Em concerto (o que foi, o que será): Birds are Indie

Como sabem, por terrenos Mutante(s) não somos de invejas. Falar do que já foi sem vos dar a oportunidade de comprovarem, não vale, não é justo. Assim, fazemos uma suma do que foi ver os Birds are Indie a atuar em casa, na sua Coimbra, e ainda vos relembramos as datas que se avizinham para os verem e ouvirem ao vivo. Assim, sim. Revelar: o que foi, o que será.

No dia 21 de fevereiro este bando de pássaros fez ninho no palco do Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) e como são aves de rapina (embora tentem não aparentar ser) raptaram o público para o palco. A plateia estava vazia. Ou não. A plateia de 100 pessoas, no palco, estava esgotada. Modelo já exercitado noutros palcos. No ar, o último trabalho de originais “Love Is Not Enough“… aquele que nos levou a tomar chá, com pássaros, há tempos não muito distantes (reler). Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano abriram o cerimonial ornitólogo com “Stay Over Here” e em modo non stop seguiram num ritual bem conseguido e equilibrado de música, interpretação, humor, desabafos, curiosidades… e a inevitável variedade de instrumentos que este bando leva para o palco, mantendo-se a Joana como mastermind neste território. Voando entre novos temas e temas antigos foi, sem margem para dúvidas, uma noite bem passada com direito a um real acústico final a duas vozes e ukelele, na estreia de um medley (sem rede).

Todavia, pelo meio verificámos que o bando cumpre com a palavra. Não era só a novidade de originais sonoridades, ou o estarmos todos no palco, que tornavam este concerto ainda mais singular. Prometiam, tais aves, convidados especiais. Cumpriram. Primeiro, João Rui (A Jigsaw) – acompanhou “Evelyn” e “Instead Of Watching Telly“, com dedilhar de cordas instrumental, no fim soltou o sonoro grito do Ipiranga musical: “Blues!“. Segundo, Jorri (A Jigsaw) – “The Place” e “High On Love Songs“, esteve bem a preceito nas teclas e na percussão, respetivamente. Terceiro, Diogo Pinto (Gobi Bear) – “Yellow Leaf” numa versão mais veloz, com toda a segurança habitual, nas teclas, standing up. Este regozijo de três convidados, deste gabarito, foi luxo caseiro que, quiçá, em voos futuros se repita. Fingers crossed for you all, para que tal feito, com estes ou outros ilustres, se repita.

Por fim, conforme anunciámos de início, resta-nos deixar-vos as datas para confirmarem que sair de casa, para ouvir um trio de aves, vale a pena e também para averiguarem se a Joana aproveita os concertos para telefonar, ou não:
01/03 – 21h30/ Ponte de Lima, Teatro Diogo Bernardes (1.ª parte/ 2.ª parte – A Jigsaw);
07/03 – 23h00/ Estarreja, Cineteatro de Estarreja;
14/03 – 21h30/ Lisboa, Biblioteca Orlando Ribeiro;
15/03 – 23h30/ Évora, Sociedade Harmonia Eborense… E mais datas estão na calha.

Colocar na agenda e ir. Bons sons…

© Fotografias: Carlos Gomes.