“Cut, frame and border” de Christiane Jatahy / TAGV

A encenadora brasileira Christiane Jatahy, destaque no último Festival Alkantara, regressa a Portugal com um novo espetáculo, em estreia nacional, para a abertura da Temporada 2016/2017 do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) – “Cut, frame and border”.

“Cut, frame and border” é a performance que a realizadora e encenadora brasileira Christiane Jatahy nos traz em estreia nacional, a partir do filme “Short Cuts” (“Os Americanos”, na versão portuguesa, 1993), de Robert Altman; retrato de relações, quotidianos, violência, diferenças sociais, uma crónica da vida na cidade.

De hoje, dia 14 até dia 16 de setembro, Christiane Jatahy vai estar em Coimbra para o estágio com os dezasseis atores e atrizes que compõem esta “companhia efémera”. A estreia nacional e a abertura da Temporada do TAGV ocorre este ano no espaço do Convento de São Francisco, em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra, no próximo dia 16 de setembro, integrada no projeto europeu École des Maîtres, representado pelo TAGV desde 2011 em Portugal. Algo que já anunciámos por aqui.

O TAGV integra, de novo, um dos mais significativos projetos de formação teatral avançada na Europa: o projeto École des Maîtres – Curso Internacional de Aperfeiçoamento Teatral. O curso internacional tem em 2016 o apoio de quatro países europeus – Portugal, Itália, Bélgica e França – e tem como objetivo relacionar artistas europeus com idades entre os 24 e os 34 anos, oriundos de escolas de teatro europeias e com experiência profissional, com encenadores de renome internacional.

Juntos participam “num trabalho baseado no encontro e no intercâmbio de conhecimentos, de metodologias e de práticas artísticas, partindo de textos, línguas e linguagens teatrais distintos. Em constante evolução, a École des Maîtres volta a renovar-se nesta vigésima quinta edição, ao desenvolver um percurso de formação itinerante que compreende diferentes etapas em cada um dos diferentes parceiros, tanto históricos como estreantes (com a entrada da Comédie de Caen – Centre Dramatique National de Normandie/França para o consórcio)“.


© Christiane Jatahy

E não, não podemos aplicar o termo workshop a ter lugar num determinado local, precedendo um conjunto de apresentações finais públicas. É sim de “um curso itinerante que compreende sete etapas, durante as quais o trabalho nos ensaios e a confrontação com o público dos diferentes países europeus são parte integrante do percurso de formação“. Após alguns dias de trabalho intensivo em Udine, de 01 a 06 de setembro, “o percurso de formação desenvolve-se ao longo dessas várias etapas europeias consecutivas durante todo o mês de setembro, para terminar com as representações públicas: Udine (7 de setembro), Roma (12 de setembro), Coimbra (16 de setembro), Liéges (20 de setembro), Reims (24 de setembro) e Caen (28 de setembro)“.

O coletivo de atores e atrizes que participam nesta 25ª edição são dezasseis, com uma representatividade de quatro por cada país aderente ao projeto – Arianna Di Stefano (IT), Astrid Meloni (IT), Alix Riemer (FR), Ana Vilela da Costa (PT), Clementine Colpin (BE), Fortunato Leccese (IT), Ines Dubuisson (BE), João Villas-Boas (PT), Karim Bel Kacem (FR), Laura Laboureur (BE), Maëlle Poesy (FR), Matteo Ramundo (IT), Natalie Beder (FR), Pauline Desmet (BE), Teresa Coutinho (PT), Vera Kolodzig (PT).

O projeto, este ano, é orientado pela encenadora convidada Christiane Jatahy (Brasil), criadora que esteve em destaque no último Festival Alkantara. Os seus trabalhos, desde 2003, dialogam com áreas artísticas distintas e muito especialmente com o teatro e o cinema. Em teatro montou algumas peças que transitavam entre as fronteiras da realidade e da ficção, do ator e do personagem, do teatro e do audiovisual. Atualmente viaja com “Julia”, adaptação e direção da obra “Senhorita Julia” de Strindberg. “Julia” é uma mistura de teatro e cinema ao vivo. Estreou em 2014 no Espaço Sesc a criação “E se elas fossem para Moscou?” a partir da obra “As três irmãs” de Anton Tchekhov, uma peça e um filme simultâneos mostrados em dois espaços diferentes. Atualmente, Christiane Jatahy é artista associada do Odeon Theatre d’Europe do CentQuatre em Paris.

A École des Maîtres, criada por Franco Quadri em 1990, completa este ano a sua vigésima quinta edição. Portugal esteve representado em 2004, 2011 e, a partir de 2012, o TAGV assume-se como parceiro, liderando anualmente o projeto em Portugal. Entre 1990 e 2016, já passaram vários criadores internacionais pela École de Maîtres: Jerzy Grotowski, Jacques Delcuvellerie, Jacques Lassalle, Luca Ronconi,
Anatolij Vasil’ev, Luis Miguel Cintra, Yannis Kokkos, Luca Ronconi, Lev Dodin, Jacques Lassalle, Alfredo Arias, Dario Fo, Matthias Langhoff, Eimuntas Nekrosius, Massimo Castri, Jacques Lassalle, Eimuntas Nekrosius, Jean-Louis Martinelli, Jacques Delcuvellerie, Giancarlo Cobelli, Denis Marleau, Jan Fabre, Carlo Cecchi, Rodrigo García, Pippo Delbono, Antonio Latella, Enrique Diaz, Arthur Nauzyciel, Matthew Lenton, Constanza Macras, ricci/forte e Ivica Buljan.

Este ano, Christiane Jatahy estreia a performance “Cut, frame and border” que tem como referência a obra do cineasta Robert Altman
“Short Cuts”. “O projeto aborda as relações interpessoais na contemporaneidade, tomando-as como imagens de uma realidade social que se comprime
e explode; em cidades partidas, em apartamentos espremidos, em choques e violências, em grandes assimetrias sociais, em fronteiras invisíveis e visíveis; trata-se de uma espécie de crónica fragmentada do que se olha em volta ou, por outras palavras, da experiência coletiva da pólis”.

Por tudo isto, no próximo dia 16 de setembro, pelas 18h00, não deixe de passar pelo Convento de São Francisco, em Coimbra. A entrada para ver teatro em crescimento é gratuita. •

+ TAGV
© Fotografia de destaque: “Cut, Frame and Border”, Apresentação pública em Roma, DR.

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