Conforto, bom gosto e serenidade. Assim é este espaço de bem comer à beira-mar algarvia, onde a cozinha mediterrânica se cruza com a portuguesa, pelas mãos de um chef francês conhecedor dos sabores mais a sul do nosso país.

A casa em madeira, instalada entre frondosos pinheiros e acessível por um passadiço feito a partir do mesmo material natural, a caminho da Praia da Almargem, na cidade piscatória algarvia da Quarteira, no concelho de Loulé, não deixa ninguém indiferente. Mesmo quem sabe que se trata da Cabana Sass’, restaurante aberto desde setembro de 2025. De olhos postos no Atlântico, cujas águas banham a Praia da Lagoa, vizinha da Lagoa da Foz do Almargem, este espaço de bem comer respira conforto.
Antes de entrar, vale a pena desfrutar da vista e da tranquilidade, agora complementadas pelo lounge a céu aberto, para quem pretende apenas picar e refrescar o corpo e a alma com uma (ou mais) bebida, durante a tarde e a noite. Já o interior, em madeira, tem a assinatura da arquiteta de interiores Gracinha Viterbo. A seleção de mobiliário, sofás inclusive, e das peças decorativas, a par com os candeeiros, cumplicia com a essência intimista da Cabana Sass’, de um luxo descontraído de onde não apetece sair.

A história da Cabana Sass’ tem uma explicação. A família de Samuel Trèves – Samy Sass para os amigos –, o proprietário, já tinha uma casa em Santa Bárbara de Nexe, no Algarve, daí ter escolhido este lugar para implementar o restaurante, cuja génese está no Sass Café, em Monte Carlo, no Mónaco, de Salvador Trèves, aka Sassa, fundado em 1993 e tornado um ex-libris da movida do principado com o Mar Mediterrâneo a seus pés.
Contrariamente ao Sass Café, o Cabana Sass’ corresponde à tranquilidade que, invariavelmente e de forma crescente, muitos portugueses e estrangeiros procuram em terras algarvias. E isso é visível na decoração depurada e, simultaneamente, elegante, com grandes janelas de vidro viradas para o Atlântico, bem como nos pratos elaborados pela equipa do chef francês Nicholas Largillet, natural de Nice, que está por cá desde junho de 2025 e cujos temperos têm sempre uma particularidade.
Sabor de chorar por mais
Na cozinha, aberta para a sala, as tarefas parecem fluir discretamente. Dali saem os primeiros sabores da ementa, como o cesto de legumes da Cabana Sass’, com tzatsiki, molho de origem grega, feito à base de iogurte – ao invés do pepino, entra o funcho e ambos fazem o pleno com os vegetais crus, em tiras ou pedaços (couve-flor, pepino, pimentos, entre outros), dispostos numa tábua em madeira. As lulas fritas com molho cremoso de trufa e yuzu consiste numa das entradas mais pedidas, bem como o clássico atum aburi, com maionese fumada e servido numa fina tira de pão crocante, que se revela picante q.b. Mas o tiradito de robalo, uma das sugestões do chef, em nada lhe fica atrás, graças ao sabor e à combinação com o azeite, com o toque do limão e do cebolinho – vale a pena ter pão à mesa, para este momento, para que o molho não se fique pelo prato.
Nas saladas, impera a chop chop da Cabana Sass’, com os vegetais finamente cortados e decorados com pinhões, perfeita para acompanhar o frango ao limão, acompanhado por batatas fritas em palito. A mesma recomendação recai na saborosa penne, feita no restaurante – “tudo aqui é feito em casa”, reforça o chef Nicholas Largillet, que se dedica à cura do peixe e à feitura de peixe fumado, por exemplo –, com pesto, feito a preceito, e burrata.

Nicholas Largillet, aficcionado por peixe, é o chef de Nantes que, em 2025, trocou o Mónaco pelo Algarve, para cozinhar na Cabana Sass’
Quanto ao peixe, um dos temas centrais do Cabana Sass’, Nicholas Largillet, conhecedor da culinária nipónica – trabalhou no restaurante japonês The Niwaki, no Mónaco –, garante que é fresco. Peniche, Açores e sobretudo Algarve são as origens mais procuradas pelo chef no mercado do peixe e da fruta de Quarteira. Tudo é feito em prol da comida mediterrânica combinada com a cozinha portuguesa, e em que as plantas aromáticas, encontradas pelas serras algarvias, têm um papel a desempenhar nos pratos. O resultado é apresentado em pratos de cerâmica ou recipientes em madeira, de modo a prolongar o alinhamento orgânico da Cabana Sass’, que convida a viajar por várias latitudes gasrronómicas. Sem esquecer o vinho que transporta os clientes a outras partes do mundo, Portugal incluído.

Tiramissu à mesa da Cabana Sass’
Paralelamente, há, todos os dias, outras sugestões do chef. Risotto de tamboril com açafrão e espuma de ricota, bife tártaro com caviar e salada de carnaguejo com caviar são algumas das propostas destacadas por Maria Mello, o braço direito de Jean Baptiste Murrel, general manager do restaurante. Mas nada melhor que se despedir, sem se deixar de assistir à mise en scène feita em torno do tiruamisu elaborado à mesa ou da mousse de chocolate.
Eis a linha algarvia da marca Sass’. Apesar desta última ser “muito conhecida mundialmente”, nas palavras de Maria Mello, muitos dos clientes estrangeiros do Cabana Sass’ desconhecem o Sass ‘original’, “e saem daqui a querer conhecer o Sass Café, no Mónaco”, acrescenta.
Sobre a equipa do restaurante, há elementos de algumas nacionalidades, pormenor que acaba por facilitar o serviço de sala: “atribuímos as pessoas do staff a uma determinada mesa, consoante a língua.” A mesma sensibilidade se estende ao tipo de cliente, que, de acordo com o perfil, elegem um empregado que reflita a mesma forma de estar. Em suma, “há um atendimento personalizado” no Cabana Sass’.
É ir! Bom apetite!








