Depois da Francisca, da Melissa, da Matilde, do João Maria, do António Maria e da Benedita, eis que chega o primeiro legado de Baco do elemento mais novo da Herdade da Malhadinha Nova.
A colheita de 2013 das castas Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Baga fazem parte da composição do M M Malhadinha tinto 2013, a primeira edição de Mateus Maria da Malhadinha que traduz as boas vindas ao mais recente elemento da família Soares – filho de Rita e João Soares –, a responsável pela Herdade da Malhadinha Nova, em Albernôa, a escassos quilómetros de Beja.
Para falar sobre este vinho, nada melhor do que ler o que Rita Soares, membro da administração da Herdade da Malhadinha Nova e mãe de Mateus Maria, disse quando lhe perguntamos: Porquê um tinto para tão especial colheita que introduz o mais novo elemento da família Soares no universo vínico da Malhadinha?
Em 2012, plantámos na Malhadinha mais sete hectares de vinha e a escolha das castas teve a ver com o nosso objetivo – produzir vinhos equilibrados, mais frescos, com mais acidez. No Alentejo não é fácil atingir esses detalhes, as temperaturas são muito elevadas, os solos são pobres, há falta de água, as castas tradicionais e mais plantadas na região dão-nos, invariavelmente, vinhos com muita estrutura, com níveis de álcool mais elevados, mas com muito corpo e muita cor, como o Alicante Bouschet, o Aragonês… Os vinhos da Malhadinha são quase todos blends, feitos a partir de várias castas, e o equilíbrio e a frescura numa região com estas características consegue-se de várias formas. Uma delas é a introdução de castas com maior acidez, com características diferentes… Uma das castas que plantámos logo no início foi a Tinta Miúda que, nas últimas colheitas, tem feito sempre parte do lote Malhadinha, e cujas principais características são a elegância e a acidez, o que combina na perfeição com castas como o Alicante Bouschet, que é mais intenso, mais típico. Como tal, e em busca desse equilíbrio nos vinhos da Malhadinha, plantámos, em 2012, Tinta Miúda, Alicante Bouschet e uma outra, a Baga, nos tintos, a qual vem de outra região, a Bairrada, mas que, na nossa opinião, possui características perfeitas para combinar com outras mais “intensas” – mais uma vez, o Alicante Bouschet, que produz vinhos incríveis, como o vinho Menino António, um cem por cento Alicante Bouschet considerado, na colheita de 2012, o melhor vinho português e, por isso, não produzimos todos os anos. A ideia de plantar a casta Baga nos tintos foi exatamente a procura do equilíbrio, pois consiste numa casta que privilegia a acidez, a estrututa, os taninos, dá vinhos com imensa personalidade, austeros, mas frescos, elegantes, mas sérios, e os taninos são, em vinhos jovens, muito presentes, os quais, quando combinados com o corpo aveludado e cremoso de Alicante Bouschet e a elegância e frescura da Tinta Miúda dá um resultado excelente. Como tal, e como disse no inicio, o objetivo consiste em produzir vinhos equilibrados, harmoniosos, frescos, vibrantes, surpreendentes e que vão ao encontro dos prazeres dos consumidores dos vinhos da Malhadinha,
De volta a 2012, e como atrás referi, plantámos sete hectares de vinha com castas brancas e tintas – nas brancas estão o Arinto – que plantámos no início e entra, todos os anos, no lote Malhadinha branco – e o Alvarinho – uma nova introdução e uma casta que tem a acidez e a frescura como principais características; nas tintas repetimos o Alicent Bouschet – intenso no corpo e na cor, e que nos dá vinhos típicos –, a Tinta Miúda – delicada, elegante e fresca – e a Baga – austera, com imensa acidez e taninos muito presentes.
Um ano depois, em 2013, ano do nascimento do menino Mateus, a vinha teve um rendimento muitíssimo reduzido e fermentámos, em lagar, com algum engaço, as três castas em conjunto. O resultado é um vinho diferente, surpreendente, tal como o pequeno Menino Mateus, o qual se intitula de Mateus Maria Malhadinha. Três nomes, três castas – Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Baga.
Por sua vez, e ainda a respeito da primeira pergunta, Nuno Gonzalez explicou o seguinte:
Normalmente só se costumam vindimar uvas no segundo ou terceiro ano de produção. Por norma, a maioria dos produtores não “deixa” que a planta “invista” nas uvas e por isso corta-as para o chão na altura do pintor, para que a planta ganhe mais vigor e seja mais saudável no futuro. Uma vez que a vinha estava bem instalada e muito equilibrada, e a quantidade de uvas era muito pouca, optámos por deixar amadurecer as uvas e vindimámos as três castas no mesmo dia. Foram para o lagar com trinta por cento de engaço e estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. Após 12 meses em garrafa saiu para o mercado no mês de novembro. É especial porque simboliza o nascimento do Mateus Maria e é um vinho com um perfil diferente dos restantes vinhos da gama, uma edição limitada e um vinho com um potencial de evolução muito grande na minha opinião.
“É isso que sentimos neste vinho – é delicado, elegante, jovem mas, ao mesmo tempo, inesperado, vibrante… tal como o menino Mateus.”
Sendo as cores presença marcante nos rótulos dos vinhos da Herdade da Malhadinha Nova, há alguma razão para a escolha desta cor?
Rita Soares (R.S.): As cores fazem parte do conceito estético dos vinhos da Malhadinha, tal como os desenhos. Mudamos muito de cores em todas as colheitas, como o Monte da Peceguina, e isso tem a ver com a inspiração no desenho desse ano. A cor verde suave tem a ver com a natureza, com a delicadeza e a elegância deste vinho que é, ao mesmo tempo, criativo e inesperado, como são os dedinhos do Mateus no rótulo; é uma cor que transmite a inocência e a juventude do nosso menino, e da vinha que faz parte deste lote, além de que tem a ver com os nosso desejo de transmitir sensações reais. É isso que sentimos neste vinho – é delicado, elegante, jovem mas, ao mesmo tempo, inesperado, vibrante… tal como o menino Mateus.
Quem esteve envolvido no processo de feitura do M M Malhadinha tinto 2013 e quem faz, habitualmente, parte desta tarefa?
R.S.: Na Malhadinha todos os processos são especiais e, desde a plantação da vinha à elaboração do primeiro lote de todos os vinhos, está sempre presente a família que define os objetivos e participa ativamente em todos os processos. Nunca foi feito um lote de vinhos na adega sem a nossa presença. Para além de nós, e não menos importante, estão o Luís Duarte, enólogo consultor desde o primeiro dia até hoje e, de alguns anos para cá, o enólogo residente Nuno Gonzalez. É uma equipa. Nós sabemos bem o que queremos e temos técnicos muito profissionais que nos ajudam a atingir os nossos objetivos.
“Vamos lançar, ainda este mês, a nova colheita do Monte da Peceguina branco 2015 (…)”
Qual é o vinho que se segue, se é que se pode levantar o véu?
R.S.: Vou levantar uma pontinha do véu. Vamos lançar, ainda este mês, a nova colheita do Monte da Peceguina branco 2015, uma colheita incrível, com um novo desenho que será, de certeza, polémico, pela sua irreverência, pois sairá da imaginação da menina de seis anos que desenhou o primeiro rótulo dos vinhos da Malhadinha, a Francisca, agora com 17, e que voltou a desenhar para esta nova colheita cujo rótulo, e tal como a sua idade, revela maturidade, irreverência e inconformismo, justamente como os nossos vinhos.
Para terminar, e abrir ainda mais o apetite, aqui fica a sugestão de Nuno Gonzalez no que toca à harmonização deste M M Malhadinha tinto 2013 à mesa – pratos de porco preto, vaca e caça.
Brindemos! •
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