1755-2025: A mestria relojoeira em exposição

O relógio de bolso, datado de 1825, com motivo floral em três tons de ouro de 18 quilates, é um dos exemplos da minúcia manual usada na técnica de relevo ou entalhe

A 17 de setembro de 1755, Jean-Marc Vacheron criou a própria oficina de relojoaria, em Genebra, na Suíça. Eis o marco da fundação da Maison Vacheron Constantin, uma história já com 270 anos representada pela coleção Patrimony, exposta, até à última semana de janeiro, no n.º 192 A, da Avenida da Liberdade, em Lisboa. O relógio de corda, com caixa savonette gravada e guilloché, de 1778, é o testemunho das primeiras criações desta casa. Trata-se de um relógio de bolso em prata, cuja tampa é um dos exemplos maiores da arte minuciosa denominada guilloché, que consiste numa técnica de gravação traduzida em motivos regulares e repetitivos. O mostrador é esmaltado e adornado com 12 algarismos romanos. A peça é acompanhada por uma chave, para dar corda manual.

Por toda a mostra, mais de uma dezena de exemplares de uma coleção privada, com registo entre os séculos XVIII e XXI, testemunham as principais técnicas de manufatura implementadas na Vacheron Constantin. Além do guilloché, há a gravação feita por mestres, que trabalham o relevo, como se pode ver no relógio de bolso de 1825. O poder do detalhe estende-se ao engaste, isto é, à cravação de uma pedra preciosa numa base previamente perfurada, arte iniciada no início do século XIX. Resultado? Uma verdadeira joia relojoeira, aqui ‘interpretado’ pelo Lady Kalla Flamme, de 2010.

Depositar pó de esmalte com o auxílio de um pincel extremamente fino, imperando a cozedura da peça, tarefa repetível tantas vezes quantas as necessárias, até resultar no objeto pretendido. É o caso do relógio de bolso de 1901, igualmente representativo de Grande Complicação, com cronógrafo monopulsador (um só botão integrado na coroa) e escala taquimétrica, calendário perpétuo astronómico (a astronomia está presente desde os primórdios da Vacheron Constantin) e repetição de minutos. Mas há uma obra-prima da Grande Complicação, o Patrimony Tradicionelle em platina, de 2010. É composto pelo turbilhão, mecanismo datado do século XVIII e criado para os relógios de bolso, com o objetivo de eliminar os erros de cadência gerados pela gravidade nestes objetos, porque eram usados na posição vertical e repousavam na posição horizontal.

Relógio quadrado assimétrico, de 1964, de extrema finura traduzida na aplicação de corda automática 1120, com a espessura de 2,45 milímetros

Em suma, a coleção Patrimony, símbolo dos 270 anos da Vacheron Constantin, é uma espécie de volta ao mundo da constante evolução num ofício protagonizado por mestres da manufatura aliada à arte do saber-fazer e ao design dos tempos.

É ir!

Vacheron Constantin
© Fotografia: D.R.

Legenda da foto de entrada: Relógio de bolso tipo savonette Grande Complicação, com mostrador esmaltado, datado de 1091

Já recebe a Mutante por e-mail? Subscreva aqui