Miguel Vieira / 25 anos

A linguagem global da moda.
A sensualidade e a sofisticação assumem as coordenadas de um estilo muito próprio, veiculado por um binómio de assinatura: preto e branco. Um desafio que protagoniza um trabalho de cunho português, pautada pelo requinte das matérias primas mais nobres inscritas num dress code abrangente – do casual chic ao glamour de uma passadeira vermelha –, ditadas pela elegância no feminino e no masculino, num amplo conceito de design ritmado pela contemporaneidade e por uma linguagem em permanente viagem pelo mundo. O nome: Miguel Vieira. Uma marca com 25 anos!

Desfile na Modalisboa. Fotografia Rui Vasco / Cortesia MLX.

 

No ano de 2013 celebra 25 anos de uma carreira preenchida pelo glamour e pela elegância de uma marca tão distinta dentro e fora de portas.
Foi um percurso muito longo que ainda não chegou ao fim. Quando decidi enveredar por uma carreira tive a feliz sorte de entrar por uma porta que se encontrava aberta, a qual se chama moda. Sinto que estou a 1/4 de uma carreira que requer muito trabalho e obriga a ter os pés muito bem assentes na terra.

A passagem de designer desconhecido até ao lançamento da primeira coleção com o nome de Miguel Vieira aconteceu em dois anos (1986/1988).
Tinha a contabilidade como base de estudo. Depois tirei o curso de controlo de qualidade têxtil e especializei-me, posteriormente, na área de tecidos. Um mero acaso. Entrei na área do design e comecei a trabalhar numa empresa onde estive mais próximo das peças. Foi uma processo muito moroso até a marca Miguel Vieira ser reconhecida dentro e fora do país.

A evolução da moda trouxe novos contornos a um sociedade rendida ao trendy.
Saímos de um cinzentismo para uma cultura de moda com as grandes multinacionais no nosso país, com a oferta de preços acessíveis. Uma realidade mais marcante na moda masculina, porque era muito conservadora. Hoje, arrisca-se muito mais, porque o homem preocupa-se muito com a sua imagem. Houve, portanto, uma grande evolução na moda.

Desfile no Portugal Fashion. Fotografia Ugo Camera / cortesia Portugal Fashion.

 

“Lutei sempre (…)
sem ter vergonha do meu país”

O prestigiado salto ocorreu numa época em que o cunho nacional era ignorado.
Lutei sempre a partir de Portugal, sem sair do meu país e sem ter vergonha do meu país. O ideal seria que Portugal se preocupasse com a sua própria imagem, pois há muitos que fabricam – o país tem uma excelente qualidade de fabrico –, mas uma parte produz para terceiros. Quanto à marca Miguel Vieira, produzirei sempre a roupa, o calçado, os acessórios… Tudo! Nunca quis criar para outras, para tornar a marca Miguel Vieira o mais nacional possível.

O fascínio pelo acessório sistematiza o conceito de vestir dos pés à cabeça?
O segmento que escolhi foi o de luxo. É um investimento enorme. Trabalho com as matérias primas mais nobres do mundo. Todos estes passos são importantes na minha vida, pois não quero depender das malas, das jóias, dos botões de punho, dos óculos nem do calçado de outras marcas. Atualmente, quando um modelo meu entra num desfile significa que consigo vesti-lo dos pés à cabeça. Já viajou muito. São abordados temas com forte componente de matéria prima de adulto.

A imagem de marca de Miguel Vieira, permanece na resistência dos opostos, com o branco e o preto?
É uma estratégia de marketing olhar para uma marca sem se ver o que está escrito, mas perceber que é Miguel Vieira. O logotipo preto e branco, a passerelle, o mediatismo. Há pormenores importante – nos desfiles masculinos, os homens  vestidos a preto e branco levam uma aliança em ouro. No entanto, e ao contrário do que se possa imaginar, é difícil trabalhar com o preto e o branco, daí que a parte criativa tenha de ter uma engrenagem muito forte. O desafio é grande, sobretudo em relação ao preto, pois basta que o material seja diferente para que se torne mais contrastante.

“A criação de uma coleção
implica uma coleção pensada para o mundo”

Quando pisa a passerelle sente um transbordar de emoções e sentimentos?
Sinto que estou a subir mais um degrau. Sinto que consigo comunicar com o mundo. Não posso pensar apenas na minha coleção só para Portugal. A criação de uma coleção implica uma coleção pensada para o mundo. Aqui está outro grande desafio.

Pensar uma coleção implica uma viagem global e um tema?
Quando se pensa numa coleção internacional implica pensar num todo. Estou a pensar na coleção de 2014, a qual tem de estar pronta dentro em breve, e tem de abranger o maior número de países possíveis – os compradores do Japão são mais baixos; os da Noruega e da Austrália são mais altos –, bem como as estações. Uma coleção tem de ser apetecível para pessoas de todos os tons de pele. Quanto aos temas, estes constituem uma metodologia para trabalhar, tornam mais fácil o fio condutor. Por isso, fazemos uma investigação mais aprofundada, a partir de um filme ou de uma música, por exemplo.

“Gosto de tudo o que é design”

O desígnio do mobiliário, a intenção de “vestir uma casa”, persiste no universo de Miguel Vieira.
Gosto de tudo o que é design, algo que me diz muito. Só consigo viver, ou procuro viver, com objetos de design. Gostaria de tirar o curso de arquitetura, pela sua filosofia, pela sua linha de pensamento, pois o design de interiores fascina-me muito. Neste contexto, o Hotel Farol Design, em Cascais, foi uma pequena experiência que me levou a pensar que valia a pena lançar uma coleção de mobiliário. É uma vertente que me seduz muito e com a qual aprendo bastante.

O dia a dia de um designer de moda nem sempre se traduz em charme…
O design de moda é uma profissão muito árdua. Observamos e absorvemos ideias durante 24 horas e, mesmo assim, o tempo não é suficiente, embora tenha muitos projetos em carteira.

+ www.miguelvieira.pt

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