Novembro-Dezembro / OMT

A Oficina Municipal do Teatro (OMT), em Coimbra, apresenta um programa bem preenchido este mês de novembro e no próximo dezembro. E por aqui, em universos Mutantes, damos a conhecer o programa para em vossas agenda colocarem.

São sete espetáculos, que têm em comum o facto de partirem de textos e dramaturgia contemporânea nacional e internacional, incluindo autores consagrados, como David Mamet, Patrick Suskind, José Sanchis Sinisterra ou Valter Hugo Mãe. São textos vencedores de inúmeros prémios e textos escritos por dramaturgos portugueses para o teatro que se faz, hoje, em Portugal, a que se junta uma grande amplitude de temas, é o reflexo da pluralidade de espetáculos que o público poderá ver, em Coimbra. Além disso, a maioria destas propostas tem origem em Companhias da Região Centro, pondo à vista a diversidade e vitalidade da criação artística neste território, ao mesmo tempo que se aprofundam parcerias como com a Companhia de Teatro de Almada, O Teatrão, ACERT (Tondela) e Associação Amarelo Silvestre (em coprodução com o Teatro Viriato, de Viseu), apresentando-se criações dirigidas por encenadores há muito reconhecidos – como Antonio Mercado, Rogério de Carvalho ou Pompeu José – que interpretadas por alguns dos mais populares atores portugueses – António Fonseca, Pedro Lima ou Marques d’Arede.

“CONTA-ME COMO É”
31 outubro a 9 novembro / segunda a sexta, às 21h30; sábado e domingo às 19h00, na Sala Grande OMT / De Jorge Palinhos, Pedro Marques e Sandra Pinheiro; com encenação de Jorge Louraço Figueira; companhia O Teatrão. Estreado por ocasião do 25 de abril, regressa agora este conjunto de peças curtas, autênticos pedaços do Portugal contemporâneo, surgidas da pena de três premiados dramaturgos e com os quais O Teatrão fabrica uma versão própria do país real. Com base nestas três visões particulares da realidade portuguesa, tentam recriar-se, numa OMT dessacralizada e reinventada, as formas de comunicação da imprensa, da rádio e da TV, que passam aos cidadãos uma versão oficial do país, formas de comunicação que neste espetáculo são passadas através do filtro do teatro. Tomando como ponto de partida as obras “Terror e Miséria do III Reich”, de B. Brecht, e “Terror e Miséria no Primeiro Franquismo”, de J. S. Sinisterra, a construção deste projeto começou em 2012 com um seminário de dramaturgia e culmina este ano com a apresentação de um espetáculo que junta 19 atores e artistas de várias áreas.

“O CONTRABAIXO”
8, 15, 22 e 29 novembro e 6, 13 e 20 dezembro / sábado, às 22h00, na Tabacaria da OMT / De Patrick Süskind; com encenação de Antonio Mercado e o ator António Fonseca. O Teatrão, em coprodução com o Conservatório de Música de Coimbra. Um músico de orquestra, o seu contrabaixo e as múltiplas paixões que o consomem são os ingredientes que voltam a juntar Antonio Mercado e António Fonseca. “O Contrabaixo” é um dos mais encenados textos de Süskind (autor também do best-seller “O Perfume”) e nele se apresenta a “complexa relação de amor e ódio que o músico mantém com o seu instrumento de trabalho e que é dissecada por Süskind com um misto de ternura, furor e humor sarcástico” (A. Mercado). “O Contrabaixo” assinala também uma nova etapa na relação d’O Teatrão com o vizinho Conservatório, que, além de coprodutor e anfitrião da estreia, envolve professores seus na criação do espetáculo. A partir de novembro, será a Tabacaria da OMT a receber este “homem comum (…) que traz oculto dentro de si um universo inquietante de sonhos, de frustrações, de injustiças, de alegrias e paixões“, nas palavras do encenador.

“O FASCISMO DOS BONS HOMENS”
12 novembro / quinta-feira, às 21h30, na Sala Grande OMT / A partir de “A máquina de fazer espanhóis” de Valter Hugo Mãe; com encenação de Pompeu José. Um espetáculo que se constrói como a vida, isto é, entre o cómico e o 4
trágico e que conta a história de António Silva, personagem central e narrador do romance de V. Hugo Mãe. Conduzidos pelo Lar “A Feliz Idade”, chegamos a um universo onde, como no mundo do “faz-de- conta”, idades e comportamentos se confundem (“de velho se torna a menino”, diz o povo), mas cujas personagens não abdicam de refletir sobre as suas lembranças. Como diz uma das personagens, Cristiano Silva, “Quem fomos há-de sempre estar contido em quem somos, por mais que mudemos ou aprendamos coisas novas”. (…) Crónica de valter hugo mãe in JL a 22-01-2014.

“SANGUE NA GUELRA”
21 novembro / sexta, às 21h30, na Sala Grande OMT / De Fernando Giestas, com encenação de Rogério de Carvalho Coprodução Amarelo Silvestre e Teatro Viriato. “Os muros da separação não chegam ao céu”. Foi a partir desta inscrição numa igreja francesa que nasceu um texto e foi com base nesse texto que nasceu a possibilidade de um espetáculo. Então, construiu-se um muro imaginado, depois criou-se uma mulher e um homem que fossem nós, um lugar que fosse muitos, um tempo que fosse todos, uma guerra que fosse qualquer uma (com ou sem balas). E assim nasceu um espetáculo que, vindo de um texto de Fernando Giestas, foi construído por um ator (Graeme Pulleyn), uma atriz (Rafaela Santos) e um encenador, por sinal um dos mais prestigiados homens de teatro a trabalhar em Portugal (Rogério de Carvalho).

“TEMPUS”
27 novembro a 23 dezembro / segunda a sexta, às 10h30 e 14h30, Sala de Ensaios / O Teatrão. A nova criação teatral para a infância aventura-se por linguagens poéticas e visuais que brincam com as mudanças no clima que ao longo do ano se fazem sentir. É através dos frutos, das cores, dos banhos na praia, da visita aos avós ou do crepitar da lareira que os mais novos vão entendendo que tempo faz.

“EU + 1”
18 a 20 dezembro / quinta e sexta, às 21h30 e sábado 17h00, na Sala Grande OMT / De José Sanchis Sinisterra; de Classe T – Grupo de Teatro Amador d’O Teatrão, com direção de Isabel Craveiro e Sílvio Carvalho. “O Teatro, pensa Sinisterra, deve responsabilizar o espectador, apelando à sua imaginação, à sua memória histórica, à sua sensibilidade, ao seu sentido crítico e à sua capacidade de desconfiar das aparências e das palavras”, diz Milagros Sánchez Arnosi.
Este espetáculo marca a vontade de um grupo, formado há cinco anos, de procurar de forma profunda os mistérios da experiência teatral. EU+1 apresenta-nos um grupo de solitários seres que procuram encontrar o seu lugar, a companhia que lhes falta, o assunto que os mantém vivos, numa praxis de sobrevivência.

A tomar nota. A ir.  •

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© Fotografia: Carlos Gomes.