(en)cantos do Manta / CCVF

O Manta – jardim musical que o liga à natureza e arquitetura pelas artes – apresenta, na sua 13.ª edição, um programa que emana exotismo e encanto com concertos a não perder. O encontro na relva está marcado para os dias 06 e 07 de setembro no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), e prolonga-se ao longo de cinco concertos com acesso gratuito, um deles dedicado ao público infantil, aposta afirmada do festival. A nova temporada cultural d’A Oficina abre-se assim (para todos) em contacto com a natureza e a música, num mês que é de aniversário para o CCVF.

Como já vai sendo tradição, a temporada cultural em Guimarães abre-se no jardim do CCVF com vista para a cidade e na presença de artistas de variadas origens e estilos, sempre com uma forte presença autoral nacional e internacional. A história do Manta é longa, mas continua a escrever-se com vitalidade. Assim, a noite de sexta-feira, 06 de setembro, conjuga duas propostas que o fará viajar por um universo algo exótico e sonhador. O artista brasileiro Momo – admirado por Patti Smith e David Byrne, com Camané como outro dos seus fãs confessos e com o qual gravou o tema Alfama – tem um novo álbum pronto a lançar com repertório autoral composto por dez canções gravadas em três idiomas. Gravado em Los Angeles (EUA), este seu mais recente trabalho conta com a produção musical de Tom Biller, que tem no currículo artistas como Elliott Smith, Fiona Apple, Sean Lennon, Karen O, Warpaint e Kanye West, entre outros. E vai partilhá-lo no relvado do Manta, antes de uma longa caminhada pelos palcos nacionais e internacionais.

O encantautor brasileiro criará a atmosfera ideal para a entrada em cena da superbanda de Bruno Pernadas, um dos mais inspirados e interessantes compositores pop portugueses, numa combinação perfeita para uma noite de verão. Músico multi-instrumentista, para além de produtor, Pernadas lançou-se desde cedo à guitarra, ao piano, ao baixo, sintetizadores e bateria, entre outros instrumentos que o levaram a participar ativamente em variados projetos e a apresentar-se em festivais de música na Europa, América do Sul e Japão. Bruno Pernadas lançou, até ao momento, três álbuns em nome próprio: “How can we be joyful in a world full of knowledge” (2014), “Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them” (2016) e “Worst Summer Ever” (2016), percorrendo vários estilos musicais como jazz, pop, folk, música do mundo e eletrónica. O seu trabalho tem sido aclamado pela crítica, colecionando elogios e tendo já sido nomeado para melhor álbum do ano em diversas publicações dedicadas ao universo musical. Como músico freelancer, reparte-se pelo trabalho com diferentes bandas e artistas, participando ainda como compositor de temas para filmes como “Patrick”, de Gonçalo Waddington, e “Four men on a raft”, de Orson Wells. Não é fácil decorar os títulos dos seus discos. Já a sua música, essa fica para sempre no corpo.

No sábado, 07 de setembro, o programa começa pela tarde com nova atuação de Bruno Pernadas, desta vez em concerto especial para os mais novos, uma proposta acrescentada na edição anterior do Manta e reforçada este ano. Da tarde, saltamos para o primeiro concerto da noite com Serushiô, acompanhado em palco pelos seus habituais cúmplices e as suas melhores canções. Com duas participações no Westway Lab em formatos diferentes (Residências Artísticas e City Showcases), bem como atuações no Vodafone Paredes de Coura e além fronteiras no Canadá (CMW2014), França, Espanha e Holanda (Eurosonic – ESNS 2018), Sérgio Silva encabeça Serushiô, conhecidos pelas suas entusiasmantes performances ao vivo e criatividade instrumental, desenhando um som que navega pelo blues tradicional e melódico e pelo rock n’ roll. A variedade instrumental é uma das imagens de marca deste multi-instrumentista, compositor e produtor. Com quatro discos editados, os Serushiô desembrulham em Guimarães o recém-lançado trabalho Open Range, álbum que os eleva a um novo e vasto leque sonoro, sem perder a sua verdadeira identidade.

Carisma e talento são duas caraterísticas que igualmente podemos identificar na norte-americana Holly Miranda, aclamada artista internacional convidada para fechar o Manta, em versão mais intimista. A cantautora nasceu em Detroit, em 1982, tendo iniciado a sua carreira em 2001. Começou a tocar piano com apenas seis anos de idade. Pegou na guitarra na adolescência, período em que se muda para Nova Iorque à procura de viver o sonho da música acompanhada pelas suas próprias canções. Num percurso construído essencialmente a solo, há a registar a sua passagem pela banda The Jealous Girlfriends, que integrou até 2008. Da sua discografia contam-se cinco álbuns. Além dos discos a solo e com a referida banda, Holly já colaborou com Scarlett Johansson e tocou com artistas tão reputados como Florence And The Machine, Karen O, Lou Reed, The xx ou Lesley Gore. Miranda, muitas vezes comparada a Feist e Cat Power, esgotou o Hard Club no final de 2018 e seguramente trará essa mesma força ao relvado do jardim do CCVF através do seu mais recente álbum Mutual Horse (2018), momento em que poderemos ouvir a voz celestial de Holly, ao vivo, no Manta (às 22h30). Assim se pratica este ritual urbano de eleição no final de verão: no regressar à cidade, encontrar a comunidade no inspirador jardim do CCVF, estender a Manta e sentir o poder da música.

Sem mais demoras, o programa para mais facilmente anotar na sua agenda e não perder pitada:
06/09
21h30 Momo
22h30 Bruno Pernadas
07/09
15h30 Concerto para os mais novos com Bruno Pernadas
21h30 Serushiô
22h30 Holly Miranda

+ CCVF
© Fotografia: Bruno Pernadas por André Guiomar.

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