Roteiro de artes pelas ruas de Xabregas e Marvila / Poster

Uma das mais antigas zonas industriais de Lisboa é o cenário eleito para uma mostra pública que, por meio de um itinerário definido, dá a conhecer com quantas artes se faz um cartaz.

A leitura depende sempre da forma como os nossos olhos veem – o da esquerda resultou do workshop Mini Posters e o da direita é do escritor José Luís Peixoto

Entre escritores, ilustradores, designer, arquitetos, fotógrafos, artistas plásticos, pintores e escultores, um músico e crianças de crenças e origens transversais há um denominador comum: A imagem concebida para um cartaz. Manifestos, ora individuais, ora coletivos, feitos a partir de imagens e/ou de palavras que desafiam a realidade e a atualidade, com a curadoria própria de cada autor, para ver até 7 de julho, data em que os mais de duas de dezenas de trabalhos estão expostos nas vetustas paredes de edifícios de ruas de Xabregas e Marvila, para que lhes seja dada uma nova vida, ou para serem observados através de uma visita guiada, com agenda para hoje, amanhã e domingo – dias 17, às 19.30 horas, 18, às 17 horas, e 19 de junho, às 15 horas – a reservar aqui .

Com as palavras à vista de todos, a artista e ilustradora portuguesa Wasted Rita e os escritores Afonso Cruz, José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe e Gonçalo M. Tavares – o último em parceria com o atelier And_Ré – deixaram de parte a imagem. Como exemplo, há o cartaz da dupla de arquitetos And_Ré e Gonçalo M. Tavares, na rua Capitão Leitão, o qual nos remete para as paredes, as modeladoras do tecido urbano e, ao mesmo tempo, para o velho ditado “as paredes têm ouvidos”, com o texto intitulado “Onde está a tua anteção?”; ou o de Valter Hugo Mãe, que parece desafiar os transeuntes com uma palavra de ordem, uma mudança de paradigma através da mensagem “Amor para que comece”, na rua do Açúcar; ou o de Afonso Cruz, que cria um jogo de palavras e, em simultâneo, uma chamada de atenção para o vício da tecnologia sem fios entranhado no dia a dia de cada um e as crescentes consequências que daí podem advir.

Diferentes perspetivas sobre a mesma fotografia em cartaz, da autoria de Leonor Ribeiro

Na vertente da fotografia destaca-se a de Eduardo Sena, que foi engenheiro da extinta CUF (Companhia de União Fabril), a qual expõe uma visão muito contemporânea do também fotógrafo, vertente das artes que o conquistou na década de 1940’, tendo aquela sido cedida pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, para ser vista na rua Fernando Palha; e a de Leonor Ribeiro, que iniciou o percurso na fotografia aos 15 anos e, aqui, mostra o rosto de uma jovem mulher que parece deleitar-se, ou a polaroid de The Legendary Tigerman que, além da fotografia, manifesta (o bom) gosto pela fotografia, estandos ambos os trabalhos à vista na rua Pereira Henriques.

Já a imagem de Pedro Campos Costa, arquiteto, chama a atenção para a imagem colocada numa janela do piso superior de um velho edifício, da rua Fernando Palha, como se mulher que o protagoniza estivesse a pensar sobre qual o destino deste prédio vendido há tão pouco tempo…

A instalação em imagem do artista John Trashkowsky

E sobre o tempo que permanece num desafio constante sobre o futuro de um conflito que não mais acaba, foquemos o cartaz de John Trashkowsky que cresceu vivenciando os confrontos entre Israel e Palestina e, na rua Capitão Melhor, mostra uma instalação a partir de uma imagem de uma balança com dois sacos de colheita de sangue como se tentasse equilibrar-se entre os ambos os lados da fronteira, ao lado (ou quase) da “Zona de resiliência urbana” da autoria da Artéria – atelier que desenvolve e divulga projetos no âmbito da reabilitação urbana – e do fotógrafo Rui Pinheiro cujo portefólio contempla o cinema e o jornalismo.

Mas muito mais há para ver, além de que todos os cartazes estão reunidos numa exposição interior, no enorme Armazém 1, da rua Pereira Henriques, onde se encontram dispostos os trabalhos resultantes dos workshop Mini Posters, feito entre o Centro Português de Refugiados, a Fundação Benfica, a Associação Guineense de Solidariedade Social e o Projeto Intervir, e o artista David Rosado, o qual decorreu na tarde de 3 de junho, na ainda não inaugurada Biblioteca de Marvila.

Após o término deste projeto da autoria do Departamento®, os posters estarão disponíveis para compra através da loja online da mostra, à exceção de alguns dos trabalhos a respeito dos quais os autores preferem que “morram” na parede.

Relembramos que ao fim da tarde de hoje, pelas 18.30 horas, no LxWorkhub, no n.º 2 da rua Amorim, haverá uma Talk com Pedro Campos Costa, Paulo José Silva e David Rosado.

(Leia mais aqui sobre esta mostra pública)

A ir! •

+ Poster
© Fotografia: João Pedro Rato
Legenda da foto de entrada: As palavras de ordem do escritor Valter Hugo Mãe ou a forma como podemos complementar este desafio

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