Quinta Nova cimenta gamas com novo perfil

Os vinhos Quinta Nova Reserva Blanc de Noir, Touriga Nacional e Terroir Blend ostentam novos rótulos. Mirabilis Branco mantém a identidade visual, mas muda de perfil. Eis as novidades do produtor duriense.

As gamas Quinta Nova Reserva – Blanc de Noir, Touriga Nacional, e Terroir Blend – e o Mirabilis branco são já o resultado da interpretação de uma nova visão e de um trabalho de adega diferente do que foi feito até ao presente

A adega de 2003 foi projetada para produzir, inicilamente, vinhos do Porto. A proporção, na altura, rondava os 70% de produção de vinhos fortificados para apenas 30% de vinhos tranquilos. Nos últimos anos, o paradigma mudou e, atualmente, o foco da produção está nos DOC Douro. “Os consumidores mudaram e é necessário adaptarmo-nos”, justifica Luísa Amorim, CEO Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.

O primeiro passo para a mudança foi dado em 2023 com a remodelação da adega instalada no edifício original datado de 1764. As 32 cubas em cimento dispostas em duas cotas diferentes representam os socalcos da paisagem duriense.

A parceria entre as famílias Amorim e Cotarella

No início de 2026, foi dado outro passo com o anúncio da parceria entre as famílias Amorim e Cotarella. Riccardo Cotarella, de 78 anos, é frequentemente referido como o “enólogo do Papa”, devido ao seu trabalho realizado com o Vaticano e, apesar da idade, continua bastante ativo. Mantém a ligação ao ensino, colaborando como professor de Enologia na Universidade da Tuscia (Università degli Studi della Tuscia), além de que desempenha os cargos de Presidente Nacional da Assoenologi, a associação italiana de enólogos, e de Presidente da União Internacional de Enólogos.

“O objetivo é aprofundarmos o diálogo e o conhecimento entre dois dos grandes países do vinho a nível mundial, Portugal e Itália, que, ao longo dos séculos, desenvolveram uma observação empírica do seu vasto património genético e das suas práticas vitivinícolas ancestrais”.

Riccardo Cotarella afirma que “Nos projetos liderados por Luísa Amorim encontrei uma profunda atenção ao detalhe e ao saber‑fazer local, com cada propriedade a ter a sua própria equipa de viticultura e enologia — pessoas muito experientes e sábias na viticultura de montanha, com um enorme respeito pela filosofia da viticultura em mosaico, que explora nano e micro‑parcelas de castas nativas portuguesas. Em Portugal, os enólogos têm o privilégio de trabalhar com dezenas de variedades nativas e a capacidade de criar lotes únicos. A forma natural como estes grandes enólogos combinam tantas castas, preservando o equilíbrio e a identidade de cada vinho, é uma arte rara que nunca tinha presenciado.”

“Eu próprio venho aqui para partilhar e também aprender.”

Esta colaboração estende-se, ainda, às outras propriedades da família Amorim, Taboadella, no Dão, e Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo. Nos três projetos, há uma estreita ligação entre Riccardo Cotarella e os enólogos residentes: António Bastos, na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, Rodrigo Costa, na Taboadella, e António Cavalheiro, na Herdade Aldeia de Cima.

As novidades das gamas Reserva Quinta Nova e Mirabilis branco

Os primeiros resultados destas mudanças trazem vinhos com um perfil mais fresco, elegante e contemporâneo. São vinhos que “traduzem, com grande fidelidade, a essência das parcelas da Quinta Nova e todo o trabalho de viticultura que temos desenvolvido ao longo de 26 anos”, afirma Luísa Amorim.

Por outro lado, a forma como vivemos e nos relacionamos com a comida e com o corpo também mudou. Procuramos novos modos de viver em que ser prazeroso é importante “A cultura do vinho que dá prazer à mesa partilhada com os amigos é o que faz sentido”, acrescenta Luísa Amorim.

A crescente importância dos vinhos brancos…

Cada vez mais admirados e consumidos, os vinhos brancos foram, desde o início, uma aposta da Quinta Nova, numa época em que o Douro ainda insistia nos tintos. Atualmente, nesta propriedade duriense, produzem-se cerca de 42% de brancos para 58% de tintos.

E é pelos vinhos brancos que começamos com as boas novas. O Quinta Nova Reserva 2025 Blanc de Noir é o vinho branco assumido da Quinta Nova. As uvas são oriundas de 12 parcelas plantadas com Tinta Roriz, a uma cota a 300 metros de altitude. É um vinho fresco e muito gastronómico, mais seco do que os anteriores. O estágio em cimento acrescenta-lhe textura e persistência.

O Mirabilis branco 2024 é a fina flor dos brancos, com origem em diferentes parcelas de vinhas velhas espalhadas pela região plantadas entre os 500 e os 600 metros de altitude. Esta edição apresenta-se com uma maior ligação ao verde da natureza, tanto na cor, como no sabor. Com menos madeira sobressaem as notas de pólvora, fruta branca é cremoso e muito gastronómico.

… e os novos tintos

Passando para os dois tintos, o Quinta Nova Tinto Reserva Terroir Blend 2024 é, para António Bastos, o enólogo da casa, “a Quinta Nova engarrafada”. “Sem acrescentar as coisas especiais”, salvaguarda Luísa Amorim. Um blend de Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão, do qual se destacam os aromas da fruta azul que sobressai no nariz. Um vinho para beber com calma e ir acompanhando a transformação com a exposição ao oxigénio.

O Quinta Nova Reserva  Touriga Nacional 2024 é a expressão do Douro clássico aliada com a extrema elegância e grande textura do cimento da nova adega.

Os novos rótulos das gamas Reserva…

Os vinhos Quinta Nova Reserva Blanc de Noir, Touriga Nacional e Terroir Blend ao novo perfil acrescentam uma nova identidade visual. Uma nova imagem que alia o simbolismo da Capela de Nossa Senhora do Carmo, um dos marcos mais identitários desta propriedade, com uma linguagem gráfica mais descontraída e contemporânea. O objetivo é aproximar a história e o público mais jovem da marca.

Interior da Capela de Nossa Senhora do Carmo
… e uma parte da história do Douro

Reza a história no Douro que a capela foi construída pelos barqueiros que navegavam este troço do rio homónimo, num local conhecido pelo Penedo do Carmo, o segundo ponto mais temido da região, logo após o Cachão da Valeira, pedindo proteção a Nossa Senhora do Carmo, para atravessar este trecho com segurança

Nesse lugar, conhecido como o Ponto do Carmo, os barqueiros invocavam a proteção de Nossa Senhora do Carmo antes de enfrentar um dos trechos mais imprevisíveis do rio Douro. Ali, a corrente estreitava, ganhava força, criando redemoinhos e contracorrentes capazes de desviar ou virar um barco rabelo carregado de pipas. Para agravar o perigo, existiam rochas submersas, que podiam rasgar o casco ou prender o leme.

Uma boa história e um grande vinho são sempre excelentes companheiros à mesa. Tchim-tchim!

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
© Fotografia João Pedro Rato

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