



O Praia do Sal Resort dispõe de um programa com o Estuário do Tejo em grande plano, onde as aves assumem um papel importante. Complementa com um de dois tratamentos de Spa, um menu exclusivo e uma noite bem dormida.
O Estuário do Tejo é o habitat de dezenas de aves migratórias, que, todos os anos, passam por esta Reserva Natural com mais de 14 000 hectares. Corpos de água doce misturada com a do mar, pequenas ilhas ou mouchões, salinas, lezíria e montado complementam o cenário bucólico deste enorme santuário da biodiversidade. Mas concentrem-nos nas salinas, a maioria das quais tem cerca de 800 anos. São 56, mas apenas uma continua ativa. Trata-se da Salina do Canto.
O contexto natural é enormemente atrativo por muitas espécies, em particular no que à Jvaifauna diz respeito. “É um local muito importante de refúgio de aves”, afirma Luís Lourenço, o biólogo que nos acompanha a visita às Salinas do Samouco, onde desempenha o papel de guia. Segundo o especialista, as aves encontram alimento nos tanques durante a baixa-mar ou, simplesmente, descansar, entre uma diversidade imensa de vegetação ripícola comum nestes lugares selvagens.
No inverno, as aves vêm do noroeste da Europa. A gaivota-de-asa-escura, o pernilongo e o alfaiate, por exemplo, provêm da Bretanha, região localizada no noroeste de França. Por aqui ficam durante o tempo determinado pelo instinto. Depois, seguem para o Senegal. O percurso inverso fecha o ciclo, retomado no ano seguinte.
“O Estuário do Tejo é o local mais importante da Europa durante a invernada”, declara Luís Lourenço, referindo-se, sobretudo, ao bando de alfaiates comumente observados neste local. “É o símbolo do Estuário do Tejo”, acrescenta. Os flamingos elegem igualmente este santuário selvagem, para estadias longas. “A maioria vem da Andaluzia, mas também há registo dos quem vêm de França”, informa o nosso guia. Vivem entre 30 a 40 anos e “há o registo de um anilhado, com 66 anos”, sublinha. Aves à parte, sapos, coelhos, raposas, saca-rabos e doninhas contribuem para a diversidade, assim como as quatro espécies de cobras que complementam o festim natural deste lugar na terra.
“As aves estão identificadas por GPS”, sistema que permite, grosso modo, estudar o percurso que fazem e a longevidade. De que forma conseguem obter esta informação? Através da antena instalada no sapal, por exemplo, que lhes permite “picar o ponto, quando passam”, adianta Luís Lourenço em tom de brincadeira.
Terminada a visita, ainda há tempo para falar sobre o sal e a flor de sal, produtos explorados nestas salinas – o primeiro rende entre 100 a 200 toneladas por ano, enquanto o segundo está entre as 0,5 e as duas toneladas anuais. Sendo a flor de sal, composto por 40% de sódio e 60% de magnésio potássio e iodo, um ingrediente muito sensível, é guardado numa espécie de arca de madeira. Já o sal, constituído por 80% de sódio e 20% de magnésio, potássio e iodo, é acumulado em montes, com a forma de uma pirâmide, ao ar livre.
Carpe diem
Apesar do burburinho causado pelas viaturas que passam pela Ponte Vasco da Gama, que quase passa desapercebido por quem busca o silêncio por estas bandas, a observação de aves é a ações mais recorrente na Reserva Natural do Estuário do Sado. Mas os irmãos Cécile e Pascal Gonçalves, administradores do Grupo Libertas, detentor do do Praia do Sal Resort, da cadeia hoteleira StayUPon, aberto, em 2018, em Alcochete, no distrito de Setúbal, quiseram ir mais além. Decidiram criar um programa alusivo à orniterapia. Chama-se “Natureza & contemplação” e está disponível até 31 de março.
Com o intuito de elucidar a prática de orniterapia, Cécile e Pascal Gonçalves convidaram o casal francês Élise Rousseau e Philippe Dubois, dois entusiastas pelo comportamento das aves e, consequentemente, pelos benefícios que advêm da observação destes animais, amplamente descritos no livro “Pequena filosofia das aves”. Com base em estudos científicos recentes, ambos referem: “20 minutos de canto das aves favorecem a redução de cortisol e de stress.” Afinal, a orniterapia apela à visão, mais concretamente à observação mais profunda –“tenho que me concentrar, para escutar”, justifica Philippe Dubois –, e à audição ou ao escutar ativamente as aves. Além de que o colorido das aves facilmente conquista o ser humano, ponto de partida para treinar a identificação de cada uma.
“A maioria das aves é diurna, como nós”, compara Philippe Dubois. A orniterapia sugere, portanto, quase como um regresso ao passado, aos tempos em que a ligação com a flora e a fauna era mais forte, fomentando a vontade de aproveitar ao máximo o dia, sob a máxima carpe diem. Por isso, sugere que nos levantemos mais cedo, caminhar até a um local frondoso, para “observar o sol a nascer e ouvir o coro das aves”. Luís Lourenço recomenda os parques citadinos, “onde os animais estão mais habituados à presença humana”. Ou o Estuário do Sado, sugestão de Philippe Dubois, complementado pela salina e pela Praia do Sal.




No âmbito do programa “Natureza & contemplação”, o alojamento de uma noite soma-se a uma visita ao Estuário do Sado e às salinas, um menu temático no restaurante Omaggio, e a um dos dois tratamentos criados especificamente para esta ação: uma esfoliação feita à base de sal das salinas do Estuário do Tejo e uma massagem relaxante com óleo essencial cítrico e a aplicação de um leque elaborado com penas de aves. Ambos são acompanhados pelo canto das aves, para ajudar a relaxar.
É ir!


