As sementes e o desenho no Planeta Tangerina

Nesta última quinta-feira do mês de outubro paramos para ler. Paramos num planeta que, para nós, é sempre um destino garantidamente bom para ir: o Planeta Tangerina.

Neste Planeta habitam livros, muitos livros, livros que nos levam para mundos sem fim, onde a imaginação é rainha absoluta. Conhecido como Planeta que não pára quieto e que está determinado em apostar no crescimento da sua população, tem dois novos habitantes: “Cem sementes que voaram” e “Desenho livre”. Apresentemos um de cada vez, pois cada novo cidadão do Planeta Tangerina merece toda a atenção na sua apresentação aos planetas vizinhos, como o nosso, para bem se dar a conhecer aos seus futuros e melhores compinchas (a pequenada).

Comecemos por fazer contas com “Cem sementes que voaram”, nascido das palavras de Isabel Minhós Martins e das ilustrações de Yara Kono. Avisamos desde já… Nem tudo o que parece, é. Numa altura em que nosso planeta é tão imperativo olhar para as nossas árvores, o Planeta Tangerina mima-nos com um habitante encantador que nos traz uma árvore carregada de sementes. Cem, para sermos mais precisos. Cem sementes à partida sem destino… Mas nada é deixado ao acaso neste planeta vizinho.
A árvore, que é um Senhor Pinheiro, deixa voar de suas pinhas cem sementes que iniciam uma curiosa e matemática viagem. Preparem vossos dedos e os da pequenada; juntos têm contas para fazer enquanto uma história vão ler. Cem menos dez… Noventa menos vinte… Setenta menos dez… Sessenta menos vinte e cinco (que é o mesmo que 4+6+15)… Trinta e cinco menos cinco… e menos dez e ainda menos dez… E já só há dez a que retiramos sete e ficam três das quais uma… Ups! O coelho!…
Parece que ficámos sem sementes de tanto subtrair. E agora?! Não podemos crer que o Planeta Tangerina tinha dado à luz um livro tão triste que os dedos da pequenada iriam ficar nervosos a tentar e querer somar sementes para árvores verem crescer. Até ao fim, não perdemos a esperança, a força da natureza é imensa e reserva surpresas únicas. Sem vos revelar o final, aconselhamos a acreditar que, mesmo no que parece ser um sem fim de subtracções, a esperança deve existir, sempre.

Um livro que vive ainda mais alto graças às ilustrações irrepreensíveis de Yana Kono que funcionam como um só com as matemáticas palavras de Isabel Minhós Martins. Uma dupla perfeita. Ilustrações de página inteira que agarram nas palavras levando-as a viajar com as sementes e que, no meio de tanta subtracção, conseguem não perder uma palavra, nem uma semente. Perfeito! Resta dizer-nos que até aprendemos sobre sementes de várias árvores porque este novo habitante do Tangerina achou que andávamos meio esquecidos…

Uma árvore está à espera, esperançosa…
O que espera ela?
O dia ideal para lançar as sementes.
O dia certo, o dia tal.
O dia chega, mas a aventura ainda só está a começar…
Porque, se nos pusermos a fazer contas, das cem sementes que voaram, quantas cairão em bom solo? Quantas serão comidas por pássaros? Quantas acabarão no fundo de um rio? Quantas se transformarão, finalmente, numa árvore adulta?
Neste livro, fazemos contas, sem nunca perder a esperança. Mesmo que a história nos traga aquilo que parece ser uma infinita conta de subtrair!

Quem consegue acreditar até ao fim, como esta árvore-mãe, que tudo vai correr bem?
(Será que vai mesmo? Vamos torcer por isso!)
Um livro que traz a floresta para o centro das atenções, celebrando a resistência das sementes e a inteligência das árvores e da natureza.”, Planeta Tangerina que nos diz que o livro é para todas as idades e nós, Mutantes, subscrevemos.

Agora, vamos conhecer o curioso e intrigante habitante “Desenho livre” nascido das mãos de Andrés Sandoval. Porquê curioso e intrigante? Ora vejam como o Planeta Tangeria o anuncia:
… parece mesmo um livro para colorir (e ninguém diz que não é…) mas aqui o desenho é livre e não é obrigatório desatar logo a pintar.
O que o leitor não pode perder é este passeio pelo mundo do desenho e da cor, das plantas e dos pigmentos, dos pontos e das linhas, da luz e da sombra.
Com os seus pensamentos desenhados e os seus movimentos que riscam, o menino-lápis já nos espera!
PS: recomenda-se aos leitores que tenham à mão canetas, lápis ou pincéis. É provável que, ao longo deste passeio, cresça a vontade de pintar e desenhar.”

Provavelmente, dos livros mais castiços, destes últimos tempos, para acicatar a pequenada. Até a nós nos deixou inquietos… Pintamos ou não pintamos? Podemos começar já ou esperamos até à última página para ver se há mais pistas?!
“Desenho livre” é mais um cidadão de Tangerina que não dá ponto sem nó. A “brincar” ensina cores, onde podemos ver – no que nos rodeia – as cores – quantas coisas conhece que sejam brancas, por exemplo? No Tangeria desvendam-nos 27! -, faz-nos escrever direitinho as cores num jogo de palavras e faz-nos trabalhar a memória… o número 2 corresponde mesmo a que cor?…
Ainda nos dá verbos e o desvendar dos mesmos, apresenta-nos uma manifestação pacífica de lápis, dá-nos as conhecer as bandeiras do seu Planeta (onde cada um é livre de dar as cores que quiser), leva-nos o Jardim dos Pigmentos e… Quantos objetos aramados conhece? Quantas linhas? Aqui não é só cor que entra. Nós avisámos que em Tangerina não se dá ponta sem nó.

Um livro que é deliciosamente curioso e onde o intrigante se revela ser uma vontade louca de tudo esmiuçar e nos lápis de cor agarrar. Com um grafismo, história e ilustração irrepreensíveis, este é mais um cidadão exemplar do nosso estimado Planeta Tangerina. É impossível não ficar encantado com o mundo traçado pelo Menino-Lápis.

Porque um livro pode ser um dos melhores brinquedos. Porque ler um livro pode ser uma das melhores brincadeiras. Porque os livros podem e devem puxar pela pequenada. Porque o gosto pela leitura deve ser cultivado sempre. Porque é no ler de um bom livro que está a maior riqueza do nosso vocabulário. Porque um livro por dia nem sabe o bem que lhe fazia… Estes novos habitantes do Planeta Tangerina são uma das boas companhias com que pode brindar os mais pequenos e vê-los, assim, crescer ainda mais, com mais palavras no bolso.

Prenda de São Martinho ou de Natal, ou sem ser de dia especial, que tal? •

Planeta Tangerina
© Fotografia: Sara Quaresma Capitão.

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