A serenidade da paisagem alentejana estende-se ao interior dos renovado Spa desta propriedade alentejana. A assinatura do projecto de arquitectura cabe a Manuel Aires Mateus, cujo traço prolonga-se a três novas unidades, criadas em profunda ligação com a água e a estrear em 2025.
Partilhar o contacto com a Natureza, salvaguardar a regeneração do ecossistema, favorecer o bem-estar dos hóspedes são premissas da família Soares, proprietária da Herdade da Malhadinha Nova, propriedade de exploração agrícola e hoteleira localizada em Albernoa, no concelho de Beja. É um “novo conceito transversal a todas as áreas ligadas à Malhadinha”, nas palavras de Rita Soares, CEO e proprietária da Herdade da Malhadinha Nova.
Todas são extensíveis de igual forma ao M Wellness Spa, instalado no anterior espaço igualmente reservado ao bem-estar físico, mental e espiritual, onde paisagem vinhateira é protagonista maior. É como se o pequeno terraço de cada uma das três salas de tratamento, todas com duche, do atual Spa fosse – sempre que as cortinas se abrem – um palco aberto às diferentes formas e tonalidades do exterior, predominado pelos declives suaves típicos do alentejano.
“A ideia é que cada sala de tratamento seja o prolongamento do exterior, da vinha – o DNA da Malhadinha –, para o interior, predominado pelo verde”, reforça o arquitecto Manuel Aires Mateus. A própria cor verde, revestimento artesanal, feito à base de pó de cal e mámore, aplicado manualmente nas paredes de todo o espaço, comprova o respeito pela flora existente na propriedade.
Minimalista é outro dos atributos do M Wellness Spa, que dispõe ainda de uma sauna, para prolongar o tratamento ou simplesmente relaxar, seja a que hora for. Sem descurar as aulas de ioga, nem o duche sensorial ou até mesmo um almoço nutricional, com ingredientes biológicos produzidos na Herdade da Malhadinha Nova, como a carne, o azeite, o mel ou o vinho. Ou os hortícolas das hortas da propriedade, bem como a fruta dos pomares, no sentido de, ao mesmo tempo, manter vivas as tradições da região.
Dos Açores para o Alentejo
A comunhão com a Natureza estende-se aos produtos utilizados nos tratamentos. É o caso da recém-chegada marca açoriana de Miguel Pombo, fundada em 2019. Chama-se Ignae e é feita à base de plantas do arquipélago. O fundador destaca três ingredientes utilizados na feitura dos produtos: as folhas da Cryptomeria Japónica, que crescem no solo vulcânico do Vale das Furnas; as folhas das cameleiras do Parque Terra Nostra, nas Furnas, na ilha de São Miguel, pertencente ao Hotel Terra Nostra Garden; e a spirulina, alga existente na zona marinha da Graciosa, a qual pertence, tal como a ilha, à Rede Mundial de Reserva da Biosfera da UNESCO.
Com a parceria de Claire Chung, empresária com duas décadas de experiência no sector de luxo, que acumula as funções de CEO e co-fundadora da Ignae, em 2020, foram implementadas as tradições holísticas de bem-estar da China e da Índia combinadas com técnicas europeias nos tratamentos. Uma mais-valia centrada no conhecimento baseado no legado ancestral de duas culturas relacionadas com as epopeias marítimas dos portugueses e há muito ligadas ao conforto do corpo e da mente. “Queremos que a terapia se torne especial”, razão pela qual foram desenvolvidos cinco tratamentos e “haverá mais no futuro”, garante.
Em comunhão com a água
“Há lugares maravilhosos na herdade”, afirma Manuel Aires Mateus, para quem a Natureza deve ser aproveitada, abraçada, enaltecida. A frase antecede a apresentação de “uma série de quartos especiais”, suítes com cem metros quadrados a estrear em 2025. “São três unidades diferentes, em espaços diferentes. Os lugares são singulares e vão ser espaços que convivem muito com a Natureza”, garante o arquitecto. “Todos têm Spa” e a relação com a água é condição sine qua non, em consonância com o significado de Spa – Sanum per Aquam. “São extensões do Spa”.
Quarto Spa é o nome atribuído a uma dessas unidades. Será instalado no sítio onde há uma bifurcação de água atrás das Casas das Pedras, onde está um moinho de água, sendo este elemento o ponto de partida “para criar estes lugares especiais”. A suíte ficará paralela à linha de água, já que “a ideia é a pessoa se prolongar sobre a água”, acrescenta.
Haverá ainda o Quarto do Alto da Falésia. Este ficará no cimo de um rochedo, como se “tivéssemos uma casa que flutuasse”. No lado oposto a este, na margem mais plana, será erguido o Quatro Junto ao Rio. “É quase um deck sobre a água. É um lugar que vai emergir da água. Tem um espaço central e recantos que saem desses núcleo central, onde estão os duches”, explica.
Enquanto aguardamos pela conclusão desta três unidades, talvez possamos sentar-nos, em breve, à Mesa do Chef. Assim se chamará a casa, onde será instalada uma enorme mesa em madeira e um ofir. “Uma espécie de logia romana no meio do campo, com cortinas”, avança Manuel Aires Mateus. Um espaço cénico aberto à gastronomia, com “uma cozinha mais natural, com uma abordagem mais pura”, esclarece Rita Soares. O objectivo é que seja uma cozinha autosuficiente, à semelhança do que já acontece na vertente ligada à vinha e ao vinho.
No alinhamento desta imersão em plena Natureza, o arquitecto refere ainda a criação de um ginásio, a instalar perto do pomar das laranjeiras, próximo da Casa do Ancoradouro. É uma plataforma cuja estrutura se resume a uma grelha em madeira, composta por chão e tecto, para que a imersão na floresta seja mais real. Trata-se de “uma construção semelhante à construção japonesa” rodeada pela paisagem singular de um Alentejo de tempos idos, relacionado com a simplicidade e uma beleza apaziguadoras.
É ir!