Low, Joana Serrat, Tigran Hamasyan,… / Misty Fest’22

Como habitual, em todas as primaveras, pela mão da UGURU, começam a chegar-nos os primeiros nomes confirmados para mais uma edição do prestigiado (incontornável e obrigatório) Misty Fest: um festival do nosso outono sem o qual já não passamos no panorama musical. Já em linha, atestando que este festival nunca baixa a bitola, estão: Low, Joana Serrat, Edu Lobo e Mônica Salmaso, e Tigran Hamasyan.

A mais recente confirmação, que nos chegou hoje à redação, é dos veteranos Low que a cada novo álbum, arrasam connosco. O reconhecimento global dado aos Low de Mimi Parker e Alan Sparhawk reflecte 27 anos de intensa entrega à música, dilatada história que se traduz numa celebrada discografia que se estende por 13 álbuns.
Hey What, o mais recente deste duo de Duluth, no Minnesotta, foi lançado em setembro de 2021 através da norte-americana Sub Pop e conquistou justo lugar na maior parte das listas com que a imprensa especializada resume o que de melhor cada ano nos traz. Da Wire à Mojo e da Uncut à Pitchfork (para quem segue literatura especializada, sabe que são Bíblias na crítica musical) ninguém passou ao lado deste tremendíssmo e hipnotizante trabalho dos Low. Harmonias vocais de beleza infinita e guitarras cavernosas são a singular receita de Hey What, trabalho que trará então os Low de regresso a Portugal para um concerto muito especial que terá lugar na Casa da Música a 31 de outubro.
Oportunidade singular para aplaudir uma criativa entidade musical que o Guardian garantiu, na efusiva crítica a Hey What, estar a redefinir o rock de forma magnífica: “Os Low pareceram uma banda singular desde o início. Um casal mormon praticante dedicado a tocar tão baixinho e lentamente quanto possível”, escreveu Alexis Petridis. Muito mudou desde esse arranque, mas a entrega apaixonada de Mimi e Alan permanece inalterada. Imperdível. Porque aqui ouvimos, sem cansar, Hey What de fio a pavio.

Outra belíssima confirmação é da cantautora catalã Joana Serrat que regressou aos discos em junho passado com a edição de Hardcore from The Heart, mais uma vez pela Loose Music. Este álbum é o que sucede ao aclamado Dripping Springs de 2017 (editado também pela Loose Music).
Desta feita, a compositora e música, deixou a sua terra natal de Vic (Catalunha) e viajou até Denton, no Texas, onde se juntou ao engenheiro de som e produtor Ted Young, conhecido pelo seu trabalho com artistas como Kurt Vile e Sonic Youth, entre outros. O seu som distinto, que já foi descrito como folk gaze, ganhou ainda mais forma e dinâmica ao passo que a sua voz, original que sentimos à flor da pele, mas apontada como uma espécie de mescla entre os timbres de Tanita Tikaram e Margo Timmins dos Cowboy Junkies, ganhou ainda mais espaço nos novos arranjos (e a pele arrepia-se ainda mais).
Joana Serrat já vistou Portugal por diversas vezes, quer em concertos integrados em festivais como o Paredes de Coura e Gente Sentada, quer a solo como o que aconteceu no Centro Cultural e Congressos das Caldas da Raínha, Plano B no Porto, Teatro de Vila Real ou Orfeu, em Águeda, (integrada no Outonalidades). É justo dizer que a sua música ressoa com especial intensidade junto do público português.
Ao ouvir e aplaudir a sua canção “Demons”, o britânico Guardian garantiu que o género conhecido como “americana” não é acerca de onde se nasceu, mas antes um estado de espírito: “perguntem à catalã Joana Serrat que soa como se tivesse alugado um bungalow cheio de bungavílias a um dos músicos dos Eagles em 1972“.
Aplaudida por publicações de referência como a Uncut ou a Glide, que têm distinguido os seus trabalhos nas suas listas de melhores edições do ano, Joana Serrat conseguiu igualmente ser votada pela Americana Music Association como uma das autoras do ano por causa do trabalho apresentado em Hardcore From The Heart.

Do Brasil, com a nossa língua carregada de açúcar, estão confirmados Edu Lobo e Mônica Salmaso.
Neste concerto, Edu Lobo e Mônica Salmaso encontram-se nos palcos do CCB e Casa da Música para apresentar repertório que Edu compôs para artistas como Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Cacaso, Paulo César Pinheiro. A acompanhar Edu e Mônica estão alguns dos maiores músicos brasileiros: Cristóvão Bastos (piano), Jurim Moreira (bateria), Jorge Helder (baixo acústico) e Mauro Senise (sopros).
78 anos de vida, pelo menos 60 de música. O homem que se estreou na mítica editora Elenco em 1964 com A Música de Edu Lobo Por Edu Lobo contribuiu decisivamente para o eterno cancioneiro brasileiro que o mundo aprendeu a amar, assinando pérolas como “Upa Neguinho” ou “Pra Dizer Adeus” que gente tão distinta quanto Caetano Veloso, Sérgio Mendes, Maria Bethânia, Marcos Valle ou Sarah Vaughan e Earth, Wind & Fire fez questão de juntar aos seus próprios reportórios. E em mais de três dezenas de álbuns de originais, Lobo afirmou uma visão singular da bossa nova e da MPB que continua viva e vibrante.
É exatamente essa a visão que agora o guitarrista e compositor traz a Portugal na companhia de Mônica Salmaso, uma das suas grandes intérpretes. Esta cantora dedicou a sua carreira à grande música de Edu Lobo, afirmando-se como uma das suas melhores intérpretes, revelando que a sua voz singular e aveludada é perfeita para carregar todas as nuances melódicas e harmónicas de que a música de Edu Lobo sempre viveu. Acompanhados por um quarteto de excelência com Cristóvão Bastos no piano, Jurim Moreira na bateria, Jorge Helder no baixo acústico e Mauro Senise nos sopros, Edu e Mónica prometem uma noite mágica feita de verdadeiros tesouros musicais do Brasil e do mundo. Desculpas para não marcar presença terão de ser muito bem justificadas nestes concertos que se adivinham ímpares.

Edições nas prestigiadas Verve e ECM, entre outras, cimentam um talvez tranquilo, mas ainda assim sólido percurso que o pianista arménio Tigran Hamasyan tem vindo a trilhar desde 2009. O seu trabalho mais recente, The Call Within, porém, é já o seu quarto registo na prestigiada Nonesuch, segundo em trio depois de Mockroot (2015), com os restantes a serem exercícios solo plenos da exuberância técnica que já levou Herbie Hancock a, humildemente, declarar-se seu discípulo. Tigran Hamasyan, ressalve-se já agora, tem apenas 35 anos e provavelmente ainda nem falava quando o veterano pianista lançou Perfect Machine, em 1988.
Elogiado pela imprensa internacional – foi artista do ano para a associação de imprensa musical alemã e a BBC Music Magazine escreveu que se deveria “arquivar este artista na letra F de Fantástico, em ambos os sentidos da palavra” -, Hamasyan vem agora a Portugal com o seu trio em que pontuam o incrível baterista Arthur Hnatek e o baixista eléctrico Marc Karapetian: três músicos tecnicamente deslumbrantes e artisticamente capazes de nos surpreender em cada momento. Na bagagem trazem então The Call Within, um disco que, escreveu-se na revista portuguesa Rimas e Batidas, “tem matéria para o espírito, produto natural de um artista que se inspira na poesia, na contemplação dos mapas e nas lendas que o folclore cristão e pré-cristão da Arménia resguardou como sinais fundos de identidade“. Obrigatório!

A decorrer entre 31 DE OUTUBRO E 6 DE DEZEMBRO estes são os primeiros nomes, e datas, alinhados para mais uma edição do Misty Fest 2022 que promete deixar-nos invejosos do Milagre da Multiplicação (perdoem-nos a heresia) para podermos marcar presença em todos, como fiéis devotos que somos de música que prima pela excelência:
Low (bilhetes à venda a partir de 29/04)
31/10 – Casa da Música, Porto.
Joana Serrat (bilhetes à venda)
27/11, 21h00 – Museu do Oriente, Lisboa.
28/11, 21h00 – Casa da Música, Porto.
Edu Lobo e Mônica Salmaso (bilhetes à venda)
21/11, 21h00 – Casa da Música, Porto.
22/11, 21h00 – CCB, Lisboa.
Tigran Hamasyan (bilhetes à venda)
05/12, 21h00 – Casa da Música, Porto.
06/12, 21h00 – CCB, Lisboa.

A começar a tomar nota na sua agenda e a aguardar por mais que aqui estão só, e apenas, as primeiras confirmações. Misty Fest 2022. •

+ Misty Fest
© Imagem de capa: Low, Hey What, DR.

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