“Auto dos Físicos” / TCSB

Se há Escola que sabe ensinar-nos e levar-nos aos mundos criados de Gil Vicente, é a da Noite, em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo (TCSB).

São mestres na representação vicentina, sem dúvida e, em tempos carnavalescos, acicatam-nos a ir ao teatro, para nos perdermos em mais um Auto. A farsa “Auto dos Físicos”, de Gil Vicente, terá sido representada pela primeira vez em época de Carnaval, há quinhentos anos. Este facto temporal, ajuda a explicar o tom “chocarreiro” e brincalhão desta comédia, à la Gil Vicente, que continua a divertir plateias pelo país inteiro, cinco séculos depois. É, também, a pensar nisto que A Escola da Noite regressa à sua mais recente produção vicentina, em duas sessões especiais que terão lugar no próximo fim-de-semana, nos dias 12 e 13 de fevereiro, sexta e sábado, às 21h30; havendo durante a semana seguinte sessões especiais para escolas. Uma ida ao teatro… já que se anda numa de maré amores de Valentim, porque não ir ao teatro para celebrar o amor, a dois, pela arte de bem representar? Fica a sugestão.

Escrito e representado pela primeira vez entre 1519 e 1524, “Auto dos Físicos” conta a história de um padre que está “a morrer” por causa de um amor não correspondido. “Quatro médicos (os “físicos”) visitam-no à vez, sugerindo estranhos remédios. Brásia Dias, a parente que primeiro o tenta ajudar, um moço transformado em (fraco) alcoviteiro e um padre confessor que compreende “bem demais” o sofrimento do seu colega completam o leque de personagens da peça, que termina com uma ‘ensalada’ poética e musical, com referências a outras peças do autor e a elementos do cancioneiro tradicional“.

O texto – que Carolina de Michaelis (escritora 1851-1925) classificou como uma “bufonada de franca imoralidade de carnaval” – apresenta caricaturas de pessoas concretas (os quatro “físicos” correspondem a pessoas que realmente existiam e que o público facilmente reconhecia) mas é também, como quase toda a obra de Vicente, um retrato da corte, da Igreja e da sociedade portuguesas do século XVI em Portugal. Quem nunca viu Gil Vicente representado… nem imagina o que anda a perder. É comédia sem par, é teatro português de excelência.

O espectáculo estreou em setembro de 2014 e é uma co-produção com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, a propósito das comemorações dos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde. Com encenação de António Augusto Barros, “Auto dos Físicos” conta com as interpretações de Filipe Eusébio, Igor Lebreaud, Maria João Robalo, Miguel Magalhães e Sofia Lobo.

E é a não perder, em Coimbra, este fim-de-semana. Citando A Escola: Faça-nos companhia!

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