Que se faça a festa, Lisboa!

Junho é mês de folia na cidade das sete colinas que, de fio a pavio, é palco de arraiais e marchas populares, entre duas mãos cheias de atividades e expressões artísticas, com muita música e sardinha à mistura, e datas para comemorar.

(© Ilustração de Nuno Saraiva)

É em jeito de pregão que começamos, desta feita, com as datas, pois em 2016 celebram-se os 170 anos do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro e o centenário da abertura do museu com o nome de mui ilustre caricaturista, escritor, jornalista, fundador da fábrica de faianças homónima, nas Caldas da Rainha, e cujo trabalho é a base da inspiração das ilustrações que são a imagem das Festas de Lisboa 2016, da autoria do ilustrador Nuno Saraiva.

A ambas as comemorações somam-se as cinco décadas da Ponte 25 de Abril, abordada no projeto artístico “pontes de vista”, e os 20 anos da EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, a entidade responsável pela organização de mais uma edição das Festas de Lisboa.

Eis o mote para a apresentação do Guia Ler e Ver Lisboa através do traço de 20 ilustradores e das palavras de 20 escritores, para que lisboetas e os detentores da língua portuguesa possam acompanhar os seus passeios com o(s) autor(es) favoritos – e os forasteiros possam viajar por entre as cores e os contornos de uma Lisboa sem fim.

Entretanto, já está patente a primeira intervenção no âmbito das festas – um painel parabólico que exprime a arte azulejar e funciona como um espelho acústico, a partir do qual cada um pode escutar sons enquanto observa uma imagem construída com fragmentos de azulejos industriais portugueses que são um reflexo de uma “aparição” fotográfica – ou espetrográfico – dessa mesma sonoridade. Chama-se  “Pavilhão” e está de “portas abertas” até 14 de junho, no Miradouro de Santo Amaro.

(© Ilustração de Nuno Saraiva)

Para hoje, dia 3 de junho, e pela primeira vez, as Marchas Populares mostram-se ao público e ao júri, evento de marcado também para amanhã, dia 4 e para domingo, dia 5, às 21.30 horas, no MEO Arena. Ao todo são 1920 participantes que irão desfilar às 21 horas, do dia 12, na avenida da Liberdade, sendo a manhã desta data reservada aos famosos Casamentos de Santo António. Nos dias 4 e 5 de junho é a vez da exposição coletiva que cruza gerações e recupera memórias, a qual é composta por 200 Tronos de Santo António a exibir pelas ruas, pelos becos, pelas portas e pelas varandas da cidade, numa espécie de roteiro a explorar.

As sardinhas premiadas: “Donas Maria”, de Clara Leitão; “Casa portuguesa”, de Diogo Matos; “Música duradoura”, de Olga Shtonda; “Bouquet de cravos”, de Natalie Mavrota; e “Corre que a festa já começou”, de Alessandra Cavalcanti

A 6 de junho chega a vez das sardinhas que mergulham nos três andares da Galeria Millenium. “Palavra de Sardinha”! Assim se intitula a mostra composta por 118 sardinhas ilustradas, das quais sairam cinco vencedoras e todas foram inspiradas no universo de “A guerra dos mundos”, de H. G. Wells.

Mas eis que chega o dia de dizer: “Deixem o pimba em paz”. O concerto em que o ator e apresentador de televisão Bruno Nogueira e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, serão acompanhados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, e que conta com arranjos de Mário Laginha, Filipe Melo e Nuno Rafael, está marcado para 10 de junho, às 22 horas, no Terreiro do Paço. A entrada é livre.

Cinco dias depois – a 15 – e a 29 de junho, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras recebe, respetivamente, às 19 horas, as sonoridades de Rão Kyao e o fado de Carolina, até porque é o fado que regressa ao Castelo de S. Jorge, entre 16 a 18, e sempre às 22 horas, pelas vozes de Carminho e Ana Moura, e José Manuel Neto que levará convidados “de luxo”. Apesar da entrada ser livre, carece do levantamento prévio do bilhete na bilheteira local, entre as 9 e as 20.30 horas.

E muito mais há para ver, ouvir e sentir pela cidade que quase não dorme durante o mês que mal começou, com destaque ainda para a intervenção artística a que foram alvo os miradouros de Santo Amaro, do Monte Agudo e do Largo das Necessidades, sem esquecer o Teatro das Compras, a acontecer entre 16 a 18 e de 23 a 25, em lojas da baixa pombalina, nem o trabalho de Faustin Linyekula, bailarina e coreógrafo congolês que Lisboa acolhe no âmbito da Bienal Artista da Cidade, com o objetivo de dinamizar a sua colaboração entre vários nomes do universo das artes.

Depois de tudo isto, que requer consulta no site abaixo, entre duas outras mãos cheias de ações e eventos, o mesmo é dizer: Acendam-se os grelhadores e preparem-se para os bailaricos, pois as Festas de Lisboa vão começar e estrear um hino oficial. A ir! •

+ Festas de Lisboa 2016
© Ilustração de Nuno Saraiva

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