Yesterday é o projeto de música a solo do português Pedro Augusto. Projeto que, em 2006, foi vencedor do Festival Termómetro Unplugged, participou na compilação Novos Talentos FNAC 2012 tendo, nesse mesmo ano, vencido também o prémio Jovens Criadores. E acabou a espera por um álbum. Chegou “The Waiting”.
Editado este mês de abril, “The Waiting” chega-nos com um alinhamento de dez composições que arranca com a música que dá nome ao álbum e que deixa adivinhar o perfil das sonoridades que Pedro Augusto nos vai dar. Uma eletrónica estudada, uma voz (quase e por vezes) num registo etéreo. Este álbum marca um período entre o verão de 2012 e o início de 2014, e “fala da esperança, constantemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação. Está de tal forma intricado na própria vida que se torna numa espécie de feitiço: como se, ao dizer uma palavra, o anseio por algo que nunca virá, pudesse, de alguma maneira, ser quebrado. De alguma forma, com o álbum terminado, chega também a esperança de que a espera também termine“.
De Leiria, este indie-eletrónica ruma a “A Longing” e “Isolation” revelando ao poucos que é o resultado de um longo processo, no qual as músicas nasceram, cresceram e só depois são registadas na altura em que se destacam como músicas isoladas, partes de um todo, um registo que “não está dependente, por isso, de orçamentos ou disponibilidade de estúdios. Respeita as pausas e acelerações inerentes ao nascer de algo e é, assim, a gravação intensa de sons de acordo com a tecnologia que tenho disponível e do meu sempre-limitado domínio da mesma“. Pedro vê-se como um músico de estúdio e não um músico indie: “o meu ‘regresso’ aos espaços intimistas não nasce na contra-cultura do mercado discográfico – para mim, o registar de temas musicais é uma paixão só comparável à minha colecção de coisas antigas e abandonadas. É por isso que, no meu projecto, as apresentações ‘ao vivo’ não fazem grande sentido – não há nada daquela paixão de gravar que persista nas apresentações fora de casa. É também por isso que deixa de fazer sentido a distinção entre autor e produtor; indie ou profissional; fraca e boa qualidade“. Yesterday, relembra-nos por vezes Little Friend, não como colagem, mas no estilo e sonoridades criadas como em “Destruction“, sendo Yesterday um projeto com uma componente eletrônica bem mais definida e presente, e o conceito base definido.
Em “I Let Everything Die” a voz desaparece para um exercício instrumental, reaparecendo em “The Uniter” no manipular contemporâneo de vozes e coros, e já no caminho do fim com “The Beast” temos a surpresa de um agradável começo com um piano a marcar a melodia, uma voz que cria ritmo, uma composição interessante que nos encaminha para “September” que nos mantém no embalo calmo e sereno da voz, a voz muito nos prende neste trabalho pelas variações que vai tendo e, de repente, a música ganha um ritmo que não se espera. É o efeito surpresa que, aqui, resulta, e bem, dando um novo corpo à composição que se mantém ligada ao seu início, na tal voz e suas variações e as cordas e o violino, no ponto que, novamente e de repente, tudo serena… “Lonely” é o fecho, natural e calmo, que encerra este álbum do que “não é um manifesto, porque não pretende ser nenhuma lição. É apenas a forma como eu sinto a Música. E, nesta medida, o lançamento deste álbum teria que ser online com a possibilidade de ser gratuito. As próprias capas foram concebidas de forma a poderem ser impressas e feitas em casa. É como partilhar algo de que se gosta muito, sem qualquer jogo de interesse, sabendo que, mesmo que não haja um público que ouça, a música continuará sempre a manifestar-se em mim…”
Novas sonoridades da música portuguesa à espera de serem descobertas por si, online. Yesterday e o seu “The Waiting”, para ouvir. •
+ Yesterday
© Vídeo: Yesterday.
© Imagem de capa: Pedro Augusto por Inês Almeida .