“China Hoje: a desafiar os limites” / Museu do Oriente

O olhar contemporâneo de três artistas chineses sobre a sua terra natal, traduzido em colagens fotográficas, pinturas e desenhos a carvão, mostra a China atual, com todas as suas incongruências, disparidades e desigualdades. Esta é a “China Hoje: a desafiar os limites”, em exposição no Museu do Oriente.

Dividida por três núcleos autorais e temáticos, num total de 17 obras, os artistas Qiu Jie, Du Zhenjun e LiFang analisam, em linguagens visuais e discursos distintos, os temas da sustentabilidade ambiental, a procura da identidade chinesa ou a luta por uma maior liberdade de expressão, suscitando uma reflexão sobre as problemáticas sociais e políticas que marcam a China contemporânea. E, agora, indo núcleo por núcleo:

No núcleo “Cidadania Cultural”, Qiu Jie defende a garantia dos direitos culturais dos cidadãos, como motor para a surgimento de uma nova consciência política. No seu traço a carvão, técnica chinesa ancestral, surgem o Presidente Obama, uma pin-up, um soldado da Revolução ou um retrato de Mao Tsé-Tung com cabeça de gato. Descrito como “pop político”, por confrontar a história da sociedade chinesa com imagens da cultura popular ocidental, o trabalho de Qiu Jie retrata a ambivalência do percurso pessoal do artista, actualmente a viver fora do seu país.


© “Eating”, 2012, 120×160, Du Zhenjun

Du Zhenjun, autor do núcleo “Limites para o Crescimento”, apresenta uma visão distópica das transformações profundas que a China tem vindo a sofrer desde a Revolução Cultural, em oito trabalhos de grande formato. Utilizando a técnica mista, apresenta colagens fotográficas que traduzem a ascensão do capitalismo desenfreado das duas últimas décadas e seus devastadores efeitos ambientais, como a poluição e a escassez de recursos naturais, ou ainda a explosão demográfica. Em todos os trabalhos, a Torre de Babel do capitalismo ergue-se ao fundo, numa alegoria à estória bíblica da destruição que se abateu sobre a humanidade para castigar a sua ambição cega. Alegorias que fazem pensar.


© “Ai Weiwei and the other fourteen men”, 130x390cm oil on canvas, 2014, LiFang

Por fim, um conjunto de seis pinturas compõe “Liberdade de Expressão”, da autoria de LiFang, é uma representação impressionista do ciberespaço e uma referência direta ao artista Ai Weiwei e à repressão de que foi alvo. Em 2011, Ai Weiwei pousou nú com as suas quatro assistentes tendo, posteriormente, difundido as imagens nas redes sociais afirmando que “nudismo não é pornografia”. A rede social Facebook censurou as imagens, desactivando a página do artista. Todavia, Ai Weiwei continua a lutar por maior transparência e liberdade para o domínio público na China, luta essa a que LiFang pretende dar continuidade. O espaço de liberdade pretendido é também digital: Facebook, Twitter, Wikipedia e YouTube estão bloqueados na China e, o motor de busca Google, permanece sem condições para operar. Já parou para se imaginar num mundo assim?

“China Hoje: a desafiar os limites” inaugura a 27 de outubro, pelas 18h30 e está patente até 18 de dezembro. Poderá visitar a exposição de terça-feira a domingo das 10h00-18h00, (à sexta-feira o horário prolonga-se até às 22.00). A visitar, no Museu do Oriente, em Lisboa. •

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© Imagem de destaque: “Da Zi Bao”, Qui Jie.

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