Misty Fest 2026

Se em fevereiro vos acicatámos com a primeira confirmação daquele que já é um festival mais que obrigatório no panorama nacional, agora rumamos ao modelo de artigo que gostamos, nestes festivas: o de ir construindo o alinhamento para vós, a cada nova confirmação que nos chega, à Mutante. Aqui vamos, rumo à edição de 2026.

Esta nota será actualizada sempre que novas confirmações sejam reveladas.

Lançado em 2006, The Greatest afirmou-se como um ponto de viragem na carreira de Chan Marshall (aka Cat Power). Gravado nos famosos Ardent Studios, em Memphis, Tennessee, com o apoio de alguns dos melhores músicos da cidade, o disco destacou-se pela sua elegância, sensibilidade soul e maturidade artística. Recebido com aclamação global, tornou-se um dos trabalhos mais celebrados da década, figurando em 6.º na lista “Top 50 Albums of 2006” e em 26.º na lista “100 Best Albums of the 2000s” da Rolling Stone, além de ter arrecadado vários prémios, entre os quais o prestigiado Shortlist Music Prize (a primeira atribuição de sempre a uma artista feminina). Duas décadas depois, estas canções mantêm-se atuais e ganham nova vida em palco, num espetáculo que promete amplificar a essência e a emoção do álbum, agora reeditado. Para esta celebração, Cat Power contará com a companhia dos Dirty Delta Blues, o mesmo supergrupo que a acompanhou na digressão de lançamento do disco, e que inclui o guitarrista Judah Bauer, o teclista Gregg Foreman, o baixista Erik Paparozzi e o baterista Jim White. Ao longo dos anos, Cat Power construiu uma relação muito especial com o público português, com várias passagens memoráveis pelo país que a tornaram uma das artistas internacionais mais acarinhadas por cá. Cada regresso é recebido com entusiasmo, e este concerto no Misty Fest não será exceção. Entre clássicos incontornáveis e possíveis surpresas, este concerto afirma-se como um dos momentos altos da edição de 2026 do festival: uma celebração rara, para fãs de sempre e para quem quer descobrir, ou redescobrir, uma das vozes mais marcantes da música contemporânea.
13/11, Sagres Campo Pequeno, Lisboa.

Christian Löffler é uma das figuras mais singulares da nova eletrónica europeia. A sua obra, marcada por uma profunda ligação à natureza e à condição humana, constrói paisagens sonoras onde convivem ambient, techno e elementos acústicos, num equilíbrio delicado entre introspeção e intensidade. Desde os primeiros álbuns, no início da década de 2010, o produtor alemão tem vindo a afirmar uma identidade única, aliando-a ao seu talento como artista visual. Esta fusão de competências resulta em concertos imersivos e altamente emotivos, encantando públicos em festivais e salas de todo o mundo. O seu mais recente trabalho, Until We Meet Again, aprofunda a vertente mais íntima da sua música, privilegiando uma abordagem mais minimalista e poética. É neste contexto que Christian Löffler chega ao Misty Fest. Para apresentar o novo repertório, faz-se acompanhar em palco por Adna (voz e guitarra), Johanna Burnheart (violino), Midori Jaeger (violoncelo) e Alex Maydew (piano), abrindo espaço a uma leitura mais profunda e detalhada das suas composições. O alinhamento cruza temas recentes com momentos-chave do seu percurso, agora reinterpretados com novos arranjos. A presença dos instrumentos acústicos altera o centro de gravidade da música, trazendo-a para um registo mais próximo e físico, sem que a sua pulsação característica se perca. Entre estrutura e liberdade, o concerto desenha-se como um contínuo onde cada elemento ganha tempo e clareza. Uma abordagem mais depurada, que revela novas camadas do trabalho de Löffler.
25/11, Casa da Música, Porto.
26/11, CCB, Lisboa.

Desde muito cedo, a vida de Alan Stivell foi marcada por duas forças essenciais: a música e a ligação profunda à Bretanha. Foi essa herança que o levou a reintroduzir a harpa celta no panorama contemporâneo, transformando um instrumento quase esquecido num símbolo vivo de identidade cultural. Ao longo do seu percurso, construiu uma obra singular, onde convergem influências da música clássica, do rock e das tradições folk do mundo, antecipando aquilo que hoje reconhecemos como world music. Alan Stivell é um verdadeiro embaixador da cultura celta. A sua carreira, feita de concertos históricos, digressões internacionais e projetos inovadores, tem sido também um veículo de afirmação cultural, celebrando a diversidade, a liberdade de pensamento e o respeito pelas raízes. A sua música resgata uma herança ancestral e projeta-a no presente, mantendo viva uma identidade que continua a reinventar-se. A celebrar 60 anos de carreira, o artista apresenta agora uma formação totalmente renovada, com 10 músicos em palco, com a qual parte em digressão para partilhar este repertório com o público. Um grande acontecimento musical que cruza culturas em torno do arquipélago celta, revisitando temas emblemáticos de Stivell, com destaque para excertos da sua Sinfonia Celta n.º 2. A formação inclui: Gaëtan Grandjean (guitarras e bouzouki); Tangi Miossec (teclados); Ronan Després (bateria e percussão); Cédric Motte (baixo e eletrónica); Brewen Favreau (pib-ilin, low whistle, gaita-de-foles eletrónica); David Chivers (primeiro violino); Marie-Amélie Vivier (violino e voz); Marie Beaudon (viola d’arco); Marcelle Caro (violoncelo); Alan Stivell (harpa celta e voz).
21/11, Casa da Música, Porto.
22/11, CCB, Lisboa.

Raül Refree, um dos produtores europeus mais inovadores da última década, conhecido por colaborações com Rosalía , Sílvia Pérez Cruz ou LINA_, junta-se à versátil e poderosa voz de Maria Mazzotta, referência da cena musical da região italiana da Apúlia e da world music europeia. No Misty Fest, apresentam San Paolo di Galatina, álbum editado em janeiro de 2026 pela Galileo Music, num espetáculo que cruza sonoridades e instrumentos acústicos, típicos da música litúrgica e popular do sul de Itália, com uma abordagem contemporânea e vanguardista.
20/11, São Luiz Teatro Municipal, Lisboa.

Vincent Peirani é um dos acordeonistas mais inovadores da Europa. Compositor e improvisador, o músico francês cruza jazz, música clássica, contemporânea e rock numa linguagem criativa e singular. Agraciado com os prémios Victoires du Jazz em 2014 (“Revelação”) e 2015 (“Artista do Ano”), destacou-se tanto pelos seus trabalhos próprios como por colaborações com artistas como Daniel Humair, Michel Portal ou Sanseverino, além do trabalho para cinema. No Misty Fest apresenta, juntamente com o seu quinteto, Time Reflections, o quarto capítulo do seu aclamado projeto Living Being. Criado durante a pausa da pandemia, o álbum reflete sobre o tempo através de uma música que combina batidas contemporâneas, ecos de danças tradicionais e subtis referências barrocas.
21/11, São Luiz Teatro Municipal, Lisboa.
22/11, Casa da Música, Porto.

Al Di Meola é amplamente reconhecido como um dos mais influentes guitarristas da história do jazz e da música contemporânea. Dono de uma técnica virtuosa e de uma linguagem musical marcada por complexas síncopas rítmicas e grande riqueza melódica, construiu uma carreira que atravessa mais de quatro décadas e continua a inspirar músicos e públicos em todo o mundo. Com mais de seis milhões de discos vendidos, vários álbuns de ouro e platina e inúmeras distinções internacionais, Di Meola afirmou-se como uma figura central na evolução da guitarra moderna. A profundidade das suas composições e a expressividade do seu estilo tornaram-no uma referência incontornável para gerações de guitarristas, mas também conquistaram um público muito para além do universo dos aficionados do instrumento.
Ao longo da sua carreira, Al Di Meola participou em alguns dos projetos mais marcantes da história recente do jazz fusion. Foi membro do lendário supergrupo Return to Forever, ao lado de Chick Corea, Stanley Clarke e Lenny White, e integrou o célebre Guitar Trio com John McLaughlin e Paco de Lucia — um encontro histórico entre três dos maiores virtuosos da guitarra. Com mais de trinta álbuns editados em nome próprio e inúmeras colaborações ao longo do percurso, o guitarrista norte-americano continua a explorar novas sonoridades, alternando entre a energia da guitarra elétrica e a subtileza da guitarra acústica. Nos concertos, o público é conduzido por uma viagem musical que cruza jazz, música latina, mediterrânica e influências do mundo inteiro.
28/11 – 21h00, CCB, Lisboa.
29/11 – 21h00, Casa da Música, Porto.

Amplamente reconhecido como um dos performers mais envolventes da música contemporânea, José González transforma voz e guitarra numa experiência de concerto vasta e profundamente imersiva. Em palco, move-se entre a intimidade quase sussurrada e uma intensidade rítmica rica e expansiva, criando camadas sonoras que enchem a sala e captam a atenção do público do primeiro ao último momento. Mesmo a solo, constrói uma sensação rara de escala e profundidade que se traduz em concertos simultaneamente delicados e monumentais. Ao longo de mais de duas décadas, tem esgotado salas e teatros por todo o mundo, consolidando uma reputação global como artista absolutamente imperdível ao vivo. Com o lançamento iminente de Against The Dying Of The Light (a 27 de Março), antecipado pelo single “Pajarito” e pelo tema homónimo, José González regressa à estrada com novo material que expande o seu universo sonoro. O álbum reflete sobre humanidade, tecnologia e os caminhos incertos do mundo contemporâneo, combinando reflexão lírica com a sua assinatura melódica e rítmica inconfundível. O alinhamento dos concertos cruza estas novas canções com momentos marcantes de toda a sua discografia – incluindo temas incontornáveis como “Heartbeats”, do álbum de estreia Veneer (2003) –, num equilíbrio perfeito entre introspecção e pulsação rítmica. Depois de Local Valley (2021), da edição comemorativa dos 20 anos de Veneer (2023) e de extensas digressões internacionais em 2023 e 2024, José González regressa agora com um espectáculo renovado que espelha toda a maturidade e evolução do seu percurso artístico.
01/11, 21h00 – Coliseu dos Recreios, Lisboa.
02/11, 21h00 – Coliseu Porto Ageas, Porto.

A começar a colocar todas as datas na sua agenda Misty para mais uma edição a não perder, no próximo outono. •

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