
Maior altitude, clima fresco, solos bem drenados e vinhas com com quase 50 anos de média de idade são os fatores distintivos
Representa apenas 3% da área de vinha da região dos Vinhos do Tejo, 375 hectares de um total de 12479 hectares. É um nicho que acrescenta mais em diversidade do que em quantidade.
O relevo, com uma cota média de 232 metros, chegando perto dos 400 metros no ponto mais elevado, é o fator decisivo desta pequena área de vinhedos plantados em encostas com diferentes exposições.
O clima, mais fresco e húmido com precipitação anual acima dos 800 milímetros, podendo chegar aos 2000 milímetros – sendo a média da região na ordem dos 750 milímetros –, é propício a maturações mais lentas e, consequentemente, à preservação da acidez. As amplitudes térmicas diárias e as temperaturas também são mais moderadas.
Os solos serranos são predominantemente pedregosos, com presença de xisto e granito, bem drenados e pobres. As condições naturais mais exigentes levam as videiras a tornarem-se mais resilientes, com raízes mais profundas, resultando num crescimento mais equilibrado e em produções moderadas ou baixas, tendo em conta a média da região.
As vinhas estão dispersas pelos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação e têm uma média de idade que ronda os 47 anos. O modo de plantação segue a mistura de castas ou field blend (20,1%), havendo casos de brancas e tintas no mesmo talhão. Nas castas brancas, predomina o Fernão Pires, com 19,3%, seguida de Arinto, apenas com 2,5%. Nas tintas, é também a outra casta rainha do Tejo que se destaca, isto é, a Castelão, com 13,5%, valor este mais próximo da percentagem da Touriga Nacional (10,1%), como segunda variedade. A Trincadeira (Preta) ocupa a terceira posição, com 3,7%.
Por conseguinte, os vinhos são elegantes, apresentam uma boa estrutura, capacidade gastronómica e longevidade.
Os outros três terroirs da região de Vinhos do Tejo
O Bairro (de onde saiu o Serras), com 5.076 hectares; 93 de altitude média; 1984 como ano médio de plantação das vinhas. Situa-se entre o Vale do Tejo e os contrafortes dos maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilo-calcários e alguns xistosos.
O Campo, com 3.113 hectares; nove de altitude média; 2004 como ano médio de plantação das vinhas. Está situado nas extensas planícies adjacentes ao rio Tejo, sujeitas a inundações periódicas (zonas de aluvião), responsáveis pelo elevado índice de fertilidade dos solos e torna esta uma zona de excelência para a produção de vinhos brancos. A fertilidade natural desteterroir obriga a uma viticultura de maior precisão.
Por último, o terroir Charneca, com 3.915 hectares; 53 de altitude média; 1984 como ano médio de plantação das vinhas. Localiza-se a sul do campo, na margem esquerda do rio Tejo, com solos arenosos e medianamente férteis ou mais pobres e com potencialidades tanto para a produção de vinhos tintos, como brancos.


