“96 Decibéis” é a nova cocriação que junta em parceria o Teatrão e a Terra Amarela. A peça está a ser criada para todas as idades a partir dos 14 anos e vai estrear no dia 27 de março – Dia Mundial do Teatro –, na Oficina Municipal do Teatro (OMT), em Coimbra, onde faz temporada até 26 de abril.
O espetáculo conta com encenação de Marco Paiva. “Desde 2024 que nos sentamos com o diretor artístico da Terra Amarela para nos conhecermos e para conversar sobre o espetáculo que queríamos fazer. Sabíamos que essa ideia – na altura, embrionária – teria de espelhar em palco as coisas que nos unem: a vontade de dar voz a uma pluralidade de existências, assente na ideia de que qualquer pessoa, independentemente da forma do seu corpo ou daquilo que é atestado sobre a sua capacidade, tem direito a estar num palco e numa plateia.“
Chegados a 2026, “escolhemos trabalhar com intérpretes que dão sentido a este núcleo comum. Eva Tiago, Margarida Sousa, Paulo Azevedo e Vasco Seromenho – elenco que inclui artistas diversos, com mobilidade reduzida e surdez– metem os pés pelas mãos, falam com o corpo todo, cantam e riem, procurando resgatar a esperança ao darem voz a uma diversidade de gentes e de línguas.”
“Ao longo deste tempo, fomos também colecionando clipes de telejornais, de comentadores e comentários, tweets e truths, reels e tiktoks e bem: quase que íamos tendo um ataque cardíaco. Por isso chamámos o dramaturgo Alex Cassal para dar corpo textual a este caos. Assim, foi sendo escrito o texto original que está na base de “96 Decibéis”. Um texto criado para estas pessoas com todas as suas especificidades, para ser feito neste local e neste tempo histórico. Como o tempo não está de modas, o cenário é pós-apocalíptico e de destruição. Contudo, acima da poeira e do ruído, surge uma certeza: mesmo em tempos de cólera, só o amor nos salvará porque acreditar que pode haver futuro é razão suficiente para amar sem reservas tudo aquilo que está por vir.”
A banda sonora original será interpretada ao vivo pelos 5ª Punkada – grupo nascido no seio da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), entretanto profissionalizada e agenciada pela Omnichord. O trabalho de composição do corpo sonoro que vai acompanhar o espetáculo foi elaborado no âmbito do Laboratório de Música Teatral, uma atividade do MAIS – projeto que, por um lado, engloba a criação de “96 Decibéis” e, ao mesmo tempo, a acompanha com várias iniciativas paralelas ao seu desenvolvimento.
Este é um programa de formação artística para a profissionalização financiado ao abrigo do programa “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e integra em parceria a APCC, a ACAPO, o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC), o Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência da Rede Social de Coimbra – Município de Coimbra, a Omnichord, o Plano Nacional das Artes (PNA) e a Terra Amarela. No contexto do Projeto MAIS, além do espetáculo e da oficina onde foi produzida a música para o espetáculo, está também a decorrer um Curso de Iniciação Teatral na Escola Poeta Manuel da Silva Gaio com turmas do 3º ciclo onde se incluem pessoas S/surdas e teve lugar, entre os dias 14 e 17 de fevereiro, um Laboratório de Escrita Teatral com Alex Cassal onde participaram pessoas com vários tipos de necessidades específicas. Mais à frente, já depois da temporada de “96 Decibéis”, vamos receber na OMT um Laboratório de Interpretação Teatral e serão apresentados os resultados do acompanhamento científico e monitorização qualitativa de públicos e participantes no MAIS.
“Esta cocriação surge de forma natural, na sequência de uma relação de proximidade crescente entre as duas estruturas que tem sido cultivada ao longo dos últimos anos, com acolhimentos de espetáculos da Terra Amarela na OMT, formações e outras atividades conjuntas. A vontade de trabalhar com a Terra Amarela marca também o culminar de um caminho que o Teatrão tem percorrido no que toca às questões de acessibilidade de todos os artistas e de todos os públicos à cultura. Seja através de várias opções na programação da OMT, da integração na Rede de Teatros com Programação Acessível ou de projetos de intervenção como A Meu Ver (em colaboração com a ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal), o Teatrão tem trabalhado ao longo dos últimos anos com grande foco em tornar cada vez mais verdadeiro o sentido do seu lema: “o teatro onde cabemos todos”.”
A colocar na sua agenda. •


