Refúgio de fim de semana nas beiras / Condeixa

Vila que é palco de imponentes palácios e faustosas quintas de outrora, preserva o acervo de romanos e mouros em terra firme, entre museus reveladores da história e de estórias de vida, com a gastronomia a exaltar os sabores típicos da região à mesa.

A piscina faz parte deste cenário idílico no coração da vila

Consulte a previsão do tempo faça a reserva e as malas, para um muito merecido descanso, e rume a Condeixa-a-Nova eleita, em tempos idos, para o repouso de nobres e de membros da realeza, e cenário das invasões francesas nos inícios do século XIX, página da história portuguesa da qual sai a figura de Quelhorras numa sátira ao soldado das tropas napoleónicas – ou ao próprio Napoleão – que, do Palácio Sotto Mayor, foi parar à porta de acesso à cafetaria e do auditório, no recinto interno, do PO.RO.S, o futuro Centro de Interpretação Dedicado ao Romano.

O mobiliário clássico serena os interiores com o romantismo dos frescos da pousada

E por falar em pausa, a escolha recaiu na Pousada Condeixa Coimbra, uma réplica do antigo palácio dos Almadas – palco de festividades destinadas à realeza e à distinta nobreza, reconstruído no século XIX tendo, nesse mesmo século, sido convertido numa hospedaria, uma vez que se situava num ponto de passagem e, por fim, um lar para idosos após a aquisição de Cândido Sotto Mayor, em finais dos anos 1930’ e cenário de festas de beneficência de Elsa Sotto Mayor. Em 1993 passa a integrar a lista das Pousadas de Portugal e, a 10 de fevereiro de 2014, reabre as portas em regime de franchising com o Grupo Pestana, tendo Sofia Fezas Vital, bisneta de Elsa Sotto Mayor, como diretora. “Renovámos tudo, desde a pintura aos sofás e restantes peças de mobiliário e de tapeçaria”, afirma com particular destaque para os frescos do piso inferior, junto aos elevadores de acesso ao restaurante da pousada, a “parede encarnada da receção, a imitar o tecido de damasco” e os quartos que “são todos diferentes”. No conforto dos aposentos predominam os tons “encarnado, azul, bege e verde, que predominam nos tecidos das cabeceiras das camas, no papel de parede e na senhorinha” que casam com o mobiliário palaciano da bisavó de Sofia Fezas Vital, tendo algumas peças sido restauradas para darem o ar da sua graça na Pousada Condeixa Coimbra.

A vista do restaurante sobre o relvado

Uma vez que o descanso é palavra de ordem por aqui, que tal desfrutar do sol e da pacatez da vila no relvado contíguo ao restaurante? Talvez no final do repasto que se rege pela cozinha regional da autoria de Tiago Sá, o jovem chef de Alfarelos – freguesia do concelho de Soure, a cerca de 15 quilómetros de Condeixa-a-Nova –, como o cabrito assado no forno com batata e grelos ou a codorniz de escabeche com puré de castanha. Mas antes da despedida do inverno, até porque o restaurante está de portas abertas para quem queira experimentar a cozinha do chef ao almoço – também com um menu executivo – e ao jantar, recomendamos o aveludado de castanhas com azeite de avelãs, para confortar a alma nestes dias frios que teimam em ficar.

Vol-au-vent de camarão com queijo da Serra

A quem prefere pratos com um sabor mais intenso fica a referência: Vol-au-vent de camarão com queijo da Serra.

Tibornada de bacalhau com batatas assadas e o polvo assado

Na carta de inverno – que inclui pratos vegetarianos – a escolha é variada, com a tibornada de bacalhau com batatas assadas e o polvo assado em alecrim com risotto de salsa a constrastar ou o peixe do dia grelhado e o espardate salteado em azeite com puré de batata doce que poderão ficar para a próxima visita.

Aos mais novos está redigida uma carta, mas há quem, mesmo assim, prefira a comida dos adultos, começando com um creme de legumes seguido de bochechas de porco com batata assada e grelos.

No remate do repasto o toucinho do céu com gila venceu no palato, pois no reino das sobremesas há lugar para o leite creme, a tábua de queijos – Rabaçal, Serra, Ilha e Azeitão, como se de um mini roteiro por Portugal se tratasse – e o pudim Abade de Priscos, entre os demais doces de colher.

Agora sim, vale o passeio pelo jardim com um pequeno bosque onde, pela manhã, é possível pôr a atividade física em prática e, ao fim da tarde, contemplar o pôr do sol na esplanada na companhia de Baco, pois todos os vinhos da carta são de produção nacional – à exceção de dois champanhes. E assim que o termómetro registar temperaturas mais altas é declarada a época de veraneio em redor da piscina ao fundo do relvado, onde um antigo pombal foi convertido num bar e há tempo para o barbecue de verão ao sabor de boas sonoridades.

Na rota do norte de Sicó

As Buracas do Casmilo são únicas em Portugal e na Europa

Enquanto o verão não chega – mesmo sendo uma boa altura para um passeio – fica a recomendação: Um passeio por terras de Sicó. Afinal, estamos numa região mui disputada, há séculos, por romanos, bárbaros, mouros, cristãos, franceses… e cravejada de lendas e estórias que testemunham a ação do Homem e de divindades que calcorrearam o chão outrora mar quando falamos do período cársico ao pisarmos o caminho que nos leva às Buracas do Camilo, a pouco mais do que dez quilómetros do centro de Condeixa-a-Nova. Aqui houve mar – a avaliar pela quantidade de calcário existente –, um mar tropical, garantia dada pelos vestígios de fósseis encontrados.

A razão pela qual se chamam de buracas tem a ver com a forma como se apresentam as aberturas nas rochas – frente a frente, em paredes rochosas opostas –, as quais foram escavadas pelo mar.

Os lapiares são outro dos cenários que testemunham a singularidade da paisagem cársica do concelho

Já na estrada de terra, e ainda antes de chegarmos à buracas, somos surpreendidos com a presença de lapiares – uma zona plana com fraturas à superfície, as quais, com a erosão, vão ficando cada vez mais profundas, tomando a forma de pilares de pedra –, que conferem uma imagem singular a esta paisagem cársica ornamentada também por colinas, semi-esferas que surgem em terra argilosa formando, por vezes, pequenos lagos que, consoante o tamanho, acumulam água durante todo o ano.

Menos distante dos anais que contam a história do país está Alcabideque, lugar que permanece nos anais, graças ao aqueduto erguido pelos romanos nos finais do século I a.C.. A origem desta construção com cerca de 3600 quilómetros está associada à nascente local, onde se pode contemplar a estação elevatória, com um sistema de filtração, e uma ínfima parte das colunas que sustentavam a passagem de água que abastecia Conímbriga. Quanto ao nome Alcabideque, este foi dado pelos mouros que por aqui se instalaram no século VIII – já depois dos bárbaros – e a partir de onde foi construída uma ribeira que conduz esta água que passa no coração de Condeixa-a-Nova e, em tempos idos, abasteceu os moinhos da vila, sendo o ofício de moleiro uma atividade de grande relevo que foi desaparecendo.

Tal como a história, o passeio ruma, desta vez, até Fonte Coberta, aldeia do Zambujal, freguesia de Condeixa-a-Nova – nos limites do concelho, que faz fronteira com o Rabaçal, mui conhecido pelo seu queijo feito a partir de leite de cabra e ovelha – para a qual temos de passar por uma ponte mandada construir entre os anos 1636-1637, aquando do reinado de Filipe III de Portugal (IV de Espanha), cuja finalidade seria evitar que os habitantes da aldeia ficassem isolados na época das cheias. Sobre este lugar há quem fale sobre uma estalagem que, nos velhos tempos, albergava os peregrinos que percorriam os medievais caminhos de Santiago e sobre o pintor Pier Maria Baldi, que terá passado por Fonte Coberta na companhia do príncipe Cosme de Médicis, de Florença, Itália, retrato a aldeia numa gravura datada de 1669, a qual foi reproduzida, a posteriori, num painel de azulejos exposto no largo batizado com o nome do artista italiano.

E muito ficou por conhecer, pois as Rotas de Sicó são o convite perfeito para (re)descobrir a região através de seis programas à escolha – do Norte, do Sul, do Céu e da Terra, do Romano e de Castelos e Muralhas do Mondego.

Para reservar basta contactar a Tânia Neves (965 586 271) ou Carlos Marques (968 184 224) através de geral@rotasdesico.pt.

Os vestígios do império romano

As muralhas abrem caminho à via principal da vetusta cidade de Conímbriga

Ir a Condeixa sem visitar as ruínas de Conímbriga tem o mesmo simbolismo que “ir a Roma e não ver o Papa”. Portanto, o melhor é optar por roupa e calçado confortável, e preparar o corpo e a mente para calcorrear os percursos por entre os vestígios, graças às escavações arqueológicas que iniciaram no último ano do século XIX.

Os pequenos ladrilhos do pavimento do interior das casas romanas continuam as surpreender os visitantes

Aberta ao público desde 1930, Conímbriga continuou a surpreender os apaixonados pelo ofício da arqueologia e por quem contemplava a riqueza deste património nacional, quer na vertente do urbanismo pensado ao pormenor, quer decorativa e expositiva, graças aos tão falados mosaicos que resistem à erosão do tempo e dos tempos, à casa dos repuxos, o mais emblemáticos do edifícios e cuja descoberta remonta a 1939 e onde encontramos o Minotauro e o Labirinto de Creta, ou à casa atribuída a Cantaber, às lojas de comércio e ao aqueduto, e às termas deste, ou ao fórum e ao anfiteatro, com vista para o canhão de origem fluvio-cársica e o rio dos Mouros, a sul, uma espécie de “muralha” que protegia a cidade romana de eventuais ataques de outros povos – e assim se manteve até 468 d.c., ano em que foi tomada, em definito, pelos bárbaros.

A torre da igreja de Condeixa-a-Velha vista das ruínas da casa atribuída a Cantaber

De regresso ao presente, a muitas outros vestígios faltam encontrar a luz do dia, pois a maioria permanece soterrada em Condeixa-a-Velha, freguesia do concelho de Condeixa-a-Nova.

O interior do Museu Monográfico de Conímbriga

Já fora do percurso talhado pelas ruínas, a visita estende-se ao Museu Monográfico de Conímbriga erigido em 1962 e remodelado em 1985. No interior estão os achados das escavações feitas ao longo dos anos, desde peças de cerâmica e demaos objetos utilizados na decoração e no dia a dia aos materiais utilizados na construção do casario e à matéria-prima, com o mármore e a pintura mural em destaque.

No final da visita, que tal um repasto no restaurante do Museu Monográfico de Conímbriga?

O horário das ruínas e do museu contemplam todos os dias da semana, das 10 às 19 horas (exceto 1 de janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 e 25 de dezembro), sendo gratuita a entrada no primeiro domingo de cada mês para visitas individuais ou grupos até 12 pessoas. Caso pretenda requisitar guia, o melhor é fazê-lo com antecedência para 0 239 941 177 ou através de geral@conimbriga.dgcp.pt, sendo o valor de 50 euros (+ IVA) de uma a 25 pessoas.

O museu do futuro com o acervo do passado

A Quinta de São Tomé que acolhe o PO.RO.S – Centro de Interpretação Dedicado ao Romano

No alinhamento do acervo deixado pelos romanos, passemos para o PO.RO.S, o Centro de Interpretação Dedicado ao Romano, o futuro museu erigido na antiga Quinta de São Tomé, também conhecida como o solar dos Figueiredos de Condeixa, do qual restavam algumas paredes devido à degradação do edifício outrora aqui existente.

Com inauguração apontada para o final de março, o mês que se avizinha no calendário, o PO.RO.S, compartimentados por várias salas, cada uma com a sua cor, convida os visitantes a entrarem numa máquina do tempo, a descobrirem cada passo da história de Condeixa, desde a atualidade ao período romano, passando pelas invasões francesas, pelos descobrimentos e pela conquista cristã, ficando o aviso que, desde o primeiro minuto, é perentório manter os cinco sentidos alerta, pois há quizzes para responder e provérbios para memorizar, há informação tátil e mesas interativas a explorar e aromas a descobrir, mantendo os ouvidos atentos. Desde o primeiro momento em que é contada a história de tão implacável império, desde a fundação de Roma à vetusta Constantinopla, complementado com objetos e demais símbolos representativos do poderio de um povo, há espaço para o urbanismo e a construção de suas casas, a importância do território e do comércio, a mitologia e a religião, com um espaço destinado à contemplação dos deuses, a vida privada e a social, bem como tudo o que há de romano nos dias de hoje, como as termas, o legado de séculos que perdura no presente.

Ainda dentro do museu, mas no pátio interno, ao ar livre, há passagem para as dependências da casa principal, as quais, outrora, albergavam os animais e as ferramentas de lavoura da quinta. Hoje, este conjunto de anexos acolhe a cafeteira, parte erigida com as pedras de tempos idos para reavivar as memórias e onde o objetivo passa por promover os produtos endógenos e a temática do romano na gastronomia; um auditório; uma sala ampla e um atelier imenso para artistas dos concelhos limítrofes, com a finalidade de implementar um cluster de indústrias criativas dentro do PO.RO.S.

E mais não dizemos. Afinal, as portas deste Centro de Interpretação Dedicado ao Romano abrirão em breve, pelo que o melhor é agendar a visita e… carpe diem.

De cultura vive o povo

O escritório da casa de Lisboa de Fernando Namora na Casa Museu do escritor em Condeixa-a-Nova

Já o vetusto ditado “o saber não ocupa lugar” exalta a cultura como um bem necessário a cada um de nós, pois é o contar a história e as estórias que dela fazem parte.

Assim, começamos por uma casa de família que, a 30 de junho de 1990, abriu as portas a todos o que a quisessem visitar.

Palco de concertos intimistas de música e workshops de escrita, a Casa Museu Fernando Namora é uma homenagem ao escritor, médico e pintor português, nascido a 15 de abril de 1919, em Condeixa, e que ficou no pedestal da literatura graças a “Retalhos da vida de um médico”. Mas houve mais obras que elevaram Fernando Namora na escrita impulsionada pela paixão pelas palavras e pelas experiências de vida que deixou como testemunho do seu tempo, depois de se formar em medicina pela universidade da vizinha Coimbra, ao que se seguiu a abertura do seu consultório na vila, aos 23 anos tendo, para se deslocar nas visitas, uma bicicleta que lhe fora emprestada e um fato – o primeiro –, que adquiriu em troca de um dos seus quadros, pois a pintura foi outra das artes que exercia com dedicação desde a infância.

Os livros do escritor, médico e pintor estão expostos pelo seu lar de outrora

Na casa, outrora o lar do escritor, no primeiro piso, e loja de tecidos, no rés do chão, onde se encontra a entrada do agora museu, quadros da sua autoria estão em exposição a par com muitos outros pintados por amigos e renomados pintores e o busto de Fernando Namora moldado pelas mãos do escultor José Dias Coelho – cujo desaparecimento ficou imortalizado por Zeca Afonso em “A morte saiu à rua”.

Do percurso na medicina, há a passagem por Pavia, em Mora, no Alentejo, cujas vivências no mundo rural retratou em “O trigo e o joio”, outra das obras que enalteceu esta ilustre figura do universo da escrita, e na pintura; e a estada em Monsanto, em Idanha-a-Nova, a qual deu origem ao célebre livro “Retalhos da vida de um médico” e a três quadros que fazem parte do espólio desta casa museu.

Três dos grandes livros do ilustre autor de obras literárias

Terminado a seu trajeto no campo da medicina no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Fernando Namora jamais deixou a escrita de parte, tendo a ela se dedicado inteiramente a partir de 1965, ao que manuscritos, apontamentos originais, provas saídas da tipografia e notas de uma vida para futuras obras, ao lado de medalhas e da Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, com a qual foi agraciado em 1988, se podem contemplar no andar de cima da Casa Museu Fernando Namora, para onde foi transladado o seu escritório. Deste espaço, que ocupa uma das divisões, ressaltam as estantes repletas de livros oferecidos pelos amigos ao longo de décadas, a fotografia captada pela lente de Eduardo Gageiro, as capas de três em prata – “A noite e a madrugada”, “Domingo à tarde” e “O trigo e o joio” – e a de ouro, atribuída a “Retalhos da vida de um médico”, os objetos pessoais e as peças decorativas dispostos nos lugares onde deixou em 1989, ano do seu desaparecimento.

Casa Museu Fernando Namora, no Largo Artur Barreto, está de portas abertas todos os dias, das 10 às 17 horas (exceto a 1 de janeiro, domingo de Páscoa e a 25 de dezembro). A entrada é gratuita.

A antiga escola dos rapazes que é galeria de arte

Frequentada por Fernando Namora nos tempos de menino, a escola primária Conde de Ferreira, e antiga escola dos rapazes é, desde 2007, a Galeria Manuel Filipe.

Professor e pedagogo, Manuel Filipe, que nasceu em Condeixa em 1908, dedicou-se à pintura entre 1943 e os anos 1980’ tendo, entre as década de 1940’ e 1950’, pautado pela corrente neo-realista, que foi ficando para trás dando, as suas mãos, corpo a novas formas e técnicas, as quais iam sendo aprimoradas.

E, desde sempre, teve o ser humano como a essência da pintura (…)

Quanto à sua obra como um todo – e que parte está integrada na exposição permanente na galeria –, aquela divide-se em três fases: Fase Negra (1942-1947), Fase Média (1961-1970) e Fase Última (1970-1978). E, desde sempre, teve o ser humano como a essência da pintura, que relatava, através da paleta de cores infinita, da passagem do pincel, das técnicas e dos materiais, sob uma incomensurável miséria e injustiça a que estavam condenados os mais carenciados.

A Galeria Manuel Filipe, na rua Dr. Simão da Cunha, vale a visita de segunda a sexta, das 9 às 12.30 e as 14 às 17.30 horas, e aos sábados e domingos, das 10 às 17 horas. A entrada é gratuita. A quem preferir uma visita guiada pelo espaço, recomenda-se a a reserva pelo 239 949 120, o 933 391 581 ou através de rui.miranda@cm-condeixa.pt.

A tradição do receituário da vila

O cabrito assado com batatas assadas e grelos acompanhado com arroz de miúdos do cabrito n’ O Regional do Cabrito

Cabrito assado com batatas pequenas assadas no forno e grelos. Eis o prato tradicional da vila e das aldeias do concelho, sobretudo pelos festejos religiosos e na Semana do Cabrito, agendada para os primeiros dez dias de maio de cada ano e na qual participam os restaurantes que preparam um menu em que a cria da cabra é rainha à mesa.

A origem da receita típica das cozinhas condeixenses remonta há vários séculos, graças à pastorícia na região serrana, a Serra do Sicé, e da qual faz parte Condeixa-a-Nova – assim como Penela, Pombal, Soure, Alvaiázere e Ansião – foi, desde sempre, uma das atividades desenvolvidas por aquelas paragens.

As ementas do restaurante mostram como é a região através de marcos e muita criatividade

De volta à mesa, nada há de melhor do que saborear o cabrito “à moda de Condeixa”, o qual é proveniente “da Serra do Sicó” e confecionado pelo chef António Moreira, n’ O Regional do Cabrito, na praça da República, no coração da vila, e um dos presentes na lista de restaurantes da Semana do Cabrito. As palavras são de Fátima Moreira que, juntamente com o marido, está à frente deste espaço desde 2001.

A acrescentar ao receituário d’ O Regional do Cabrito, Fátima Moreira falou ainda do prato de rojões à Sicó – “carne de porco envolta na banha que, depois de cozinhada, é servida com xíxaros” (leguminosa semelhante ao tremoço, mas de cor mais clara), sendo estes também utilizados para sopa: “Fazemos sopa de xíxaros com almeirões por encomenda” – o almeirão é uma hortaliça que precisa de ser aferventada, para atenuar o sabor amargo que possui. O borrego assado no forno é outra das especialidades da casa, onde o capítulo dos doces está nas mãos de Fátima Moreira, que falou do leite creme e do arroz doce, bem como da serradura, o mais solicitado pelos habitués, com a escarpiada à parte, pois esta é elaborada pelos padeiros da vila e arredores.

A escarpiada é o doce tradicional do concelho

A escarpiada é o ex-líbris de Condeixa-a-Nova tendo a receita sido passada de geração em geração. Sobre a origem sobre esta iguaria típica do concelho  pouco se fala, mas sabe-se que é um doce cuja base é a massa de pão, na qual é espalhado o preparado feito com açúcar amarelo, canela e azeite. Vale a pena experimentar com a devida moderação, sob pena de se tornar um vício para o palato…

O Regional do Cabrito está no n.º 14 da praça da República, em Condeixa-a-Nova, e o horário é das 12 às 22 horas (exceto à segunda).

Boa viagem e bom apetite! •

+ Pousada de Condeixa Coimbra
© Fotografia: João Pedro Rato

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