Três meses depois de abrir portas às Portas de Santo Antão, em Lisboa, o Café de São Bento Baixa passa a prestar tributo à premissa cultural da capital dos anos 20 do século XX, ao som do quarteto Swing Na Mouche.
Quem já ouviu falar do Bristol Club? Pois bem, é na outrora morada deste espaço de culto lisboeta, o n.º 7 da rua Jardim do Regedor, que está instalado o Café de São Bento Baixa – inserido no Hotel 1904 do Benfica –, onde o mais famoso bife da capital é, agora, acompanhado pelas sonoridades do quarteto Swing Na Mouche. Assim acontece todas as quartas-feiras, a partir das 21h30, em memória dos serões dos míticos salões do passado, em que música, dança e gastronomia animavam os serões da capital. Basta transpor a cortina de veludo vermelho, disposta no piso térreo, para subir ao primeiro andar e, finalmente, entrar num dos salões mais cobiçados nos loucos anos 20.
Em tempos, o Bristol Club foi um museu noturno, onde nomes das artes, como Almada Negreiros ou Eduardo Viana, que contribuíram grandemente para a arquitetura deste espaço inaugurado a 11 de março de 1918. Agora, o Café de São Bento Baixa dá relevo ao par de esculturas femininas da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, que se mantêm no local. Ambas conjugam-se com a sofisticação do veludo vermelho dos sofás à pele dos cadeirões dispostos junto às mesas em madeira, bem como com espelhos e a madeira trabalhada a revestir as paredes. Tudo está alinhado com a decoração modernista de outros tempos, mas tão bem-vinda nos nossos dias; por outro lado, cumplicia com os pratos que constam na ementa, ou não fossem estes os clássicos à mesa.
O célebre bife de Lisboa

O chef João Santos assegura que o molho do bife à café do Café de São Bento Baixa é diferente do original © Afonso Moreira Pires
Fundado em 1982, o original Café de São Bento – projeto de dois oficiais da marinha, dois engenheiros e um economista localizado na rua de São Bento, em Lisboa, e adquirido, em 2022, pelo Grupo São Bento – estende a sua representação ao Café de São Bento Baixa, onde o clássico prato, inspirado no centenário bife à Marrare, continua a conquistar fãs à mesa. O corte escolhe-se entre vazia e lombo, para, depois, ser servido com um molho inspirado na receita do chef Manuel Fernandes que, há mais de quatro décadas, está na cozinha do Café de São Bento.
A composição permanece “no segredo dos deuses”, com a mais-valia de ter a mão de João Santos, chef do Café de São Bento Baixa, e é servido com batatas frita em palitos. Mas há mais versões deste bife, como o que é acompanhado por molho feito com Vinho Madeira e cogumelos, acerca do qual o chefe de sala, Paulo Galveias assegurou, quando questionado sobre que referência vínica é utilizada na confeção deste prato: “não olhamos a custos para fazer aquele molho naquele prato.” Há ainda o tradicional bife à portuguesa, com alho, louro e presunto, servido com batatas fritas às rodelas, e o clássico corte chateaubriand, um exclusivo deste Café de São Bento, com molho béarnaise acompanhado por batatas fritas aos palitos ou às rodelas.
Nas entradas, o roteiro faz-se pelos camarões al ajillo fritos com alho e malagueta e o steak tartare de lombo de novilho picado à mão e servido com tostas, passando pelos peixinhos da horta. Ostras, foie gras de pato e amêijoas à Bulhão Pato também entram nesta secção.
Do lado do peixe, fala-se bem do bacalhau gratinado e dos filetes de peixe galo com arroz de tomate, sem esquecer o mítico bacalhau à Brás; enquanto nas sobremesas ganha a tarte de lima, sem esquecer a tarte Tatin de maçã servida quente, com gelado de baunilha, ou o soufflé de avelã, gelado de baunilha e calda de chocolate quente, outra exclusividade do Café de São Bento Baixa.

O quarteto Swing Na Mouche © Guilherme Ornelas
Todos os clássicos à mesa harmonizam com a música dos Swing Na Mouche, quarteto formado em 2014 e constituído por Ian Mucznik (voz e guitarra), João San Payo (contrabaixo), Paulo Gaspar (clarinete) e Alcides Miranda (guitarra), que recria a vibração glamurosa dos loucos anos 20 e 30, com um repertório que cruza swing jazz e a variação do gipsy jazz, ou jazz manouche, criado por Django Reinhardt, o criador do jazz europeu.
É ir e ouvir! Bom apetite!






