas novas para ouvir que se esperam tão inspiradas como estes cinco temas.
Outra nota: é permitido fumar. Entrelacem o fumo de modo a imitar os desenhos que a Nicotine’s Orchestra ensaia no disco “Gypsicalia” (2012). A casa é o rock n’roll, mas há caminhos soul, relva em forma de blues, o sol da tropicália. Tudo responsabilidade de Nick Nicotine (Carlos Ramos), homem do Barreiro que gere um estúdio (King), um festival (Barreiro Rocks), uma editora (Hey! Pachuco), já lançou um best of (77☽13) e dá o corpo às balas numa série de bandas; rapaz multi-funções!
Por último, é essencial esquecer conceitos importados de culinária com pretensões cosmopolitas e sabor duvidoso. Reinventem-se outras coisas, como Pedro Lucas faz, desde 2010, com O Experimentar Na M’Incomoda. No Taina Fest, vai apresentar o seu novo projecto Medeiros/Lucas. Carlos Medeiros, figura de culto no circuito da música tradicional portuguesa, foi inspiração para O Experimentar graças ao seu trabalho “O Cantar Na M’Incomoda” (1998) e agora é corpo presente. Há acordes que ligam os Açores à ibéria, ao norte de África. Há textos de Miguel Cervantes, de Armando Côrtes-Rodrigues.

E como em receita que funciona não se mexe, a segunda edição do Taina Fest em Lisboa será novamente um trabalho conjunto entre a Lovers & Lollypops e a Associação Terapêutica do Ruído. Os cartazes concebidos e impressos na Oficina Arara – Porto. No final, haverá de novo Dedos Biónicos SoundSystem, sons trazidos de Bragança pelo rei do Palco Taina do Milhões de Festa e embaixador honorário da taina, Nuno Biónico.

Música e comida e boa companhia: 17 de maio, em Lisboa no Grupo Excursionista e Recreativo Os Amigos Do Minho, Rua do Benformoso 244, Intendente. É o Taina Fest! A ir. •

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