Quem não gosta de se sentar à mesa, rodear-se de amigos, beber um bom vinho e saborear petiscos não tem sangue português a correr-lhe nas veias. Aliás, não tem sangue, ponto final. Por isso, qualquer indicação em direção a uma destas iguarias é sempre recomendada. E assim, só podemos dizer: siga em frente ao mais recente livro do chef Vítor Sobral. Depois, é só juntar amigos e umas boas garrafas de vinho. E está feito o dia!
Num almoço de verão, temperado com chuva, e no ambiente descontraído da Cervejaria da Esquina, Vítor Sobral apresentou o seu novo livro, “Petiscos da Esquina”. Pelo nosso paladar foram passando croquetes, sapateira, filetes de salmão, jaquinzinhos, lingueirão, lapas e prego no pão, entre outras delícias, algumas delas presentes neste “Petiscos”. Dividido em quatro capítulos – Frio, Natural, Quente e a Ferver –, o livro vai cruzando a gastronomia portuguesa com os sabores brasileiros e angolanos, ou não fosse o reflexo da cozinha que é servida em Lisboa (Tasca da Esquina e Cervejaria da Esquina); São Paulo (Tasca da Esquina e Taberna da Esquina) e João Pessoa (Tasca da Esquina), no Brasil; e em Luanda, Angola (Kitanda da Esquina). Hugo Nascimento e Luís Espadana são os dois braços direitos desta parceria que conta já com 17 anos de história, conforme se lê na introdução.
É verdade que nem todas as receitas – ao todo, são 63 – são de preparação fácil, sobretudo para quem tem pouca experiência na cozinha, mas são acessíveis, ou seja, não implica dominar técnicas muito complicadas, ainda que os termos possam confundir os mais atentos. Na receita Cogumelos Gratinados, na pág. 102, por exemplo, afirma-se “emulsione a hortelã, a curgete, a cebola e o alho com o azeite até obter uma emulsão homogénea”. Além da repetição desnecessária, a emulsão não envolve só ingredientes líquidos? Ou basta haver um ingrediente líquido para se falar em emulsão? Adiante, talvez não seja relevante. Aqui, o que vale, de facto, são os sabores e a forma como eles casam no prato e, no final, na nossa boca. E é pela lente de Nicolas Lemonnier, conhecido fotógrafo de comida, que começamos por entrar na gastronomia portuguesa que sai das mãos de Vítor Sobral neste “Petiscos”.
No final, o chef apresenta uma série de notas sobre alguns dos ingredientes-base da sua cozinha. Aconselha-se a sua leitura, antes de se entregar aos tachos.
Depois, é só fazer boa figura perante os amigos.
210 páginas / 18,90€
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