Lisboa Mistura 2017

Lisboa que já teve como seu nome “Olisipo Felicitas Julia”, ou seja – “Lisboa cidade da felicidade de Júlio César” -, faz-nos imaginar, sem esforço, o Imperador Romano no meio do Tejo a sentir esta felicidade… Mas Lisboa já foi Moura, Africana, rampa das Descobertas pelo Atlântico e agora é mais europeia que nunca, mais internacional, e tudo se prepara para nova festa.

O Lisboa Mistura, está de volta, este que é um encontro entre ritmos e culturas para sentir o pulsar da cidade e do mundo, encontra um novo local para a edição de 2017 este ano: a Ribeira das Naus, junto ao Tejo, foi considerado, até agora, o mais inspirador para este conceito que se afirmou desde 2006 como espaço intercultural destinado à comunidade urbana de Lisboa. Usando a música e a cultura musical como ponte para as dimensões sociais e políticas que integram o cosmopolitismo de uma Lisboa pujante e cheia de desafios, o Tejo funcionará como uma fronteira habitável que acolhe e desafia. “Aliás, usar o rio Tejo como metáfora de cruzamentos, misturas férteis e de ecologias da curiosidade é natural para o Lisboa Mistura. E queremos, como César, recuperar e mostrar a ‘Felicitas’ que esta maravilhosa cidade pode trazer para todos“.

Com a água, “do Tejo ao Atlântico, que se liga a outros Oceanos, queremos celebrar também, nessa fertilidade nos caminhos da curiosidade, o princípio matriarcal do Renascimento, por isso teremos uma forte presença feminina no Lisboa Mistura 2017. E também pelo Atlântico nos associamos à celebração das culturas Ibero-Americanas que Lisboa este ano capitaliza“. Desde a sua primeira edição, o Lisboa Mistura convida artistas nacionais e internacionais a levarem novos ritmos à cidade e, simultaneamente, a OPA (Oficina Portátil de Artes) – funciona como plataforma para artistas emergentes e representantes das diversas comunidades que constituem a cidade de Lisboa.

O convite está feito para ir experienciar, junto ao Tejo, as sunset sessions, as arruadas, os concertos e as gastronomias ao ar livre na Ribeira das Naus entre os dias 20 e 22 de Julho 2017 – é gratuito, é para todos. Não há desculpas para ficar em casa. Eis uma suma do programa:

20/07
A OPA – Oficina Portátil de Artes faz 11 anos. Constituiu-se e afirmou-se como projecto pedagógico, trabalhando com mais de 100 jovens de diversas origens e bairros de Lisboa. As apresentações são o resultado de várias residências artísticas dirigidas por Francisco Rebelo (Orelha Negra), onde, num processo colaborativo, se constrói e afina a narrativa das mesmas.
La Chiva Gantiva nasceu numa Bruxelas multicultural, quando três imigrantes colombianos se juntaram à volta de um kit de percussão, movidos pelo desejo de produzir música original e afirmar as suas raízes culturais. Este encontro resultou numa mistura de ritmos afro-colombianos e tradicionais, que rapidamente assimilou contribuições de músicos de todo o mundo: os membros actuais de La Chiva Gantiva são de origem colombiana, vietnamita, belga e chilena.

21/07
Soweto Kinch é um premiado saxofonista, MC e compositor com uma personalidade muito vincada no âmbito da fusão de Jazz, Rap e Spoken Word. E é esta versatilidade que o coloca no patamar de um dos músicos mais cobiçados, quer no panorama britânico de jazz, quer no de Hip Hop. Soweto ignora barreiras musicais e, entre grooves contemporâneos, improvisações ao saxofone e letras freestyle, entrega-se em emocionantes e virtuosas actuações, onde energia é a primeira palavra de ordem.
Fique atento a Oum. Marroquina e com raízes Saharianas, Oum impressiona-nos com uma notável combinação de poder e sensibilidade. Com a sua voz sensual, explora a diversidade da música marroquina e mistura-a com soul e ritmos Gnawa e Hassani. Inspirada não só pela música do seu país natal, mas também pela música de todo o continente africano e pelo jazz, Oum desenvolve um subtil mundo musical no qual as suas origens saharianas ecoam.
Depois do sucesso do seu primeiro álbum Soul of Morocco, Oum regressa com um novo projecto intitulado Zarabi, que significa “tapete” em Darija, linguagem corrente de Marrocos. Testemunho da diversidade cultural e das suas identidades musicais, é também uma alusão ao processo de recolher, tecer e reunir numa criação várias lembranças e emoções presente simultaneamente no trabalho destas mulheres e no processo de criação de Oum.

22/07
As influências de Gaye Su Akyol confundem-se com as da sua cidade natal, a magnífica Istambul. De voz envolvente e hipnótica, simultaneamente doce e sombria, leva-nos em viagens onde conseguimos sentir todas as diferentes experiências por que passou. O seu segundo e último álbum “Hologram Imparatorlugu”, lançado em Novembro de 2016, foi um marco na cena musical underground de Istambul num contexto político cada vez mais difícil e mais severo para artistas como Gaye.
O projecto AAMA foi idealizado pela cantora e compositora Mili Vizcaíno. Com um percurso marcado pelo jazz, Mili tem-se dedicado à Música Carnática – estilo musical com uma tradição milenar originário da região de Tamil Nadu, Sul da Índia. É esta a base do projecto, embora registos como o jazz, o flamenco ou a bossa nova se façam notar em muitos dos temas.

19/07 – “Pré-Mistura”
O Lisboa Mistura convida para a Festa da Diversidade. Lisboa é palco de algumas iniciativas socioculturais que procuram estimular o diálogo intercultural e os valores da solidariedade e da igualdade. Estas iniciativas merecem da parte de todos uma concertação estrategicamente mais sustentada e essencialmente mais dialogante. A confluência das agendas das várias entidades e pessoas envolvidas nos valores interculturais podem ser potenciadoras desta dinâmica.  Neste espirito de diálogo o Lisboa Mistura convida a Festa da Diversidade para integrar o seu programa, abrindo o festival com um concerto com alguns artistas que por razões de força maior não puderam actuar na Festa da Diversidade este ano. As apresentações decorrerão em tom de “Pré- Mistura” no B. Leza, no dia 19 de Julho.

Para informações mais detalhadas, é só seguir os links no final desta nota. De resto, é colocar na agenda e viver a cidade numa mistura ritmada de culturas, de sonoridades. É sentir uma Lisboa feita de Mistura(s). Alinha? •

Lisboa Mistura
Sons da Lusofonia

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