Almada Negreiros em exposição no Museu da Electricidade / Lisboa

“Almada Negreiros: O que nunca ninguém soube que houve” é o nome da mostra que reúne cerca de 70 obras de um dos importantes artistas portugueses do século XX, no Museu da Eletricidade, em Lisboa.

“O Pierrot que nunca ninguém soube que houve: História trágica ilustrada com sol e palmeiras” (1921-1922) / Capa do livro manuscrito ilustrado / Fotografia: Sistema Solar (coleção particular)

Desenho, pintura, livros de artista. Experiências artísticas em torno da poesia e do número. Ensaios caligráficos e de paginação, tipografia, manuscritos e ilustração. Na sua maioria, obras artísticas e bibliográficas nunca antes apresentadas ao público, as quais provêm do espólio da família, de coleções privadas e de instituições públicas. Eis a composição da mostra acerca do percurso de Almada Negreiros (S. Tomé, 7 de abril de 1893 – Lisboa, 15 de junho de 1970), o desenhador-poeta que foi companheiro e cúmplice de Fernando Pessoa e de Amadeo de Souza Cardoso no desencadear da Modernidade artística e literária, na década de 1910.

Sobre o nome da exposição, aquele remete para o título de um livro criado entre 1921 e 1922 por Almada Negreiros e mostrado pela primeira vez no Museu da Electricidade, “O Pierrot que nunca ninguém soube que houve”. Uma história ilustrada num livro inteiramente manuscrito que transcende a definição comum de “livro”, transformando-se num veículo de expressão artística, em que o objeto ultrapassa o texto e os desenhos de Almada.

“Cinegeometria” (s/ data) / Capa do livro manuscrito ilustrado (coleção particular) / © projecto Modernismo online
“9/10 Eclairs Mouvement Perpétuel” (s/data) / 
Capa do livro manuscrito ilustrado (coleção particular) / 
© projecto Modernismo online

Dividida em cinco momentos, a mostra, aliada a uma ordem cronológica, começa com o período de Orpheu e da experimentação vanguardista – sobre o primeiro, a revista, esta é revisitada num lugar à parte através dos olhos de Almada Negreiros. O segundo e terceiro momentos, evocam o “Club das cinco cores”, que ultrapassa o campo das experiências baléticas do artista português do século XX, e “A invenção do dia claro”, simultaneamente exposição, conferência e livro. No quarto momento encontram-se obras que expressam o leitmotiv de Almada: “um mais um igual a um”. A última parte da mostra é dedicada à investigação do genial artista português no campo do número e da geometria.

A exposição está patente na Sala Cinzeiro 8, do Museu da Electricidade, à beira do Tejo, em Lisboa, desde o passado dia 12 de dezembro até 29 de março de 2015, ano que assinala o centenário da Orpheu, “revista fundadora do modernismo luso em que Almada se destaca”, nas palavras de Sara Afonso Ferreira, comissária da mostra e historiadora especializada em Almada Negreiros.

Para visitar de terça a domingo, das 10 às 18 horas. A entrada é gratuita. •

+ Museu da Electricidade
Legenda da imagem de entrada: 9/10 (I) Relâmpagos do Motu-Contínuo (s/data) / 
Capa do livro manuscrito ilustrado (coleção particular) / 
© projecto Modernismo online

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