“O Alvazil de Coimbra” / O Teatrão

Era uma vez um governador que uniu uma região e juntou todos os credos. Era uma vez uma família a sobreviver na guerra por entre presságios de amor e de morte. Era uma vez um país que era “uma choldra”, um país deprimido, humilhado, sem esperança e sem finança, mas cheio de viajantes sonhadores e apaixonados. Era uma vez uns faunos que eram atores. Era uma vez…

É assim que se apresenta a nova peça d’O Teatrão, “O Alvazil de Coimbra”. E quantas estórias caberão numa História com 950 anos? Pergunta pertinente. O desfio foi lançado da Rede de Castelos e Muralhas do Mondego para celebrar D. Sesnando Davides, figura marcante da nossa pré-nacionalidade, que levou e leva a companhia de teatro, residente em Coimbra, a mergulhar em vários séculos de estórias reais e imaginárias. Para garantir que a realidade e a imaginação se unem na perfeição, nada melhor que chamar os seres misteriosos que viajam pelo tempo e pelo espaço e que constituem a Companhia dos Faunos do Rio, companhia alter-ego que O Teatrão criou há quatro anos e que desde então aparece sempre por alturas do verão.

Neste verão que já se despede de nós, os Faunos vão até aos finais do séc. XIX, a um Portugal dominado pelos interesses europeus e a debater-se com problemas de tesouraria, pobreza, emigração, descrença nas instituições e na capacidade de se modernizar e desenvolver. Para melhor se embrenharem na época, a companhia agarrou textos então escritos, desde as “Farpas” queirosianas até textos dramáticos, almanaques e revistas que descobriram no espólio da Sala “Jorge de Faria”, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Caminharam pelos compêndios de História de Portugal, mas também por autores contemporâneos, fazendo com que compreendessem “como a História se repete e como o presente é uma marca que o futuro não consegue apagar“.

Os Faunos andam pela província, de um ido séc. XIX, a apresentar um espetáculo que comemora a memória de D. Sesnando. A peça apresenta “a família de uma Mãe, sua irmã e seus dois filhos que sobrevive no séc. XI com despojos da guerra que mouros e cristãos então travavam. A Mãe tem visões que lhe relatam o futuro, incluindo a morte do filho, acontecimento que tenta a todo o custo evitar. Durante a peça, porém, os próprios Faunos são surpreendidos por visões que os desviam da representação. O final da história contada em “O Alvazil de Coimbra” cruza-se com o fim da história dos Faunos do Rio, que acabam por enfrentar, corajosos, o seu destino. É hora de abandonar o convívio com os comuns mortais e embarcar numa derradeira aventura… Ou não!” Esta produção tem ainda uma particularidade que é o estar dividida em dois episódios. Assim, quem quiser ter toda a história terá de escolher dois locais diferentes para assistir e, simultaneamente, conhecer alguns dos castelos e muralhas que D. Sesnando mandou erguer há 950 anos. Uma produção, de teatro de rua, que envolve músicos, atores amadores, coros, filarmónicas e curiosos que se quiseram juntar.

E quantas estórias cabem numa História com 950 anos, afinal? Muitas. Todas as que estão nos livros, na memória… E ainda aquelas que a sua imaginação conseguir escrever. Para as encontrar, basta querer procurar e ler nas entrelinhas. Por fim, eis as datas em que pode viajar a universos de D. Sesnando, com um teatro de rua que, por causa do mau tempo, já tem alternativas em espaços cobertos, caso necessário:
Episódio 1:
19/09, 21h00/ Centro Cultural de Verride (deixou de ser no Castelo de Montemor-o-Velho devido ao mau tempo);
20/09, 17h30/ Parque dos Bacelos (Soure) – (em caso de mau tempo será reagendada);
21/09, 17h30/ Castelo de Pombal (em caso de mau tempo será no Teatro Cine);
03/10, 21h00/ Castelo de Penela.
Episódio 2:
26/09, 21h00/ Castelo da Lousã;
27/09, 15h30/ Praça 8 de Maio (Coimbra);
28/09, 15h30/ Forte Buarcos (Fig. da Foz);
04/10, 17h30/ Alto do Calvário (Miranda do Corvo).

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© Fotografia: Carlos Gomes.