Novo álbum: João Hasselberg

Nome afirmado da cena musical portuguesa, João Hasselberg edita segundo álbum sob o título de “Truth Has To Be Given In Riddles”.

Este novo trabalho chega até nós composto, exclusivamente, por originais de Hasselberg e com a participação de vários músicos convidados a dar, ainda mais corpo, ao trabalho deste já incontornável no Jazz nacional, que é muito mais que apenas jazz, é um músico com uma musicalidade completa, complexa e rica. É nome a que não podemos ficar indiferentes e que tem, obrigatoriamente, de estar na sua lista de músicos criativos portugueses a conhecer.

Em “Truth Has To Be Given In Riddles”, João Hasselberg – que já colaborou com nomes como Luísa Sobral, Gianni Gagliardi, Júlio Resende, Gilles Estoppey, Spyros Manesis, João Firmino entre tantos outros -, começa e conquista logo no seu “Openning” com a voz de doce e envolvente de Joana Espadinha, voz que tem a textura mais que perfeita para a composição criada, que confirmamos na terceira música do alinhamento “Two Brothers in a Treasure Hunt” e aqui é, também, quando percebemos que não podemos dizer que Hasselberg é só um músico jazz. É mais do que jazz que este contrabaixista nos dá, não o podendo cerrar neste estilo apenas, ou não houvesse um banjo tão bem colocado, uma sonoridade impossível de passar desapercebida, nesta caça ao tesouro. Neste trabalho há um travo folk que, inevitavelmente, ouvimos e sentimos, numa agradável surpresa, talvez também ajudado por um instrumento que se destaca, aqui e ali, que é a voz – (quase diáfana, em certos momentos, em certas canções, mas principalmente nas atrás referidas). Todavia há, claro, o puro e distinto jazz que surge tão forte e tão bom em “En Madrid” ou “Abraham’s Doubt“, e um jazz ligeiramente mais diluído (no entanto, inconfundível) como em “For Charlie“, todas (re)confirmando a viagem heterogénea e enigmática que este álbum nos proporciona.

Mais do que um álbum para ser esmiuçado e analisado peça a peça, decifrando todos os enigmas da verdade que Hasselberg nos construiu através de oito novas composições, é um álbum que se resume no título da última música “The Return Of The Prodigal Son“. É o regresso de um jovem músico pródigo que já nos havia conquistado com o seu primeiro trabalho – “What­ever It Is You’re Seek­ing, Won’t Come In The Form You’re Expect­ing ” – que ao segundo álbum deixa a certeza que não o podemos perder da mira auditiva, da música que se sente à flor da pele e nos faz criar estórias na nossa imaginação, a cada nota tocada, a cada instrumento escolhido, a cada elemento que nos faz decifrar, ao nosso modo, oito estórias ímpares na música portuguesa. Para ouvir do início ao fim, sem pausas ou interrupções, porque aqui, as músicas, ou riddles, escrevem uma estória que vamos voltar a ouvir na esperança, quase certa, de novas estórias criar. É isto que nos dá este álbum, estórias belissimamente tocadas, nascidas de uma composição segura.

Para este trabalho, João Hasselberg (compositor, contrabaixo, harmónio, banjo, voz) tem consigo Joana Espadinha (voz), Diogo Duque (trompete e voz), Ricardo Toscano (saxofone), Luis Figueiredo, (piano, harmónio, voz), João Firmino (guitarra, voz), Bruno Pedroso (bateria, voz). E se ainda não tiver programa para hoje à noite, dia 11 de dezembro, vá até ao Hot Clube Portugal (Praça da Alegria 48, Lisboa), pois às 22h00 há concerto de lançamento deste álbum.

Um concerto a ir, mais logo, sons a ter de ouvir. •

+ João Hasselberg
© Fotografia: Sara Quaresma Capitão.

 

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