Segue-me à Capela & Galandum Galundaina

As Quintas do Conservatório continuam a dar-nos boa música e animação, com aquela oferta plural e programação diversificada, a que tão bem nos habituaram, em duas temporadas: Sagração da Primavera nos meses de março, abril, maio; Cores de Outono nos meses de outubro, novembro e dezembro. Hoje, falamos de dois nomes para esta semana.

São sete mulheres e trabalham a música tradicional portuguesa usando a voz como instrumento principal que se desdobra para recriar cenas de trabalho, romaria e também folia, cruzando o sagrado e o profano e ultrapassando limites geográficos e locais, navegando pelo galaico-português, pela diversidade do canto português e indo beber a árabes e judeus numa confraternização que o canto sabe juntar. São as Segue-me à Capela. Muitas vezes acompanhadas por instrumentos de percussão como o adufe, a caixa, a cegarrega, o bombo e uns tantos apontamentos cénicos, cantam para evocar memórias antigas que transportem o inefável transcultural da nossa história. Se nunca ouviu, este concerto é oportunidade a não perder. Em Dezembro de 2015, lançaram o “San’Joanices”, paganices e outras coisas de mulher, um CD-livro dividido em 7 capítulos – tal como 7 são os dias da semana, as fases lunares, os pecados mortais, as notas musicais – com o nome de artes fugidias: artes, porque da arte de cantar se trata, fugidias porque, nunca imutáveis, abrem-se a novas explorações e experiências musicais.

Todavia, as Segue-me à Capela não serão as únicas vozes da noite. Galandum Galundaina é grupo que faz parte da genealogia de uma região com um património musical e etnográfico único, que durante muito tempo ficou esquecido. Ao longo dos últimos 20 anos o Galandum Galundaina tem contribuído para o estudo, preservação e divulgação da identidade cultural das Terras de Miranda, Nordeste Transmontano. O seu trabalho de investigação e recolha, junto de pessoas mais velhas com conhecimentos rigorosos do legado musical da região, a par da formação académica na área da música, concretizou-se num sentido renovado no modo de entender as sonoridades que desde sempre conheceram. Com a sua música não procuram criar novos significados, mas antes descrever os lugares e a vida, encontrar as raízes que permitem que a cultura se desenvolva. Em palco os quatro elementos apresentam um repertório vocal e instrumental na herança do cancioneiro tradicional das Terras de Miranda, onde as harmonias vocais e o ritmo das percussões nos transportam para um universo atemporal. Das memórias da Sanfona, da Gaita-de-foles Mirandesa, da Flauta pastoril, do Rabel, do Saltério, do Cântaro, do Pandeiro mirandês, do Bombo e da Caixa de Guerra do avô Ventura, nasce uma música que acumula referências, lugares, intensidades, tempos. Para Galandum Galundaina a música não se inventa, reencontra-se. “Quatrada” é o novo disco de Galandum Galundaina e marca o início das comemorações dos 20 anos do grupo.

Nas Segue-me à Capela temos Ananda Fernandes; Catarina Moura; Joana Dourado; Mila Bom; Guida Pinheiro; Maria João Pinheiro; Sílvia Franklin. Em Galandum Galundaina temos Paulo Preto; Paulo Meirinhos; Alexandre Meirinhos; João Pratas. Dia 10 de novembro, pelas 21h30 em Coimbra, no Grande Auditório do Conservatório de Música, é noite a não perder. •

+ Segue-me à Capela
Galandum Galundaina
Conservatório de Música de Coimbra
A2C2
Quintas do Conservatório
Conservatório na Mutante
© Imagem: pormenor do cartaz de divulgação.

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