NO COPO, TABLE 0

A pedagogia dos vinhos da Aveleda

Por ocasião do seu 150.º aniversário, a emblemática propriedade vinhateira da Região Demarcada dos Vinhos Verdes apresenta os dois Solos e duas Parcelas, dupla gamas determinantes na confirmação de que basta haver uma variável para que uma mesma casta se diferencie no copo.

Celebre-se os 150 anos da Quinta da Aveleda, situada em Penafiel que, em 1970 é fundada por Manoel Pedro Guedes, homem empreendedor e visionário no âmbito da vitivinicultura que levou ao impulso da demarcação da Região dos Vinhos Verdes. Em homenagem a este marco na história desta casa, a família decide fazer a reformulação da identidade para o nome Aveleda, no sentido de reorganizar o portefólio vínico, e da imagem, com um composição mais poética, novos rótulos e referências. A mudança foi realizada com a agência portuense Razão à qual soma-se, ainda, a introdução de outro estilo de garrafa seleccionado para a gama dos vinhos monovarietais.

Comecemos por dois vinhos: Aveleda Solos de Xisto Alvarinho 2018 (€9,99) e Aveleda Solos de Granito Alvarinho 2018 (€9,99). Uma dupla que, por si só, permite comprovar que a casta não é o único factor de diferenciação a ter em consideração no resultado de um vinho, já que basta apenas uma variável para se registarem aspectos singulares nas notas de prova. Neste caso, são os solos o factor que desencadeia a diferenciação que se reflecte nos vinhos.

“Tradicionalmente, na Região dos Vinhos Verdes, plantava-se em solos de granito”, conta Manuel Soares, enólogo da Quinta da Aveleda, desde 1998. “Com o desenvolvimento da maquinaria e das pessoas deixarem outras plantações, passou-se a também para os solos de xisto.” Estes são mais pobres e o estado de maturação da uva ocorre mais tarde quando comparadas com os cachos das videiras plantadas em solos de granito. Além disso, os solos de granito retêm mais água do que os de granito. Face a estas diferenças as evidências são notórias nos dois vinhos feitos a partir da Alvarinho, embora em ambos esta casta autóctone da Região Demarcada dos Vinhos Verdes tenha sido submetida ao mesmo processo de fermentação e estágio. A única diferença cinge-se ao tipo de solo que, para Pedro Barbosa, viticultor da Quinta da Aveleda, “têm um impacto muito grande nos tipos de vinho”, especialmente na acidez e frescura mais acentuadas no Solos de Granito e na afirmação de um vinho mais “seco” no caso do Solos de Xisto.

Falemos, agora, de Parcelas, outra novidade do portefólio da Quinta da Aveleda cuja finalidade é mostrar o terroir de cada vinho, por isso todos os anos são seleccionadas as consideradas melhores parcelas de cada vindima. 

Aveleda Parcela do Convento Loureiro 2018 (€19,99) e Aveleda Parcela do Roseiral Alvarinho 2018 (€19,99) são a dupla de vinhos aqui analisados. Ambos são feitos a partir de castas plantadas em solo granítico e vindimadas manualmente. Em contrapartida, a primeira parcela está numa encosta da propriedade virada a sudoeste, enquanto a segunda frui da exposição solar orientada a poente, além de que esta é a melhor vinha da casa, daí que ambas as variedades de uva tenham sido submetidas a processo de vinificação distintos na adega. Resultado: o Aveleda Parcela do Convento Loureiro 2018 revela ser um vinho mais fresco e exuberante do que o Aveleda Parcela do Roseiral Alvarinho 2018 denota maior acidez.

Terminemos com Aveleda Loureiro & Alvarinho 2019 (€5,49) feito a partir do blend tradicional da Região Demarcada dos Vinhos Verdes caracterizado pela aroma floral da primeira e pela exuberância frutada da segunda.

Tudo boas razões para experimentar novos vinhos este verão. Brindemos!

Para saber mais sobre a história da Quinta da Aveleda clique aqui e leia a reportagem que fizemos, quando a visitámos em 2014. Será um o início de uma viagem a Paço de Sousa, Penafiel, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Boa Viagem!

+ Aveleda
© Fotografia: João Pedro Rato

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