A Clean Feed lança dez novos álbuns jazz para delícia dos seguidores da editora e do estilo. Hoje, apresentamos cinco e amanhã outros cinco. São novas sonoridades para descobrir.
Kris Davis Infrasound “Save Your Breath” / Com Ben Goldberg (clarinete baixo, clarinete contra alto, clarinete); Oscar Noriega (clarinete baixo, clarinete); Joachim Badenhorst (clarinete baixo, clarinete); Andrew Bishop (clarinete contrabaixo, clarinete); Nate Radley (guitarra); Gary Versace (órgão); Jim Black (bateria); Kris Davis (piano, composições). O mais recente álbum da pianista-compositora Kris Davis é uma janela para seu novo octeto numa mistura de complexidade jazz e impacto rock. Sobre Infrasound e a música deste álbum, Davis diz: “In writing these pieces, I was inspired by the individual musicians I chose for this group and the sound of the bands they play in – for instance, the earthy, energized Endangered Blood with Oscar and Jim and the snaky improvisation of Bad Touch with Nate and Gary. And by using the four bass clarinets and organ, I aimed for Infrasound to explore the low end of the spectrum, creating a living, breathing wild animal.” Quanto à força sonora: “I’m thrilled with the sound of this record. The band had two days in the studio with engineering icon Ron Saint Germain, and he spent a full week mixing it with our producer, David Breskin. You can hear the love and attention to detail that went into the production: The warmth of sound, the low-frequency boost, the unique imaging. Ron approached the recording from a rock angle, which helped lend it a hard-hitting energy very different from my other albums.” Sobre a mistura na composição e improvisação, Davis acrescenta: “I like to leave space for players to put their own personalities into the music. Where the guys in Infrasound took this music, the virtuosity and energy they brought to it – it was really exciting to hear and feel.” Esta obra-prima é um trabalho de referência para Kris Davis e um avanço como grande compositora na música americana do século XXI. Se segue o trabalho de Davis sabe que nunca se repete e sim, está sempre à procura de novas formas de expressão.
Dre Hocevar Trio “Coding of Evidentiality” / Com Bram De Looze (piano); Lester St.louis (violoncelo); Dre Hocevar (bateria); Sam Pluta (electrónica, signal processing em “Critical Discourse Analysis (CDA)”). É-nos apresentado como música que aponta para o futuro. Não só por causa da jovem idade destes músicos residentes em Nova Iorque, mas principalmente pela atitude curiosa, dos três. A música reflete ambas as condições: retrata uma ampla perspectiva do jazz, combinando uma matriz de composição progressiva com improvisação, e alia a ingenuidade (no bom sentido) só possível quando estamos no início de um caminho. Ao mesmo tempo, é um projecto sólido, maduro, resultado de um tocar cuidado, com consciência histórica e imaginação audaciosa. Ritmo e metodologias de interação são sempre a matriz, toda a improvisação tem um foco na composição e a ênfase está no timbre. Uma das peças incluídas é chamado de “Post Resonance 1J7-36“, um fator-chave neste trabalho jazz. É de esperar o inesperado…
All Included “Satan in Plain Clothes” / Com Martin Küchen (saxofones); Thomas Johansson (trompete); Mats Äleklint (trombone); Jon Rune Strøm (contrabaixo); Tollef Østvang (bateria). As contribuições escandinavas para o status atual do jazz já não são passíveis de omitir. O quinteto All Included tem na base a solidez de um dueto formado pelo contrabaixista Jon Rune Strøm e pelo baterista Tollef Østvang. O primeiro, é um construtor de tensões, capaz de manter um groove obsessivo ou explorar limites de sons mais baixos; o outro, mantém tudo perto das raízes, mas com um raro sentido de surpresa – o tocar pode ser convencional, mas quando menos esperar… uma mudança acontece. No topo, Martin Küchen, Thomas Johansson e Mats Aleklint – three of a kind, três de sopro orquestral com os seus uníssonos, contrapontos e desafios cruzados. Küchen é emoção, mas com a razão não adormecida. Johansson faz de velhas ideias sons inteiramente novos. Aleklint pode ser mente aberta ao extremo, mas mesmo em contextos abstratos ele balança.
Universal Indians + Joe McPhee “Skullduggery” / Com John Dikeman (saxofones); Jon Rune Strøm (contrabaixo); Tollef Østvang (bateria); Joe McPhee (pocket trompete, saxofone alto). John Dikeman, Jon Rune Strøm e Tollef Østvang escolhem o nome do trio de uma composição de Albert Ayler, “Universal Indians”, por causa do seu duplo simbolismo. O objetivo era inspirar o modo de tocar no património do free jazz, em nomes como John Coltrane, Ornette Coleman, Cecil Taylor e o próprio Ayler, e, a bom ver, a arte e a cultura são adoções globais (“universal”) de singularidades (“indians”). No que se refere a símbolos “free”, vão ainda mais longe – neste álbum têm uma parceria de topo com Joe McPhee, amplamente conhecido por renovar o sub-género free e por ser uma influência reconhecida noutros estilos sonoros. Este álbum reflete a abertura ao renovar constante de um estilo global livre, cheio de singularidades, e o que vai ouvir aqui é free jazz após free jazz.
Nilssen´s Acoustic Unity “Firehouse” / Com André Roligheten (saxofones); Petter Eldh (contrabaixo); Gard Nilssen (bateria). Se perguntar pelos bateristas jazz, improviso, mais proeminentes e procurados na Noruega, vai encontrar Gard Nilssen na lista. Ele está lá, seja como sideman (Team Hegdal, Cortex, Lord Kelvin, Zanussi 5 ou Susanne Sundfør) ou como homem do leme e co-lider num bom número de grupos aclamados (Bushman’s Revenge, Puma, sPacemoMkey ou Astro Sonic), alguns indo a territórios fronteiriços do jazz, rock e experimentalismo eletrónico. Com “Firehouse”, Nilssen estreia um novo trio comprometido com uma música sem âncoras; sendo Gard Nilssen a unidade sonora. Na linha de frente, uma revelação com o saxofone de André Roligheten – músico com capacidade nata de se re-inventar na sua melodia e ritmo, enquanto improvisa. Petter Eldh reconhecido pelo trabalho com o trio Django Bates, Lillinger / Slavin / Eldh trio, Peter Evans e Tobias Delius entre outros, é outra figura idiossincrática, perfeito para o trio; tendo referências bem diversas é a escolha certa para manter a espinha dorsal deste álbum e, ao mesmo tempo, estar sempre pronto para cruzar outros caminhos.
Cinco novos álbuns, todos com Produção Executiva da Trem Azul e Design by Travassos. A descobrir e amanhã… há mais. •
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