A produção biológica favorece a produção vinícola, graças aos fenómenos meteorológicos característicos da região oeste onde se encontra a Quinta do Monte d’Oiro, na Região de Lisboa, cujas boas novas enaltecem as castas dominantes: Syrah e Viognier.
A propriedade é, desde o século XII, uma referência na produção vinícola
“Para nossa produção de vinho é fundamental este vento”, disse-nos Francisco Bento do Santos, que assumiu, em 2012, a direção da Quinta do Monte d’Oiro, do mui conceituado gastrónomo formado em engenharia químico-industrial pelo Instituto Superior Técnico, e pai, José Bento dos Santos, ou não estivéssemos nós na freguesia de Ventosa, no concelho de Alenquer. A explicação está no facto do trabalho na vinha ser feito “em modo biológico, por isso, o vento é uma ajuda preciosa” sempre que surgem as ameaças da natureza, ou seja, funciona como um sistema “filtro-sanitário”, porque apesar do sol ser forte durante o dia, as noites são muito húmidas, tendo o vento “a capacidade de secar o solo” sem prejudicar as videiras que, por sua vez, estão dispostas e expostas sobre o monte de forma “a garantir que o vento passe de forma uniforme entre elas”. A estes fatores acrescenta-se o microclima da Quinta do Monte d’Oiro, datada do século XII, o qual apresenta características mediterrânicas com influências atlânticas.
Perante este cenário, Francisco Bento dos Santos reforçou: “Queremos que os vinhos sejam diferentes de colheita para colheita.” E enaltece a identidade do vinho e do terroir, razão pela qual “ali dentro [na adega], não queremos estragar tudo o que a natureza nos dá”, pois “temos de preservar ao máximo o que chega à adega”. Porém, “a intervenção do Homem é fundamental”. Portanto há sempre muito trabalho pela frente, o ano inteiro sem exceção, claro está, na época da vindima, feita à mão e em que o tempo vai para além dos 30 dias, porque a colheita das uvas não acontece todos os dias. Há que fazê-lo “no momento indicado, no momento da maturação das uvas”, salientou Francisco Bento dos Santos e, acima de tudo “não só vamos ter mostos diferentes, como vamos tê-los em estágios diferentes”.
Em suma, a propriedade soma 42 hectares, dos quais 20 são vinha, na qual constam as castas francesas Syrah, Viognier, Marsanne e Petit Verdot, e as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto. Para 2017 está programada a plantação de outros nove hectares de vinha.
Passemos agora ao resultado de meses, um ano ou mais de um imparável exercício de atividade humana, primeiro na vinha e, depois, na adega. Assim, e em jeito de boas vindas ao verão, é apresentado o Quinta do Monte d’Oiro Lybra rosé 2015, a gama de entrada deste Vinho Regional de Lisboa. A designação Quinta do Monte d’Oiro no rótulo está associada ao uso das uvas da propriedade na produção do vinho que, neste caso, é feito a partir da casta Syrah de uma das parcelas da quinta, a qual “vindimamos mais cedo” e destina-se apenas a esta referência.
Segue-se o Quinta do Monte d’Oiro Lybra branco 2015, feito a partir das castas Viognier (50 por cento), Arinto (20 por cento) e Marsanne (30 por cento), sendo a primeira – o Viognier – colhida na parcela da várzea, parte do terreno em que é possível tirar mais partido do sol. Quanto ao Marsanne, esta casta foi eleita “para dar mais corpo ao vinho”, justificou Francisco Bento dos Santos, além de que “a percentagem das castas difere de ano para ano e o blend é feito no fim”.
No término da parte introdutória, e entre iguarias preparadas por João Simões, o chef do restaurante Casta 85, em Alenquer, chega o momento da prova do Quinta do Monte d’Oiro Lybra Syrah 2013, um tinto monocasta feito a partir de um lote de cinco parcelas diferentes de Syrah – ao todo há dez parcelas desta casta, “por causa da composição do solo [argilo-calcário] e por causa das exposições solares, que são opostas” consoante o terreno onde se encontram as videiras com esta variedade de uva. Há mais de um ano em garrafa, o Monte d’Oiro Lybra Syrah 2013 é a prova de que o nosso anfitrião quer que os vinho cheguem ao consumidor “em estado adulto, sobretudo os tintos”, daí que já se considere um “infanticídio”, enfatizou o diretor geral da quinta, e a entrada deste no mercado vínico acontecerá ainda este ano – ao contrário do Quinta do Monte d’Oiro Lybra rosé 2015 e do Quinta do Monte d’Oiro Lybra branco 2015, os quais já se encontram disponíveis para compra.
O quarteto vínico que acompanhou o repasto, com particular incidência nos tintos
O desfile vínico prosseguiu à mesa da sala de eventos da Quinta do Monte d’Oiro contígua à cozinha, onde o chef João Simões e a sua equipa denotaram um incansável trabalho que se foi revelando uma agradável surpresa ao longo do repasto, iniciado por um Quinta do Monte d’Oiro Madrigal Viognier 2014, um monocasta branco feito a partir das uvas “da melhor parcela de Viognier” da propriedade, assegurou o anfitrião, “onde fazemos um controlo de maturação”, ao que a vindima é feita em duplicado – primeiro são colhidas as uvas de fora e só depois é que se passa para as de dentro – e a fermentação decorre da seguinte maneira: “Uma parte em inox e a outra em barricas grandes.” Para acompanhar este Vinho Regional de Lisboa, João Simões apresentou uma espuma de batata com ovo de codorniz escalfado, espargos e cogumelos salteados, camarão e rúcula selvagem.
No alinhamento dos tinto, o desafio duplicou no momento em que foi servida a vitela corada com chips e puré de batata: O Quinta do Monte d’Oiro Aurius tinto 2011, feito a partir da casta Touriga Nacional “com um toque de Syrah” e Petit Verdot, que irá para o mercado em outubro deste ano – além de ter casado bem com o prato de carne; e o Quinta do Monte d’Oiro Têmpera Tinta Roriz 2012, um tinto “com potencial em garrafa”, garantiu Francisco Bento dos Santos.
A inspiração no bife Wellington pelo jovem chef João Simões teve como companhia o Quinta do Monte d’Oiro tinto Reserva 2011
O Quinta do Monte d’Oiro tinto Reserva 2011 foi o tinto que se seguiu, registando o regresso do Syrah à mesa, a qual advém das melhores parcelas da Quinta do Monte d’Oiro e do qual 40 por cento estagia em barricas de madeira nova, tendo sido apresentado para harmonizar com um prato de caça inspirado no célebre bife Wellington, com ravioli de legumes e cebola frita, rematando o repasto com um bolo de chocolate, morangos e chantilly.
A adega local, onde repousam os tintos entre as figuras da Arte e do Engenho, tão preciosas na feitura do legado de Baco
Eis o mote para falar sobre o enoturismo na Quinta do Monte d’Oiro, uma prioridade para Francisco Bento dos Santos que salienta a criação de eventos privados, para os quais a propriedade é já eleita, a somar às provas de vinho, que já são recorrentes e feitas na adega – lugar onde estagiam os tintos, sob a égide da Arte e do Engenho – por marcação através do 263 766 060 ou de geral@quintadomontedoiro.com.
A ir! •
+ Quinta do Monte d’Oiro
+ © Fotografia: João Pedro Rato
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