No início de 2026, o TheVagar lançou uma coleção de programas regeneradores para quem deseja sair do piloto automático e viver momentos genuínos.
Sempre que percorria a Estrada Nacional 345 a caminho da escola, André Pinto não conseguia evitar o fascínio provocado pela propriedade que avistava, a partir da janela do carro, na Serra da Esperança. Na altura não imaginava, mas era o antigo destino de férias do Conde de Caria que observava, imponente, na idílica formação geográfica próxima da aldeia histórica de Belmonte.
Esta enorme curiosidade, porém, ficou adormecida durante vários anos. Tudo mudou em 2016, ao descobrir que a moradia — edificada em 1946 junto com uma pequena habitação para o caseiro, campo de ténis, tanque para abastecimento de água e capela — estava à venda. “Ao aperceber-se da possibilidade de conhecer a casa que tanto o encantava desde a infância, não resistiu. Precisou de vir vê-la de perto”, conta Marta Domingos, companheira de André, à Mutante. Os caminhos da dupla cruzaram-se pela primeira vez, em 2002, no Politécnico da Guarda, instituto no qual se licenciaram em Turismo. Não voltaram a separar-se.
“Ele acabou a visita ainda mais maravilhado com tudo, do charme das construções em pedra e madeira às vistas desafogadas que se dividiam entre as planícies e as serras da Estrela, Gardunha e Malcata. Apesar de notar a necessidade de obras, achou logo que tinha todo o potencial para funcionar como base do projeto que queríamos desenvolver, há algum tempo, no setor da hospitalidade”, acrescenta a caldense.
Após 12 anos instalados em S. Martinho do Porto, Marta não nega que encarava com hesitação uma eventual mudança para o interior, onde estaria afastada da agitação típica das cidades, dos seus serviços e, sobretudo, da costa. “Sou das Caldas da Rainha, no Oeste de Portugal, e cresci com o mar quase à porta. Era-me difícil imaginar estar longe dele. Quando começamos a viver juntos, o André concordou em fixarmo-nos na minha zona, mas sabia que ele gostava de regressar à terra natal. Ver a propriedade, com toda a natureza, energia e tranquilidade que a envolvia, facilitou a decisão”.
Deram então início às negociações, particularmente complexas por incluírem mais do que a casa. “A montanha também fazia parte do negócio. Ou seja, no total, falávamos de uma área com 245 hectares, o que é bastante acima do que alguma vez sonhámos. Ao tomarmos consciência disso, surgiram dúvidas. Além de pedirem valores altos, não sabíamos até que ponto estávamos preparados para lidar com toda a logística e responsabilidade associada a um terreno com estas dimensões, que exige manutenção constante e tem o perigo dos incêndios a rondar. Depois de muito ponderar, decidimos que o sítio valia o risco”.






Um tributo à natureza e ao bem-estar
As obras arrancaram, em 2020, com objetivos bem definidos. O plano era criar um refúgio de charme minimalista, que aliasse um serviço próximo e personalizado à beleza natural da serra. Longe do ruído, da pressa, sem preocupações maiores e com acesso a experiências focadas no bem-estar físico e emocional, os hóspedes teriam a oportunidade de abrandar o ritmo, reconectar-se com o que realmente importa e recuperar o equilíbrio que a sociedade moderna tantas vezes sacrifica.
Acima de tudo, o casal queria um lugar que convidasse quem os visita a deixar-se inspirar pela simplicidade das coisas boas da vida, como ter tempo para descansar e recarregar baterias, desfrutar de uma massagem relaxante, admirar a beleza do nascer do sol e aproveitar a frescura da floresta para um piquenique ou caminhada por um dos vários trilhos pedestres disponíveis. “É deste tipo de alojamentos que gostamos e sentimos que, cada vez mais, são sítios com estas características que as pessoas procuram”, resume Marta.
No decorrer dos trabalhos, “conservar a base histórico-cultural dos espaços e dos seus primeiros habitantes foi uma preocupação contínua, assim como valorizar o património natural que os envolve. Para isso, trabalhamos com materiais e arquitetos da zona, que já tinham experiência em reabilitação, e, antes de substituir qualquer coisa, tentamos reparar. Também quisemos adicionar elementos modernos e acrescentar-lhe conforto. A piscina, por exemplo, foi transformada em infinita”, explica Marta.
O círculo de fogo, em torno do qual se promovem momentos de convívio e reflexão com um copo de vinho; o baloiço panorâmico; o hot tub, uma elegante lagoa aquecida a lenha que encontra junto à Casa dos Banhos; e a Casa da Contemplação — a antiga capela é agora utilizada para aulas de ioga ou meditação, massagens revigorantes e sessões de cinema —, destacam-se entre os atrativos que nasceram graças à criatividade do par de empreendedores.
Com a pandemia a meter-se pelo meio, as obras apenas ficaram concluídas em 2022, ano em que abriram ao público como TheVagar Countryhouse Belmonte. Desde então, há seis acomodações na Casa-Mãe, onde pode descansar sobre lençóis de algodão 100 por cento português e apreciar o calor natural da lareira. Contemplar o nascer do dia ou as estrelas são opção graças às amplas varandas com mobiliário exterior. Algumas dispõem de zonas de trabalho e mezanino. Na sala comum do imóvel, o chá das cinco é servido, diariamente, com bolachas e biscoitos.
Desde 2025, uma nova proposta de alojamento esconde-se a 700 metros de altitude. Falamos de três pitorescos abrigos de montanha, cuja estética foi inspirada nas antigas choças dos pastores. Construídos de raiz a um quilómetro e meio de distância do edifício principal, que só pode percorrer a pé ou num jipe 4×4, têm uma ambição clara: fomentar uma imersão na natureza ainda mais profunda e exclusiva.
Para tal, não só estão significativamente afastados uns dos outros como combinam aconchego e autenticidade com vistas panorâmicas espetaculares, salamandra a lenha e hot tub privado. Depois de as fazer aqui, atividades como olhar para as estrelas ou ver o pôr do sol nunca mais serão as mesmas. Como sabe que pode ser difícil deixar esta sensação de acolhimento e serenidade para trás, quando solicitada, a equipa encarrega-se de levar as principais refeições até aos clientes.
Por questões de segurança, estes abrigos — perfeitos para escapadinhas românticas e instantes de solitude — apenas acomodam adultos.
Nutrir o corpo e a mente com tranquilidade
O ano de 2026 começou com um reforço da aposta no bem-estar intencional, através do lançamento de uma coleção de propostas regeneradoras, desenhadas a partir da escuta atenta dos hóspedes. “Apercebemo-nos que as pessoas chegam cá com uma vontade cada vez maior de sair do piloto automático, parar, abstrair-se dos problemas e viver momentos genuínos. Querem pausas com propósito. Entusiasmados por este desejo, desenvolvemos os Programas com Vagar, experiências de três ou cinco noites que respondem a necessidades específicas”, esclarece Marta.
Ao longo da nossa estadia, exploramos parte de Reset — Vagar a Mente (a partir de 360€ por pessoa), um convite a desligar do mundo exterior, esquecendo as notificações, o wi-fi e o scroll compulsivo, a fim de “redescobrir a calma, a presença e a alegria de apenas estar”. Este inclui banho aromático ou de gelo, utilização do hot tub, finais de tarde ao pôr do sol e um kit de boas-vindas que dá acesso a uma câmara Polaroid para reforçar a importância de nos afastarmos do digital e aproximar do analógico, uma bússola, cartas que incentivam uma conexão interior e um caderno onde podemos eternizar o vivido.
Já o Reset — Vagar o Corpo (a partir de 595€ por pessoa), com curadoria da naturopata Joana Koupriano, é mais do que um plano alimentar. Trata-se de um programa que “combina refeições detox, caminhadas sensoriais, práticas de respiração e de meditação e momentos de integração, em total alinhamento com o ritmo individual de cada pessoa”. Contempla, igualmente, uma série de cuidados corporais, da drenagem linfática aos duches de contraste, “criando um ambiente propício à desintoxicação física e mental”. Em breve, novas possibilidades vão juntar-se à oferta.





































