Apropriar, descontextualizar, subverter, atribuir outras funções. Essas são palavras constantes quando se lê e se fala sobre o trabalho da artista Joana Vasconcelos.
Depois de expor no Palácio de Versailles em 2012 e representar Portugal na Bienal de Veneza em 2013, Joana Vasconcelos expõe no Brasil seu trabalho, na Casa Triângulo, em São Paulo. A exposição Casarão, (título da segunda novela brasileira transmitida em Portugal nos anos de 1970), reúne no primeiro andar da galeria, uma invasão de animais em faiança que foram desenhados pelo artista português do século XIX, Rafael Bordalo Pinheiro. Há sapo, gato, boi, cavalo, cobra, lobo em vidrado cerâmico e presos por malhas de crochês. A junção de animais com a delicadeza das tramas, lembra de referências ao aprisionamento e a domesticação.
Em outra sala, peças de banheiro e azulejo, compõem outras obras juntos com a de maior destaque, uma grande peça chamada Aquarela. Nesta, a firmeza da cerâmica mistura-se à tecidos coloridos e à crochê, dessa vez de muitas cores e tamanhos.
Em seu texto de apresentação da exposição, a Casa Triângulo conclui que Joana Vasconcelos “oferece-nos o doméstico com espaço de encontro e confronto entre privado e público, masculino, e feminino, artesanal e industrial, cultura popular e cultura erudita. Ela é a anfitriã que nos recebe neste lugar tão familiar, mas ironicamente desafiador, de todas as rotinas programadas do cotidiano.”
Pode visitar esta exposição na Casa Triângulo, Rua Pais de Araújo, 77 / Itaim / São Paulo / Brasil, até ao próximo dia 10 de maio, de terça a sábado das 11 às 19 horas. •
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© Fotografia: Valéria Mendonça